
Na última semana (31), moradores do bairro Vale do Sol, em Paranaguá, denunciaram, por meio das redes sociais, que um terreno particular na região está servindo para armazenar contêineres. Com a operação de transporte dos equipamentos, veículos pesados passaram a ser vistos frequentemente entre as ruas João Groth Elias Filho e João Estival.
Com a movimentação de guindastes, retroescavadeiras e caminhões, os moradores contam que o asfalto está sendo prejudicado, que calçadas foram deterioradas e o trânsito na área ficou caótico. Além disso, eles se preocupam, especialmente, com os pedestres, ciclistas e crianças que passam, todos os dias, por ali.
Após as reclamações, vereadores tomaram a iniciativa de solicitar fiscalização da prefeitura, que mandou equipes das secretarias de Segurança (Semseg), Urbanismo (Semur) e Meio Ambiente (Semma) para a ação no bairro. A operação aconteceu na terça-feira (1) e nessa data, segundo a assessoria de imprensa, “não foram identificadas operações em andamento, nem responsáveis no local para receberem notificação”.
“Uma pesquisa da Semur identificou que são quatro lotes no local, pertencentes a uma empresa. Em contato com o proprietário, foi relatado que o terreno está locado e, em posse do contrato de locação de imóvel, abrimos um processo administrativo com as medidas cabíveis”, explica a prefeitura.
Já a Semseg, por meio da Guarda Civil Municipal, informa que está realizando rondas frequentes e contínuas para impedir a movimentação de veículos pesados na localidade. A Semma também verifica se ocorreu algum crime ambiental no terreno.
Terminal de contêiner?
Os moradores da região passaram a reclamar sobre a possibilidade de “a região virar um terminal de contêiner”. Eliel Lima diz que “o bairro é residencial” e que o dono da empresa “deve procurar um terreno na área portuária para alugar”. Valeria Matozo também comenta: “Existe tanto lugar para fazer terminal de contêiner, querem fazer justo em bairro residencial”.
Outros residentes ainda destacam que a região foi recém-asfaltada e, com o trânsito pesado, temem que as ruas fiquem esburacadas. “Antes do asfalto ninguém queria se instalar aqui, agora que está asfaltado, o bairro bonito, querem destruir toda a rua, que não foi feita para transitar caminhões pesados e, principalmente, contêineres”, diz Elcio Patrick.
Para esclarecer se o local pode, realmente, virar um terminal de contêiner, o JB Litoral procurou o locatário do terreno, Claudemir de Souza, que informou o que está acontecendo na área. Segundo ele, o terreno serve como depósito para materiais de construção e os contêineres serão utilizados para a fabricação de casas ecológicas.
“Não tem nada a ver com porto, eu aluguei o terreno para armazenar materiais para um negócio particular de construção civil. Estou iniciando um projeto, tanto em Paranaguá quanto em Curitiba, de construção de casas ecológicas sustentáveis, com energia solar, e algumas serão fabricadas em contêiner”, explica.
Depósito provisório
Claudemir conta que a operação de transporte dos contêineres foi feita de forma “segura, com guindaste, dentro da lei, com veículos operacionais autorizados a trabalhar na área”. “Desconheço proibição de armazenamento de contêineres, pois não iremos gerar tráfego pesado na região, é só um depósito provisório, por tempo determinado. Farei várias construções e esses contêineres logo serão deslocados para os locais efetivos das construções, no Jardim Paraná e Vila Garcia”, diz.
Quanto à calçada que foi danificada, ele afirma que irá consertar o dano. “Acabou sendo danificada por conta da retroescavadeira que fez a planície do terreno e, em três pontos, quebrou a calçada que estava oca devido ao terreno ter muita água. Mas ela será reconstruída”.
Já a respeito da “geração de tráfego pesado”, ele é contundente ao dizer que “isso não existe”. “Para construir uma casa, é necessário utilizar caminhões e maquinários. Nós não vamos gerar tráfego pesado, apenas construir, e tem prazo para a conclusão”, destaca.
De acordo com Claudemir, o terreno servirá como depósito de materiais de construção como areia, terra e tijolo, por, aproximadamente, um ano. Já os contêineres devem ficar no local por cerca de dois meses.
“Em Paranaguá, muitos empreendimentos deixam a cidade por causa de situações como essa”, diz Claudemir. “Eu fiquei muito decepcionado com a atitude dos moradores, sem ninguém analisar nada. Muitas pessoas daquela região serão contratadas para trabalhar na construção, mas ninguém vê isso”, conclui.
Precisa de licença
Procurado, o secretário municipal de Urbanismo, Koiti Cláudio Takiguti, ressalta que, para o armazenamento de contêineres, é necessário realizar um licenciamento. “Se os contêineres são para construção, é preciso um alvará de construção. Enquanto a situação não se resolve, não pode operar, fica tudo embargado, e, se os caminhões continuarem operando, todos serão embargados e multados, pois não pode circulação de veículo pesado naquela área. Os equipamentos também ficam embargados e, inclusive, sujeitos a apreensão”, informa.