Uma geração inteira de mães e avós de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social viu seus filhos e netos sendo cooptados pelo tráfico, morrendo ou tendo suas chances de um futuro melhor ceifadas pela dependência química e pela prisão. Uma geração que tinha esperanças, lá em 2015, 2016, 2017.
Uma década de abandono de um projeto que tem a missão fundamental de afastar adolescentes e jovens de situações de risco e vulnerabilidade social, além de promover ações que favoreçam sua formação pessoal, profissional e política.
O Centro da Juventude (CJ) de Paranaguá é esse espaço que já poderia estar em funcionamento, atendendo, no mínimo, 200 adolescentes e jovens entre 12 e 18 anos por mês, com a oferta de atividades culturais, esportivas e educativas, além de acompanhamento psicológico e social contínuo. No entanto, as obras foram abandonadas e seguem inacabadas desde 2015.
Muitas promessas depois, o CJ finalmente foi concluído e entregue pelo Estado, que investiu R$ 6,4 milhões. Em julho do ano passado, após o cronograma de 300 dias estabelecido em 2024, o Governo disse à Prefeitura: “toma que o filho é teu”. E o que a Administração Municipal fez até agora? Nada.
Mesmo ciente dos prazos estabelecidos pelo Governo do Estado para a entrega da estrutura e da necessidade de elaborar um Plano de Trabalho — documento que viabiliza o funcionamento do espaço —, a Prefeitura não agiu.
Onde está o Plano de Trabalho? Onde está a licitação para compra do mobiliário, itens de responsabilidade do Município? Lá se vão longos nove meses desde que a estrutura passou para a responsabilidade da Prefeitura. Três meses desde que o prefeito Adriano Ramos foi pessoalmente “inspecionar” o espaço.
Meses em que a população, que já esperou por uma década, vê nascer o sentimento de: “vai acontecer de novo?”.
E, como todo espaço fechado na cidade, o Centro da Juventude pode até estar sofrendo com a ação de criminosos. Segundo denúncias que chegaram ao JB, a fiação das instalações já estaria sendo furtada.
O que mais dói não é a inércia da gestão em dar vida ao CJ, mas a quantidade de futuros que deixam de ser construídos com mais oportunidades e mais dignidade. É o luto por uma geração que poderia ter sido e não foi.