Em dois meses, 200 animais mortos são retirados das praias do Paraná


Por Redação JB Litoral

Em quase dois meses, foram retirados 200 animais mortos da orla das praias paranaenses. São tartarugas marinhas, golfinhos e aves que, em muitos casos, estão na lista das espécies em risco de extinção. De acordo com o Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de 2007 a meados de 2015, a média anual era de 200 corpos.

“É assustador… É uma população ameaçada, e quando você começa a ter alta taxa destes animais mortos nas praias é um indicativo de que a situação está cada vez mais grave para estes animais e para o próprio ambiente”, afirmou a bióloga Camila Domit, que integra o CEM.

O CEM é responsável pela coordenação do “Projeto Monitoramento de Praia”, no Paraná, que é uma condicionante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBMA) à Petrobras para a exploração das áreas de pré-sal.É um indicativo que a situação está cada vez mais grave para estes animais e para o próprio ambiente” Camila Domit, bióloga

A comerciante Cibele Costa Policarpo, de 25 anos, sabe como é se deparar um com destes animais em risco de extinção. Ela viu uma Caretta Caretta, popularmente chamada de tartaruga- cabeçuda, no Balneário de Prainha, em Guaratuba, na manhã de sábado (17).

“Eu fiquei triste porque é um animal tão bonito e tão indefeso. Acho que pode ter sido alguma embarcação ou ela ter se enrolado em rede de pesca”, especulou Cibele. Ela disse que não é raro encontrar animais mortos na orla.[tabelas]

Desta vez, entretanto, Cibele ficou surpresa com o tamanho da tartaruga. Ela acredita que a tartaruga tinha mais de um metro de comprimento e mais de 50 quilos. “Nunca tinha visto deste tamanho”, disse. A carapaça ou casco das tartarugas-cabeçudas por passar de um metro, de acordo com biólogos.

As causas

A bióloga Camila Domit afirma que existe uma série de fatores que podem ter provocado a alta neste número de animais mortos na orla do Paraná. “Pode ser um efeito do nosso esforço [em virtude do monitoramento], pode ser o El Niño, então, a gente tem mais chegadas de frentes frias. Mas também é um reflexo da intensificação dos impactos no nosso litoral”, disse.

A bióloga contou que recentemente foi retirado o corpo de uma tartaruga de couro – uma das mais ameaçadas de extinção entre a fauna marinha – que tinha no estômago duas sacolas plásticas inteiras.

Após a retirada dos corpos, a equipe tipifica os animais, com a coleta de dados físicos.

Em seguida, é feita uma avaliação macroscópica, que é externa, com a identificação de sinais, e uma necropsia. O material coletado é enviado para laboratórios especializados para a definição da causa da morte.

“Nós já encontramos doenças como pneumonia e doenças renais, que são características de animais imunossuprimido”, explicou Camila Domit. Como o trabalho de monitoramento diário das praias é recente, segundo a bióloga, ainda é cedo para se afirmar exatamente o que tem ocorrido.

Quando se fala em fatores ambientais, a possível origem dos problemas é variada. É possível citar, contaminação por lixo ou produtos químico, degradação dos ambientes costeiros e desmatamento de área de manguezal, por exemplo.

Também pode-se considerar, de acordo com a bióloga, a poluição sonora, devido o excesso de embarcações, os reflexos da área portuária, a dragagem e ainda a pesca industrial, que retira muitos peixes do ambientes, reduzindo a quantidade de alimentos.

“Tudo isso provoca uma queda no sistema imunológico dos animais. Eles são parecidos com a gente. Suportamos o stress no trabalho. Agora, o stress no trabalho, mais uma doença na família e mais noites sem dormir faz com que a gente comece a ficar doente. É a mesma coisa para esses animais. Eles estão em um ambiente com tanta coisa ruim acontecendo que começam a ficar mais debilitados e não conseguem suportar os níveis mínimos de impacto”.

Monitoramento

O “Projeto Monitoramento de Praia” começou no Paraná fim de agosto. Estão com monitoramento diário todas as praias de Guaratuba, Matinhos e Ponta do Paraná, com o apoio das prefeituras e das Secretarias de Meio Ambiente.
Na Ilha do Mel, devido à dificuldade de acesso, parte das praias tem acompanhamento diário e parte funciona a partir de acionamento. Isso significa que a equipe de pesquisa vai ao local quando é chamada.
A partir de novembro deste ano, devem ser monitoradas também a Ilha das Peças e as praias costeiras da Ilha de Superagui.

Pré-sal

O trabalho tem como pano de fundo a exploração do pré-sal da Bacia de Santos, que engloba parte da área marítima do Paraná e de Santa Catarina.

“Pela primeira vez nós estamos com os três estados realizando diariamente um monitoramento das praias com o objetivo de identificar os encalhes destes animais e avaliar as saúde dos animais e do ambiente”, disse Camila Domit.

Ela explica que, em caso de acidente, durante a exploração do petróleo, o óleo não chega à costa, mas atinge essas espécies que são migratórias. “Por isso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina estão em alerta”.

Quem encontrar um animal morto nas praias paranaenses pode entrar em contato com a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias pelo (41) 9854 – 3710 ou pelo 0800-642-3341.

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