Moradores da Ilha do Mel não querem a reabertura ao Turismo no dia 15


Por Redação JB Litoral
ilha do mel

Diante do anúncio da reabertura da Ilha do Mel aos turistas no dia 15 de agosto, por conta de um acordo firmado entre a Prefeitura de Paranaguá e o Governo do Estado, moradores da região manifestaram sua posição contrária a medida e abriram abaixo-assinado buscando apoio popular nas redes sociais.

Neste acordo, estabelecido entre a prefeitura de Paranaguá e do Governo do Estado, representantes da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest), do Instituto Água e Terra (IAT) e da Secretaria Municipal da Agricultura e Pesca (Semapa), um dos principais pontos de visitação do Paraná estaria apto a voltar a recepcionar turistas afastados desde o dia 21 de março.

Em conformidade com o decreto estadual há cinco meses, apenas moradores podem entrar e sair da localidade sem as restrições impostas pelo documento.

A Notícia foi divulgada no sábado (01) na imprensa estadual e pegou a comunidade de surpresa. De acordo com o morador Flávio Pitanga Damasceno, da região de Encantadas, não houve nenhuma consulta prévia ou decreto por parte da administração municipal, ou estadual sobre a decisão, da qual a comunidade quer participar.

“A Ilha do Mel é um dos únicos locais do mundo que não há casos da Covid-19, além do abaixo-assinado contar com mais de 500 assinaturas de pessoas das comunidades da Ilha do Mel, o documento também tem o objetivo de esclarecer que grande parte dos moradores de Encantadas não está de acordo com a abertura do local para o turismo nesta data”, disse.

Na noite desta segunda-feira (03), uma reunião, em Encantadas, reuniu moradores insatisfeitos com a decisão. Neste encontro, a comunidade elaborou um documento endereçado às secretarias de saúde municipal e estadual, ao Ministério Público Estadual e Federal, e à imprensa para que auxiliem no adiamento da data.

Outra reivindicação dos habitantes é com relação a estrutura do Posto de Saúde da região, que conforme Flávio, não é adequada ao atendimento dos pacientes com suspeita ou mesmo com a confirmação da Covid-19. “Se já há falta de medicamentos e insumos hospitalares nos grandes centros, deduzimos que a mesma situação deve ocorrer na Ilha”, declarou o morador.

Embora seja uma área ampla e aberta, os habitantes sabem que as pessoas expostas à infecção são aquelas que moram nas vilas e que atendem ao turismo. E querem um controle mais rígido exigido de entrada e saída dos não moradores. “Precisa ser mais controlado, assim como a fiscalização das normas de higiene dos moradores que se deslocam até o continente”, afirmou Flávio. 

ADIAMENTO DA ABERTURA

A Associação dos Nativos da Ilha do Mel (Animpo), de Nova Brasília, também está se organizando para que a data de abertura seja adiada. Segundo o secretário da Animpo Felipe Andrews “Não está nada definido para a abertura da Ilha para o dia 15 de agosto. Quem vai decidir quando vai ser aberto a Ilha do Mel será seus moradores, e não estado e município. Já estamos nos organizando para ver uma melhor data para a abertura”, resumiu Felipe.

A redação do JB Litoral entrou em contato com a Prefeitura de Paranaguá sobre a atual situação. Contudo, a Secretaria Municipal de Comunicação Social (Secom) informou que realizou algumas reuniões na tarde desta terça-feira (04), sobre o assunto e que as decisões serão repassadas à imprensa nesta quarta-feira (05), pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secultur).

TRAPICHE

De acordo com os moradores, o trapiche de Encantadas não possui atualmente condições de receber o turismo, pois ainda está em reforma. A estrutura passou por um longo processo até que finalmente pudesse ser reconstruída. A expectativa é que fique pronta até o final de novembro.

As obras de reparo no trapiche de Nova Brasília e Encantadas foram autorizadas pelo Governo Estadual em agosto do ano passado, após uma série de problemas na estrutura e vários apelos da comunidade. Em 2018, a estrutura da Praia de Encantadas chegou a despencar quatro vezes num curto período, chegando a ser interditada pela Capitania dos Portos do Estado do Paraná.

Já na Praia de Nova Brasília, o trapiche ganhou repercussão em agosto do ano passado, na imprensa, quando a estrutura ficou completamente embaixo d’água mesmo após a reforma. Moradores chegaram a pedir a interdição da passagem ao Ministério Público do Paraná (MPPR) pelos riscos que poderiam provocar aos habitantes e turistas. A Marinha do Brasil também interditou parcialmente estrutura em fevereiro deste ano, mas pouca coisa foi resolvida. No último mês de maio, houve um novo desabamento.

SEDEST E IAT

Procurados a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest) e o Instituto Água e Terra (IAT) informam que após reunião, na sexta-feira (31), organizada pela prefeitura ficou definido que serão instalados barreiras sanitárias no acesso aos terminais de embarque para a Ilha do Mel em Pontal do Paraná e Paranaguá, além da fiscalização nos trapiches da Ilha conferindo a apresentação de carteirinha de residente ou o comprovante de recolhimento de taxa de embarque, todas essas ações ficarão sob a responsabilidade de cada município.

O órgão informou ainda que irá ofertar por meio da Paraná Turismo, em parceria com o SEBRAE, a capacitação dos comerciantes em relação aos protocolos de segurança sanitária e social, e a prefeitura, fará ao mesmo com os profissionais de saúde. Com relação às obras do trapiche elas prosseguem e a previsão de conclusão é para novembro.

Confira o abaixo-assinado dos moradores (aqui)

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