Um estrondo intenso, parecido com uma explosão, vindo da ferrovia. Foi assim que moradores do bairro Ponte Alta, em Morretes, descreveram ao JB Litoral, o que ocorreu há 10 dias e, o que vem acontecendo na localidade desde então.
De acordo com eles, que preferem não ter a identidade revelada, “após o barulho, ninguém soube explicar o que tinha acontecido e não houve qualquer comunicação ou esclarecimento, por parte da Rumo”.

Mas foi depois disso que a população notou uma grande quantidade de açúcar espalhada ao longo da linha férrea e nas áreas ao redor. O material teria ficado exposto no chão por vários dias, se decompondo, gerando mau cheiro e formando um líquido escuro, tipo chorume, que escorria pelo solo, segundo um morador.
“A empresa Rumo retirou apenas parte desse açúcar. Em muitos pontos, o que foi feito foi cobrir o material com brita, enterrando o resíduo. Em vários locais também foi jogada cal por cima, aparentemente para disfarçar o problema, sem fazer a retirada correta e sem limpeza adequada da área”, relatou.
Muitas formigas e peixes mortos
Ainda de acordo com os moradores, surgiram muitas formigas na localidade, atraídas pelo açúcar e, com o tempo, parte da carga que ficou no local, sob as britas e a cal, continuou se decompondo e o chorume passou a escorrer para áreas mais baixas. “Depois disso começaram a aparecer peixes mortos não só nos rios próximos, mas também em tanques aqui na região do Ponte Alta, onde todos os peixes morreram”, disse outra moradora.
Peixes mortos foram achados em distâncias de até 5km do local afetado. Além disso, a água usada por algumas famílias ficou com cheiro e aparência alterados, fazendo com que as pessoas parassem de usar, por medo.
“O que sentimos é que houve um dano ambiental sério e que, em vez de resolver corretamente, a empresa tentou esconder parte do problema. Queremos que isso seja investigado, porque os impactos ambientais são reais e estão afetando diretamente quem vive aqui”, afirmou um terceiro morador.
Ainda segundo a comunidade, houve dia, na semana passada, em que um trem de passageiros não teve como seguir viagem no trecho afetado pelo derramamento de açúcar e teve que retornar para Curitiba.
O JB Litoral entrou em contato com a Rumo Logística, concessionária responsável pelas operações na ferrovia e com a Prefeitura de Morretes, e aguarda retorno.
A reportagem também procurou a Serra Verde Express, que opera os passeios de trem para passageiros. A empresa informou que não teve as operações impactadas pelo derramamento e que a ocasião em que o trem precisou retornar foi devido às fortes rajadas de vento.