Negligência levou “Max” à morte na Secretaria de Meio Ambiente em Paranaguá


Por Redação JB Litoral

Depois de um martírio que durou quase oito horas, seis delas, no gélido chão de paralelepípedos da Rua Coronel Antônio Bittencourt, o cavalo que ganhou o nome de “Max”, levado para Secretaria Municipal de Ambiente (SEMMA), não resistiu ao sofrimento e amanheceu morto para consternação de todos que lutaram salvá-lo, na noite de terça-feira (31) em Paranaguá.

No laudo assinado pela veterinária Klarissa Scremim, a constatação do inevitável óbito em razão da condição de saúde do animal que apresentava “anorexia há dias, fadiga, desidratação, dor, anemia, escore corporal, magreza, diarreia, cólicas, batimentos cardíacos moderados e hipotermia”.

Mas foi um conjunto de negligência dos poderes, Legislativo e Executivo, que decretaram a morte de “Max” a partir de 2.006, ano que deveria ser regulamentada a Lei Municipal 382/2005 apresentada por Jozias Ramos (PDT) e feita pela ambientalista Lourilis Francis Nogueira.

O determinado pelo inciso “V” do artigo 15º desta legislação, se aplicada pelo Poder Público, na época, representaria a diferença entre a vida e a morte de cavalos, potros e éguas por conta de maus tratos e tratamento inadequado dos animais que, ainda hoje, são vistos nas ruas e avenidas da cidade, como “Max”.

Apesar de constar entre seus trabalhos no site da Câmara Municipal, o vereador Jozias que teve oportunidade de presidir o Legislativo em suas gestões (2011 e 2012) e atualmente, jamais cobrou do Executivo a regulamentação da lei apresentada.

O mesmo vem ocorrendo com todos os vereadores de 2006 até hoje que, mesmo presenciando o sofrimento de animais em carroças, alguns, sequer tinham o conhecimento desta legislação e, nenhum deles, se manifestou na Câmara cobrando a regulamentação da Lei dos Carroceiros.

Por sua vez, desde o segundo ano da primeira gestão do prefeito José Baka Filho (PDT), a curta gestão do prefeito Mário Manoel das Dores Roque (PMDB) e até a atual administração do prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB), nenhum deles fez a regulamentação da Lei Municipal 382/2005.

O que diz esta lei

Criada para regularizar a situação de pessoas que trabalham com veículos de tração animal (carroças), os carroceiros, mediante a concessão de licenças e avaliação veterinária dos animais, a ideia da lei era de abolir, de forma gradativa, esta atividade que explora a força dos animais e gera agravantes, como maus tratos, agressões e abandono.

Vale destacar o inciso “V” do artigo 15º da Lei Municipal que considera infração com pena de multa e sequestro do cavalo, proprietários que “maltratarem os animais, seja por agressões ou privação de alimento”, algo que até hoje pode ser visto no dia a dia, quer no centro ou em bairros do município.

Também é considerada infração, a condução da carroça por menos de 18 anos, que é o caso do condutor da carroça puxada por “Max”, pois o carroceiro era um adolescente de 17 anos.

A lei ainda traz em seu artigo 12º a proibição no uso de animais doentes, debilitados ou reprovados no exame veterinário (por sinal, gratuito segundo a lei), no trabalho de tracionamento de carroças.

Com a lei regulamentada a situação das pessoas que usam este tipo de transporte como ferramenta de trabalho e sobrevivência, não os prejudicará e preservara a saúde dos animais.

O drama e morte de “Max”

A repercussão da morte deste animal se deve a consternação de um grupo de pessoas que, mesmo diante do forte frio que marcou a noite de terça-feira, não deixaram o animal até o momento de ele ser conduzido para Secretaria de Meio Ambiente, aonde acabou falecendo.

Informado sobre esta ocorrência o JB esteve no local pouco depois das 17 h00 quando o drama do cavalo já ocorria por uma hora. A carroça que estava abarrotada de produtos de reciclagem chamou a atenção de populares sensibilizados pela aparência frágil do animal diante do peso que carregava. Para acentuar o enorme esforço do cavalo para puxar a carga, uma das rodas dianteiras da carroça estava com o pneu completamente vazio. Eles confrontaram o menor e o detiveram até a chegada da Guarda Civil Municipal e, posteriormente, um casal de fiscais da SEMMA.

O adolescente ficou assustado com a revolta das pessoas e passou chorar copiosamente até a chegada do Conselho Tutelar que o atendeu e depois o levou até sua residência.

Presente na ocorrência o JB questionou os guardas civis e os fiscais do SEMMA sobre o fato do cavalo não ser conduzido até um local para atendimento e tomou conhecimento, pelos fiscais, que a Secretaria não possui um carrinho para transportar animais. Disseram ainda, que a Secretaria sequer possui ração para alimentar os animais que resgatam. Durante todo o período de sofrimento do animal, as pessoas tentaram alimentar, deram água e faziam carinhos em “Max”.

Neste momento uma viatura da Patrulha Ambiental Guarda da Guarda Municipal Civil Ambiental chegou à ocorrência e, acreditava-se que a situação seria sanada.

Porém, o JB retornou quase três horas após, por volta das 20 horas e a situação continuava inalterada e ainda pior, pois o cavalo não mais conseguia ficar de pé. Revoltados os moradores informaram que não havia tido nenhuma solução até aquele momento. Informaram ainda que a única profissional que apareceu no local havia sido uma veterinária chamada Elen, supostamente da prefeitura, mas que não trouxera equipamentos médicos e nem medicamentos e foi embora. Diante disto, o JB fez contato com o prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB) que sequer tinha sido informado desta situação, apesar dela estar ocorrendo há mais de quatro horas. Imediatamente o prefeito assegurou que resolveriaa a situação, depois de ser informado da gravidade do estado do cavalo.

Enfim o atendimento médico veterinário

Por volta das 23hs30 o JB retornou ao local para se certificar que a solução havia ocorrido e, surpreendentemente, populares ainda permaneciam no local ajudando, desta vez, no cuidado médico de “Max”. Informada pelas redes sociais, a veterinária Klarissa Scremim estava presente, com equipamentos e medicamentos e lutava para amenizar a dor do animal. Da SEMMA, apenas o superintendente Melo, chamado pelo prefeito, estava no local aguardando o caminhão que iria transportar o animal, que estava num carrinho improvisado.

O carrinho se transformou na mesa de tratamento da veterinária que não mediu esforços para atender o animal. Antes da meia-noite, chegou o caminhão com um elevador e, através de correias, conseguiu colocar o cavalo na sua carroceria e o levou até a secretária de Meio Ambiente. Roger Albini Mariano, um dos voluntários que permaneceu durante todo o tempo ao lado do animal acompanhou Klarissa Scremim que segurava a cabeça de “Max” que, por incrível que pareça, mostrava sinais de choro a ponto de formar  lágrimas, faziam sulcos abaixo dos seus olhos. Algo que emocionou as pessoas que estavam presentes. 

No dia, ao fazer a visita ao animal na secretaria, as 7hs30, a veterinária constatou que “Max” estava em óbito com cerca de apenas seis anos de uma vida de muito esforço.

 

 

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