Prefeitura desclassifica 1ª e 2ª empresas vencedoras e Ouro Verde fará obra do CME


Por Redação JB Litoral

Promessa feita no início do mandato pelo Prefeito Marcelo Elias Roque (PODEMOS), após uma maratona do processo licitatório que durou cinco meses, entre anulação e retomada, a obra de reforma do Centro Municipal de Especialidades (CME), teve sua ordem de serviço assinada no dia 10 deste mês com a empresa vencedora da licitação, Ouro Verde, Luiz Henrique da Silva Chaves EIRELEI.

Em completo estado de abandono, exalando odor de lixo e urina e servindo, atualmente, de abrigo para moradores de rua, desde a gestão anterior o estado que se encontra o CME, é um atentado a legislações municipais, entre elas o Código de Postura, que exige o fechamento de toda a sua extensão por tapumes.

Quatro dias após ser empossado, acompanhado pelo vice-prefeito, o Secretário de Obras Públicas, Arnaldo de Sá Maranhão Junior (PSB) e dos Secretários de Saúde, Paulo Henrique de Oliveira e o de Planejamento e Gestão, Silvio Loyola, o prefeito vistoriou as condições do prédio e determinou um prazo máximo de 90 dias para começar a obra. O que não ocorreu.

Quatro meses após, é anunciada abertura do processo licitatório e 14 empresas mostraram interesse na sua execução. Entre elas, a Ouro Verde, que já faturou neste ano, mais de meio milhão, por meio do processo de Dispensa de Licitação 011/2017, para concluir cerca de 19% do restante da obra da creche do Jardim Iguaçu.

Neste período de tramitação do processo licitatório, a prefeitura, por meio da Comissão Permanente de Licitação (CPL) e da Comissão Especial de Fiscalização da Execução dos Contratos Administrativos Municipais (CEFECAM), inabilitou a Empresa APN Engenharia, mas teve que reabilitá-la, depois que a justiça anulou a decisão da CEFECAM.

Na reta final, quando restaram apenas cinco concorrentes, na abertura dos envelopes, a Empresa Camargo & Camargo Construções e Serviços Ltda apresentou a melhor proposta para execução da obra, R$ 634.308,01, seguida pela Área Sul Construção Civil Ltda EPP, que se propôs a fazer por R$ 680.255,78. Entretanto, no dia 31 de agosto, a prefeitura, por meio da CPL, desclassificou as duas empresas e deu como vencedora do certamente a Ouro Verde que fará a obra por R$ 758.815,14, um valor R$ 124.507,13 a mais que a primeira colocada.

A CPL alegou que as empresas não demonstraram, em suas propostas, o detalhamento do índice de BDI e, por unanimidade, deliberou pela desclassificação da 1ª e 2ª colocadas.

Situação semelhante à Blasczyk

Esta licitação foi semelhante à da Concorrência Pública 001/2017, que fará a manutenção predial dos próprios municípios com preço máximo que poderá chegar até R$ 9.419.938,42, mas que saiu por R$ 6.841.701,27, proposta vencedora da segunda colocada no certamente, a Empresa Blasczyk – Limpeza e Conservação.

A única diferença é que a empresa primeira colocada no processo licitatório, C.V. Soluções e Serviços, que se propôs a prestar o serviço por R$ 6.319.836,69, ou seja, R$ 521.864,58 a menos que a Blasczyk, também havia sido desclassificada pela Comissão Permanente de Licitação, sob a alegação de que sua proposta de desconto de 32,91%, era inexequível. Mesmo podendo entrar na justiça com mandado de segurança para fazer valer seu desconto ofertado, a CV desistiu do certamente e garantiu a vitória da Blasczyk.

Situação precária

O JB Litoral voltou ao prédio do CME no sábado (18) e constatou que a situação piorou desde a última vistoria feita pela reportagem em julho. O sucateamento foi alastrado e restam apenas uma pia e dois vasos sanitários intactos nos muitos banheiros do imóvel. As enormes telhas de fibrocimento estão sendo retiradas e jogadas ao chão, em razão do acesso facilitado e ausência de tapumes, como determina o Código de Postura do Munícipio. 

O odor de fezes e urina é muito forte, uma vez que os invasores fazem suas necessidades no chão de quase todos os espaços disponíveis. A sujeira nas paredes chega a ponto de contribuir para a penumbra do ambiente e vestígios de uso de bebida e droga estão em todos os lugares. Vazamento de água é constante e abundante no corredor da parte inferior e a ocupação indevida continua.

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