O medo da “segundona” assombra o Leão da Estradinha

O chamado “Torneio da Morte” reúne quatro times com as piores campanhas do Estadual para disputar apenas duas vagas. 

 

por Redação JB Litoral
20/03/2015 23:31 (Última atualização: 20/03/2015)

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Se o Campeonato Paranaense 2015 acabasse hoje o Rio Branco disputaria uma das duas vagas para se manter na primeira divisão da competição. O chamado “Torneio da Morte” reúne quatro times com as piores campanhas do Estadual para disputar apenas duas vagas. Vivendo esse cenário assombroso de “segundona”, críticos garantem que se o time cair pode ser o fim da equipe centenária.

Assim como nos últimos sete anos, a campanha do time não agrada os torcedores. Em oitos jogos, o Leão venceu duas, empatou uma e perdeu cinco, sendo quatro consecutivas. Na última rodada, o técnico Amauri Knevitz foi demitido e o gerente de futebol, Edson Santos, conhecido como Neguinho,assumiu a equipe.

Para escapar do torneio da morte, o Leão terá que vencer as duas próximas rodadas, Foz do Iguaçu (domingo, dia 22, no Gigante do Itiberê) e Operário (domingo, dia 29, em Ponta Grossa) e torcer por uma combinação de resultados, principalmente das partidas do Atlético Paranaense e o Cascavel.

Trampolim político, falta de dinheiro e má administração

O Rio Branco vem repetindo péssimas campanhas nos últimos anos. Diretores alegam problemas financeiros por falta de apoio de autoridades políticas e empresários locais. Já comissão técnica e atletas reclamam da falta de estrutura e de pagamento.

Por parte dos críticos e principalmente os torcedores, o maior patrimônio do clube, a má administração e a estratégia política de usar o clube como trampolim é o fator principal para a equipe se manter no Paranaense e viver “se arrastando” pelo campo.

Desde 2007, quando o time chegou a disputar a Copa do Brasil vencendo o Avaí-SC, por 1 x 0 (21 de fevereiro), no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, e o Villa Nova-MG, por 3 x 0 (14 de março) no Estádio Fernando Charbub Farah (Gigante do Itiberê), uma das mais belas campanhas da história do clube a nível nacional, o time caiu num profundo marasmo com a eliminação da competição devido a um erro na inscrição de um jogador.

Em 2008, o time do Litoral ficou na décima quarta colocação, teve o pior ataque com apenas 11 gols e só não caiu por que conquistou 5% a mais de aproveitamento de pontos do rebaixado Iguaçu. Em 2009, apenas o time Juniores deu resultado em campo. O “Leãozinho” chegou a disputar a semifinal da competição Sub-20, sendo desclassificado pelo carrasco de 2000, o Coritiba.

Já o profissional, venceu cinco partidas, empatou duas e foi derrotado sete vezes, terminando a competição no meio da tabela. No ano seguinte, o time estava rebaixado até aos 43 minutos da partida entre Paraná Clube x Toledo. Isso porque o Paraná vencia a partida por 2 x 1, só que no final da partida o árbitro Helber Roberto Lopes assinalou pênalti para o Toledo.

Com o empate, time do Oeste paranaense ultrapassaria a pontuaçãodo time do Litoral. Mas, quando jogadores, diretoria, imprensa e torcedores já lamentavam o rebaixamento, o goleiro do Paraná Clube, Juninho defendeu o pênalti e salvou o Leão. Em 2011, o time voltou a ser foco no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STDJ) após o Paraná Clube, rebaixado pela péssima campanha, entrar com recurso contra o time do Litoral alegando que um dos jogadores teria competido de forma irregular.

O clube teria inscrito o jogador Adriano Oliveira Santos como Adriano Oliveira dos Santos. Porém, o Leão venceu a disputa judiciária e seguiu cambaleando na competição. Em 2012, o Alvirrubro apenas se manteve no meio da tabela, terminando a competição em oitavo lugar.

Diretoria Centenária renuncia

Após o resultado, o Conselho Deliberativo do Clube marcou as eleições para junho, pensando nas festividades do Centenário do clube. A chapa “Centenário”, encabeçada pelo advogado Fabiano Elias venceu as eleições. Além dele, Claudio José da Costa (vice-presidente), Thiago Campos (1º tesoureiro), Mauro Portilho (Secretário), Onilande da Costa (2º tesoureiro), Evaldo Maia (Secretário) e Mario Marcondes Lobo Filho (Mariozinho Lobo- Gerente de Futebol) fizeram parte da composição.

 Mesmo com toda comemoração e o grande planejamento de marketing, o time em campo decepcionou mais uma vez e terminou a competição a três pontos do rebaixamento. Em 2013, Claudio Costa pediu renúncia do clube e Fabiano Elias, tempos depois, pediu licença e em seguida renunciou ao cargo. O clube então ficou sob o comando de Campos e Maia, já que o os outros membros não foram vistos no clube.

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A era Thiago Campos

 Como o clube não poderia ficar sem comando, Thiago Campos e Evaldo Maia seguiram tentando manter uma boa administração e quem sabe buscar o sonho de ser Campeão Paranaense. Em 2014, após parceria com empresário esportivo, o time começou bem o campeonato.

 O time se classificou a primeira fase em sétimo colocado, disputando a quartas-de-final com o Coritiba, perdendo os dois jogos. Mesmo com a desclassificação, o time chegou a disputar o título do interior com o Prudentópolis, porém acabou perdendo o primeiro jogo em casa por 2 x 1 e o segundo por 1 x 0.

 Em 2015, mesmo com a discussão sobre se o clube tem ou não presidente, já que um documento do ex-presidente Fabiano Elias alega que Thiago Campos não poderia assumir como presidente sem eleição, ele continua sendo o suposto presidente da equipe.

A fundação

   Fundando em 13 de outubro de 1913, pelos amigos Manuel Victor da Costa, Anival José de Lima, Euclides de Oliveira, José de Oliveira, Jarbas Nery Chichorro, Antônio Gomes de Miranda e Raul da Costa Pintos, o Rio Branco Sport Club é uma homenagem ao ilustre José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco. Fazendo parte da história do futebol no Paraná, o time levou o nome da cidade ao cenário nacional, com memoráveis partidas.

 Até o Rei do Futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, jogou contra o time do Litoral e na época sentiu a força dos bravos jogadores e o calor da torcida.
Após várias ações administrativas e políticas junto a Federação Paranaense de Futebol (FPF), o Rio Branco estreou no profissional no dia 23 de junho de 1956, contra o Esporte Clube Água Verde, vencendo o adversário por 3 x 1.

Dos 10 jogos disputados, o time venceu seis e terminou a competição em 2º, conquistando a vaga para a primeira divisão do Futebol Paranaense.Em 1977, o Leão fez grande campanha e depois de chegar a final com o Pinheiros (atual Paraná Clube) foi campeão da Zona Sul.

A queda e a volta a elite

 O primeiro deslize da equipe aconteceu nos anos 80 e o clube teve uma parada em 1985. Sob presidência de Mário Marcondes Lobo Filho, Mariozinho Filho, em 1993 o clube voltou às atividades e com um planejamento no futebol e investimento, o Rio Branco foi campeão do grupo B em 1995, na época era o equivalente a 2ª divisão, subindo para a elite novamente do Paranaense.

 Por conta desta conquista, em 2007, Mariozinho Lobo foi homenageado pelo “Jornal dos Bairros” e pelo extinto jornal “É Gol Esportes” com o Troféu Imprensa de Paranaguá, recebendo das mãos de Thiago Campos e do jornalista Gilberto Fernandes.

 Em 2000, o Leão do Litoral fez a melhor campanha até hoje no Estadual. O time disputou a semifinal com o Coritiba. A primeira partida foi realizada no Estádio Nelson Medrado Dias, Estradinha, mesmo com a tentativa do time da capital em transferir o jogo para o Estádio Couto Pereira, alegando falta de capacidade de estrutura para o público.

 Porém, a diretoria da época montou uma arquibancada de estrutura metálica, conseguindo ampliar a capacidade do estádio. O Leão acabou empatando em 2 x 2 e no jogo da volta foi goleado pelo Coxa por 4 x 1.

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