Radar Portuário

Operadores do Porto de Santos vão buscar alternativas para gargalos ferroviários

Por Cristian César de Oliveira
13/05/2021 14:38 |
Atualizado em 17:33

Operadores do Porto de Santos pretendem buscar alternativas para evitar eventuais gargalos ferroviários no cais. Há o temor de que tais problemas possam ocorrer como resultado de um possível atraso nos investimentos ferroviários na região de Outeirinhos, onde deve ser construída uma pera. O setor também aguarda a publicação do acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), determinando a prorrogação do contrato de arrendamento do terminal do Grupo Marimex nessa área do complexo marítimo.

Na última quarta-feira, o TCU decidiu prorrogar o contrato da instalação, especializada no armazenamento de contêineres, que foi encerrado em maio do ano passado. Há mais de um ano, o terminal pediu sua renovação, o que foi negado pela estatal que administra o Porto de Santos. Mas, agora, poderá operar no local até 2025, quando vence o contrato da Portofer, a concessionária ferroviária do cais santista.

A decisão do TCU atrasa os planos do Governo Federal, que pretende construir, no local do terminal e em terrenos próximos, uma pera ferroviária e novos terminais de fertilizantes. O investimento está previsto no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto.

A pera é um pátio em formato circular que possibilita o transbordo da carga sem a necessidade de desmembrar o trem. Para os usuários, a estrutura garantirá maior agilidade e segurança nas operações, já que não haverá a necessidade das manobras que travam o tráfego dos vagões e, muitas vezes, dos veículos que trafegam pela zona portuária.

O plano, inicialmente divulgado pelo Ministério da Infraestrutura, era implantar a pera entre o final do ano que vem e 2023. Agora, a pasta será obrigada a adiar o planejamento.

A estrutura ferroviária é uma das obras previstas no pacote de investimentos da nova Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips). Neste momento, a Autoridade Portuária estuda um modelo a ser adotado para a gestão dessas linhas férreas.

A hipótese mais provável é que seja criada uma sociedade de propósito específico (SPE), que será a nova concessionária ferroviária. Porém, o modelo ainda não foi definido pela APS.

Terminais

“O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) está empenhado em organizar um diálogo com a Autoridade Portuária para avaliação de alternativas”, destacou a entidade, em nota.

Para o presidente do Sopesp, Régis Gilberto Prunzel, é preciso continuar buscando alternativas para a repotencialização das malhas ferroviárias dos portos da Baixada. O executivo afirma estar ciente do julgamento no TCU e considera os investimentos ferroviários como importantes e necessários para dar continuidade ao crescimento do Porto.

Importância

O setor entende que, a partir dos investimentos na malha ferroviária paulista, as atenções se voltam à possibilidade de criação de gargalos ferroviários no Porto. Por isso, pretende garantir vazão à armazenagem e à movimentação de granéis sólidos e de carga geral no cais santista.

A malha interna atual permite a movimentação de 50 milhões de toneladas por ano (atualmente já opera 45 milhões de toneladas por ano), mas a demanda deve bater a casa das 75 milhões de toneladas anuais em breve.

Fonte: A Tribuna On-line