Não tem jeito: está em nosso DNA ir além do básico. Claro que fazemos o nosso “PF”, com arroz, feijão e ovo frito, mas com maestria (e isso não é sobre culinária). Porém, quando temos nas mãos aqueles ingredientes selecionados, de primeira linha, para prepararmos uma refeição gourmet completa, com entrada, prato principal e sobremesa, aí sim os nossos “olhos jornalísticos” brilham de verdade.
Foi o que aconteceu quando entrou no nosso radar a continuidade do tema das despesas com viagens da empresa pública responsável pela administração dos portos de Paranaguá e Antonina.
Trouxemos o assunto em julho, assim como fazemos há anos em outras esferas públicas, como no acompanhamento às câmaras municipais do Litoral. Agora, ao atualizarmos as informações, nos deparamos com um conflito preocupante de dados públicos: despesas de anos anteriores apresentando valores bem maiores do que os divulgados no início do semestre.
Vejam bem, queridos leitores: não se trata de números ainda em andamento, de 2025, e sim de anos já encerrados. Ou seja, dados que não poderiam ser alterados sem justificativa plausível.
Mesmo assim, lá estavam eles. Os milhões de reais gastos em numerosas viagens da alta cúpula da Portos do Paraná apareciam ainda mais nas alturas. Dos R$ 4,6 milhões informados como gastos no período de três anos, uma nova consulta ao sistema apontava o dobro: R$ 9,6 milhões.
Como assim, JB? Pois é. Diz o ditado que os números não mentem, mas será que não estaria na hora de uma nova versão desse ditado?
Questionamos a empresa pública sobre o que estaria causando a divergência, e a resposta impressionou: deveríamos verificar nossos navegadores e máquinas, sendo aconselhados a limpar a memória cache.
Acontece que não brincamos de fazer jornalismo — fazemos de verdade. Antes de acreditar no que nossos olhos céticos mostravam, acessamos os dados em computadores diferentes, em cidades distintas, com prestadores de serviço de internet diversos. Os dados continuavam os mesmos, senhora Portos do Paraná. Mas obrigada pela dica, embora já conhecêssemos essa modalidade de limpar a memória dos computadores e usar navegadores diferentes.
Agora, cabe aos órgãos competentes verificar essa prestação de contas. Afinal, é com o dinheiro público que, em pleno mundo globalizado — em que se pode participar remotamente de qualquer evento no planeta — as torneiras da Portos do Paraná parecem cada vez mais abertas.
Para completar, no apagar das luzes da atual gestão, as já rechonchudas diárias ficaram ainda mais gordinhas, com reajuste autorizado pelo Conselho de Administração e assinado pelo diretor-presidente.
Aguardemos os próximos capítulos.