Todo mundo sabe que um dos pontos cruciais para que os portos de Paranaguá e Antonina cresçam é fundamental que o Canal da Galheta, que dá acesso aos portos, seja aprofundado. Na prática, a concessão servirá para que esse investimento de aprofundamento do calado – que não é nada barato – seja feito pelo consórcio que arrematou o leilão, mas, em troca, a arrendatária lucre muitos milhões de reais com o “pedágio” que irá arrecadar de cada navio que passar para carregar ou descarregar no porto, principalmente de Paranaguá.
Pensando em tornar o negócio ainda mais atraente, tanto que foram 10 lances até se chegar à vencedora, tornando o leilão um dos mais concorridos dos últimos tempos, a Portos do Paraná tratou de reajustar a tarifa Inframar em 8% no começo do ano. O consórcio vencedor ofereceu um desconto atrativo dessa taxa, superior a 12%, mas, até que o contrato de concessão seja assinado, vai saber se esse desconto já não corresponde ao aumento aplicado neste ano? Vai saber se não acontece algo muito parecido com o que houve no pedágio da BR-277, em que a tão sonhada redução de 50% no valor, prometida durante o processo, acabou levando os usuários a pagarem exatamente o mesmo valor no fim das contas?
Fato é que a empresa pública continua sendo bem “boazinha”, mantendo a faxina em dia e pagando bastante “diária” para deixar o canal livre do assoreamento até que a concessionária assuma a responsabilidade pelo acesso aos portos.
Em 5 de julho deste ano, a Portos do Paraná firmou um aditivo de dois anos com o Consórcio Itiberê Dragagem para a execução dos serviços de dragagem de manutenção. O objetivo é remover o assoreamento dos canais de acesso, bacias de evolução, berços públicos e do fundeadouro seis dos portos de Paranaguá e Antonina. Com o reajuste, o Consórcio Itiberê recebeu um acréscimo de R$ 20.828.074,45.
Com isso, a administração pública seguirá responsável, até setembro de 2026, pelos serviços de dragagem de manutenção, assegurando a continuidade das operações e a profundidade necessária à navegação. A respeito de quando será a assinatura do contrato com a arrendatária, a Portos do Paraná disse que cabe a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pelo leilão.
Enquanto o processo vai sendo moroso, vamos ficando para trás. O tão aguardado calado mais profundo só será feito mediante licença ambiental, que demorou oito anos da última vez. Será que em Santa Catarina vai tardar tanto assim?
A movimentação do Porto de Itajaí (SC), entre janeiro e agosto, foi 127% maior do que a registrada em todo o ano passado, com as medidas em curso para a modernização da operação portuária na região, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Além do arrendamento definitivo, um dos principais projetos do MPor para Itajaí é a concessão do canal de acesso, prevista para início de 2026 e que seguirá o mesmo modelo adotado para o leilão do Canal da Galheta.
Largamos na frente, mas se não cuidarmos, logo perderemos a pole position.