Rever estruturas, planejamentos, reorganizar finanças. Tudo isso é normal, desde as nossas casas até os altos escalões do poder. A diferença é que, no ambiente doméstico, muitas vezes cometemos alguns deslizes ou damos passos sem ter segurança de que a alternativa escolhida é a melhor, a mais adequada. Já nas esferas públicas, há equipes inteiras e milhares de pessoas impactadas.
No caso de uma prefeitura, servidores atuam (pelo menos, deveriam) para buscar constantemente a otimização dos recursos e empregar o dinheiro público da melhor maneira possível: aquela que atenda à população e supra suas necessidades de acesso à saúde, educação, segurança, mobilidade e lazer.
Mas é temerário acompanhar o que aconteceu nos últimos dias na política parnanguara. Como uma gestão que se diz tão técnica coloca um projeto robusto para votação em cima da hora, sem dar sequer tempo para que ele seja lido e, quando o óbvio acontece, em forma de pedido de vista, a Prefeitura diz: “Opa, precisamos fazer alguns ajustes técnicos. Devolvam o projeto, por gentileza”. Como assim?
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Além de não dar tempo para que os vereadores entendessem os detalhes antes da votação, a Reforma Administrativa ainda foi encaminhada precisando de ajustes?
Muitos pontos não estão explicados nessa “reforma”. Na anterior, haviam sido cortados cargos comissionados. Agora, o prefeito vem a público dizer que essa nova “roupagem” das secretarias não teria acréscimo de cargos e promoveria uma economia superior a R$ 31 milhões por ano aos cofres públicos. Balela.
A realidade é bem diferente disso. Foi-se o tempo em que a população acreditava apenas no que era falado, sem que fosse demonstrado.
Afirmar que a folha salarial da Fasp era de R$ 2,7 milhões e que essa “economia” anual com a “reforma” seria justamente a retirada dessa “despesa” é subestimar a inteligência das pessoas.
Ora, a Fundação foi extinta, mas a Prefeitura contratou emergencialmente (após ter a licitação suspensa pelo TCE) outra empresa para fornecer mão de obra para a Saúde, ao custo de R$ 7,16 milhões. Logo, nessa conta de padaria, percebemos que não existe a possibilidade de haver mais de R$ 30 milhões de economia nas contas.
Outro dado básico é o aumento de gastos com os cargos criados pela reforma adiada: foram ao menos 25, com impacto superior a R$ 6 milhões por ano na folha salarial.
Então, quais serão, de fato, as vantagens trazidas por essa terceira reforma administrativa proposta pela Prefeitura de Paranaguá em um ano e meio?
A população merece respostas concretas e transparentes. Mudar nomenclaturas, maquiar funções e aumentar o guarda-chuva hierárquico não é mudança de verdade.
Será que os ajustes resolverão tanta coisa assim? Ou será que vão reformar a reforma?