Editorial: De quem é o filho? Mesmo com disputa de “paternidade”, a preocupação é com o resultado: precisa ser bom para a população


Por Redação

A maioria conhece a frase “nada se cria, tudo se copia”, um ditado popular contemporâneo. Fomos pesquisar e descobrimos que ela surgiu como uma adaptação bem-humorada e crítica da famosa Lei da Conservação da Massa, criada pelo químico francês Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

No Brasil, o bordão foi amplamente popularizado pelo icônico apresentador de televisão Chacrinha, que o utilizava para se referir ao universo artístico e aos programas de auditório. Outras personalidades também possuem frases famosas que brincam com essa mesma ideia de transformação e cópia, como o pintor espanhol Pablo Picasso, considerado um dos mais importantes artistas do século passado: “Bons artistas copiam, grandes artistas roubam”.

Ou, ainda, o registro no livro sagrado dos cristãos. O provérbio bíblico (Eclesiastes 1:9) diz: “O que foi é o que será, e o que foi feito se fará novamente; não há nada de novo debaixo do sol”. E Paranaguá, vanguardista que só ela, também tem a sua versão atual do “nada se cria, tudo se copia”.

Em duas semanas, a Cidade-Mãe do Paraná vivenciou os primeiros capítulos de uma novela que promete prender a atenção de seus espectadores, daquelas que arrancam gritinhos de “Mas não é possível!”, “Isso não existe!”, “Será que isso está acontecendo mesmo?!”. Pois é. Com nuances dignas de um folhetim mexicano, o vereador mais polêmico da cidade, que adotou para si, desde sempre, a alcunha de fiscalizador, apresentou um projeto de lei necessário.

O texto prevê que a manutenção dos pontos de ônibus seja concedida à iniciativa privada. Funcionaria assim: para que a empresa vencedora pudesse realizar a manutenção dos equipamentos, ela poderia faturar utilizando os espaços como instrumentos publicitários, prática comum em grandes cidades. Seria uma espécie de “tarifa zero dos pontos de ônibus”, já que não haveria custos para a Prefeitura, que economizaria os recursos atualmente destinados à manutenção dessas estruturas. E a economia aos cofres públicos deveria, em tese, beneficiar a população.

Mas, para a surpresa do fiscalizador (e de todos, já que ele integra a base aliada e teve a proposta aprovada até pela oposição), o prefeito vetou o projeto. A alegação seria a de que a competência para tratar do assunto não seria do Legislativo, mas sim do Executivo.

Fato é que, em três dias, houve veto, retirada do veto e, por fim, adivinhem? Um projeto bem parecidinho — para não dizer igual — apresentado pelo prefeito. Uma palavrinha aqui, outra acolá, só para dizer que não copiou, e o filho passou a ter outro pai. Só torcemos para que os efeitos dessa queda de braço entre aliados, desse “fogo amigo”, não respinguem na população, que merece apenas pontos de ônibus revitalizados e dignos.

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