Editorial: De tapinha nas costas a troca de farpas na imprensa, novela “Ponto Meu” chega em fase decisiva


Por Redação

A única coisa que não mudou desde março de 2022, quando começou a valer o programa Tarifa Zero, em Paranaguá, foi, de fato, a gratuidade do transporte público para a população. Todos os demais aspectos que envolvem o transporte coletivo têm sido marcados por promessas, expectativas, mas também por chacota e “amnésia política”.

Representantes dos poderes Executivo e Legislativo parecem esquecer os prazos e as melhorias prometidas à população: ônibus mais novos e confortáveis, equipados com ar-condicionado, internet e tomadas. Tudo isso aliado a rotas que contemplem todas as regiões da maior cidade do Litoral, com intervalos regulares e pontos de ônibus que ofereçam o mínimo necessário: proteção contra chuva e sol, além de um ambiente limpo e adequado aos usuários.

Em vez disso, o que ainda se vê é a aplicação, na prática, de ditados populares como “cavalo dado não se olha os dentes” e “de graça, até injeção na testa”. A Tarifa é zero, a gratuidade é mantida, mas os problemas persistem: ônibus lotados, melhorias prometidas que nunca saem do papel, além de pontos vandalizados, sujos e sem manutenção regular.

Enquanto isso, os prazos para a chegada dos tão sonhados novos ônibus seguem sendo constantemente adiados, em uma novela que já acumula réplicas e tréplicas. Sem contrato vigente para a manutenção dos pontos há mais de um ano, um vereador da base governista apresentou um projeto para que a iniciativa privada pudesse adotar as estruturas.

Sem grandes questionamentos sobre a legalidade da proposta, a medida foi bem recebida e aprovada. Duas semanas depois, a Prefeitura afirmou que o projeto não poderia avançar, sob o argumento de que cabe exclusivamente ao Executivo decidir sobre os pontos de ônibus. Ao mesmo tempo, anunciou que estaria, há mais de um ano, preparando um projeto próprio, apresentado agora como a solução definitiva e infalível para o problema.

Porém, o que a Administração Municipal esqueceu de dizer é que ela mesmo já havia aberto uma licitação (sem projeto de lei mesmo), em setembro do ano passado, para conceder a manutenção dos pontos de ônibus à iniciativa privada, mediante exploração de publicidade. Ou seja, a empresa vencedora teria que investir em abrigos novos e, para lucrar com isso, venderia os espaços publicitários das estruturas.

Mas o edital estava tão repleto de falhas que surgiram pedidos de impugnação, levando a Prefeitura a suspender o processo licitatório, sem alarde. Agora, o certame foi relançado em uma nova versão, na qual o município aposta que a publicidade em Paranaguá é valorizada a ponto de fazer a empresa vencedora investir R$ 2,5 milhões por ano nos pontos de ônibus (cerca de R$ 35 milhões ao longo de 15 anos) e, ainda assim, faturar o suficiente para tornar o negócio atrativo. É ver para crer.

Enquanto isso, a população assiste ao espetáculo protagonizado por ex-aliados, que trocam alfinetadas em todas as plataformas. Um desfecho triste para uma novela que, ao menos por ora, chegou ao fim.

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