Editorial: O repúdio ao achismo e à síndrome de “maria vai com as outras”, no Palácio Carijó


Por Redação

Editorial da edição do jornal impresso (nº 866).

Não existe um cursinho para ser vereador, mas bom senso e responsabilidade são qualidades inerentes à função de quem é eleito pelo povo para legislar. O episódio que envolveu todos os vereadores — já que nenhum se opôs e todos votaram a favor — na aprovação de um voto de repúdio contra o presidente da FIEP, tornando persona non grata na cidade o representante de uma das entidades mais relevantes do Estado, foi vergonhoso. Daquela vergonha alheia que a gente assiste e pensa: “mesmo vendo, não acredito”.
Os nobres parlamentares foram capazes de propor e aprovar o voto com base apenas no que ouviram dizer que o presidente da Federação das Indústrias teria afirmado em um evento realizado em Curitiba.

O famoso “diz que” mostrou sua força justamente onde não deveria ter qualquer espaço.

“Diz que” o presidente falou mal do nosso porto e da nossa cidade. E por isso, nós — meninos birrentos — não gostamos. É quase como se tivesse xingado a nossa mãe. Então, decidimos que esse menino chato não é bem-vindo por aqui.

E foi assim, sem assistir ao vídeo da suposta fala ofensiva, sem que o autor do voto de repúdio estivesse presente no evento e sem buscar qualquer posicionamento da entidade, que todos aprovaram a moção, com a chancela do presidente da Casa.

Obviamente, toda ação tem sua reação. A FIEP afirmou que as ofensas não existiram e os dados apresentados na apresentação foram baseados em um estudo técnico. Resultado? Voto de repúdio arquivado e desagravo público feito com vídeo publicado em redes sociais pelo presidente da Câmara.

Que essa tenha sido a lição, Paranaguá. E que o mínimo — bom senso e responsabilidade — nunca mais nos falte. Amém.

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