Editorial: Transparência, respeito e acesso à informação: Portos do Paraná precisa avançar


Por Redação

Editorial da edição do jornal impresso (nº 855).

Não é de hoje que o acesso a informações que exigem mais pesquisa e empenho, e que vão além do trabalho mais trivial da assessoria de imprensa — como divulgar ações cotidianas, números positivos e eventos — não está sendo feito pela Comunicação da Portos do Paraná. Há meses o JB Litoral vem tentando detalhar o andamento de todos os investimentos feitos pelas empresas que arremataram as áreas portuárias, as chamadas PAR. São contratos de décadas, que envolvem muitos milhões de reais, e que necessitam de um cronograma acompanhado pela Portos do Paraná. Mais além, envolve o dinheiro público também.

Nossa intenção é deixar claro para a sociedade as informações básicas, como: valor investido em cada etapa de instalação e operação na área concedida, o impacto em termos de geração de empregos, o cumprimento do cronograma previsto, e os benefícios (e recursos) para Paranaguá e, consequentemente, para toda a região. Foram inúmeros pedidos de informação formalizados por e-mail e telefone, mas as poucas respostas recebidas foram vagas e sempre fora do que foi solicitado. Houve mudança na chefia do setor de Comunicação, mas nada avançou em termos de objetividade e efetividade nas respostas.

Por fim, como último recurso, foi feita uma solicitação com base na Lei de Acesso à Informação, mas, surpreendentemente, nem assim o processo fluiu. Ou seja, quem perde é a sociedade do Litoral, que continua sem saber o que fazem e como atuam as grandes empresas que estão se instalando e operando no Porto, e o impacto dessas operações, que envolvem grandes investimentos, no progresso da população e na economia da região.

Assessoria de comunicação não se resume a divulgar o básico ou gerenciar crises, ela também serve para fazer a ponte entre a imprensa e a população, que tem direito à informação de qualidade. Tanto a assessoria da Portos do Paraná, que, como empresa pública, deveria pautar sua comunicação pelo princípio essencial da transparência, quanto as grandes empresas que operam na faixa portuária, desde o pátio de triagem até os grandes terminais, têm essa responsabilidade.

Não estamos solicitando informações sensíveis aos negócios, que possam comprometer a segurança nacional, nem que interfiram nas operações do porto. O que pedimos são dados que permitam à sociedade entender a importância dessas grandes operações e como elas impactam os municípios do Litoral.


Quem não tem o que esconder, responde aos pedidos da imprensa.

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