O sonho dos cruzeiros: aprendemos a lição e faremos o que devíamos ter feito ou largaremos os bets?


Por Editorial

Foi todo um esforço conjunto, com negociações, promessas e projetos ao longo de 2023, para que uma das maiores operadoras de cruzeiros do mundo, a MSC, apostasse em Paranaguá e incluísse o porto em sua rota na primeira temporada. Foram vários ciclos de oficinas em todas as cidades da região para estimular os comerciantes a criarem produtos e serviços atrativos aos turistas que chegariam aos milhares. Investimento no receptivo, reforço da segurança e políticos festejando, cada um querendo puxar para si o feito de ter incluído o Paraná na rota de embarque e desembarque de passageiros de cruzeiros. Na primeira temporada, nada de muito efetivo foi criado para que os turistas, de fato, ficassem encantados pela região. A começar pelo local de embarque/desembarque, improvisado na área portuária. Ainda assim, na primeira temporada (2023/2024) foram 14 paradas e com a MSC animada, anunciando mais duas temporadas para Paranaguá. Para a segunda (2024/2025), seriam mais paradas do que na primeira e com um navio maior.

Eis que, sem nenhum alarde, o número de paradas foi reduzido à metade, com o Governo orientando a imprensa a procurar a operadora para entender os motivos. Mais do que isso, a quantidade de passageiros que optaram por descer dos navios e conhecer os atrativos do nosso Litoral foi pífio, se comparado à primeira temporada.

A MSC ainda não explicou claramente o que levou a essa redução da segunda temporada e ao cancelamento da terceira, que aconteceria no final deste ano e começo de 2026. Mas, claramente, as melhorias e os investimentos para realmente fazer de Paranaguá uma opção para as operadoras de cruzeiros sequer entraram na lista dos políticos em 2024, em meio à corrida eleitoral.

Ficou feio para Paranaguá. É vergonhoso não termos feito a lição de casa e deixado passar a oportunidade de trazer mais geração de renda para toda a região. Agora, chorando em cima do leite derramado, vêm as promessas de fazer uma área exclusiva para embarque e desembarque de passageiros, que não tem sequer data para ser posto em prática. Isso será apenas mais uma promessa engavetada e farão de conta que nunca fomos incluídos em projetos de cruzeiros? Ou nossos governantes finalmente perceberão o grande e genuíno potencial turístico que temos? O Porto tem uma importância inquestionável, mas somos muito mais do que uma simples região portuária.

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