Sabe aquela sensação de impotência, como se fôssemos feitos de bobos a cada notícia sobre a BR-277, principal via de acesso do Litoral ao restante do Estado? Nesta semana, tivemos duas delas: o pedágio será reajustado e os radares instalados começarão a multar.
Sabemos que esses controladores de velocidade têm caráter “educativo” e que respeitar o limite traz mais segurança a todos. Mas, veja só: além de não resolver o problema para quem insiste em trafegar “à la Velozes e Furiosos”, quem é que arrecada altas cifras? A concessionária.
Essas cobranças começam já na próxima segunda-feira, dia 18.
A outra notícia dói ainda mais, pois, nela, a sensação de que não somos capazes de pensar vem de forma avassaladora: o valor do pedágio vai aumentar.
A tarifa, que era R$ 23,30 em agosto de 2021, passará de R$ 22,60 para R$ 24 a partir do próximo dia 28.
Ora, aquele valor estimado pelo próprio Governo ao rescindir o contrato com a Ecovia — R$ 15,36 — divulgado como referência para o novo modelo de concessão, já começou a ser cobrado acima do esperado (em fevereiro do ano passado) e agora vai subir ainda mais.
E o pior: tudo dentro da lei.
Só para lembrar o quanto a cobrança de pedágio na praça de São José dos Pinhais é uma verdadeira mina de ouro: segundo levantamento do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, a Ecovia arrecadou quase R$ 5,5 bilhões — em valores corrigidos até 1º de dezembro de 2020 — ao longo dos 24 anos em que administrou o trecho.
Desse montante, a antiga concessionária afirma ter investido R$ 600 milhões em obras de pavimentação, restauração, ampliação, sinalização horizontal e vertical, além da construção e recuperação de pontes e viadutos nas três rodovias que administrava na região: BR-277, PR-407 e PR-508.
Mas não para por aí. Se pensarmos um pouco mais — afinal, só eles acham que somos bobinhos, mas não somos — vamos perceber que, para toda medida que aumenta a arrecadação, a atual empresa que administra nossas estradas tem a resposta na ponta da língua: estamos cumprindo o contrato.
A mesma alegação, infelizmente, é usada para justificar a instalação das balanças, que terão a função de fiscalizar se as milhares de carretas que trafegam rumo ao porto toda semana estão respeitando os limites de peso.
Só que essa medida, ao contrário das demais, não é tão lucrativa para a concessionária. Ela “apenas” impacta diretamente na segurança viária, já que as gigantes que transportam toneladas se tornam verdadeiras bombas de alto potencial destrutivo quando trafegam com carga acima da capacidade.
Para aumentar a segurança e preservar vidas, não valeria antecipar o cronograma?
Nós, os bobinhos, sabemos que a resposta é óbvia: sim.