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A fila espera, a saúde, a fome, não!

Por Redação
30/06/2021 10:10 |
Atualizado em 13:27

Nesta edição, trouxemos uma matéria que retrata a realidade, e não o que diz o INSS, sobre as perícias médicas necessárias para que os cidadãos tenham o seu benefício concedido. Atualmente, a fila de espera dura mais de 40 dias. Isso se nenhum agendamento a mais for feito. São 845 pessoas em busca do auxílio, em busca de uma renda necessária, afinal, quem tem problemas de saúde e está incapacitado de trabalhar precisa, e muito, disso.

São sete cidades no litoral, era de se esperar que o movimento fosse tão grande e que as pessoas conseguissem fazer o agendamento nas suas cidades. A grata novidade é a construção de um posto avançado em Guaraqueçaba, porém não ficou claro se vai haver a contratação de mais um médico por lá, se vai realmente agilizar o atendimento ou apenas facilitar para os guaraqueçabanos, que não têm internet, possam ir até o local.

O que causa mais estranheza é ouvir do INSS que não há qualquer problema ou demora, enquanto temos relatos de pessoas que vivem isso e não concordam com a afirmação. Um mês sem o benefício, é um mês sem comida na mesa, um mês de dificuldades, um mês de incertezas, um mês de tristeza para quem, muitas vezes, só pode contar com esse auxílio para sobreviver.

Casos como o de pessoas acidentadas, igual o motoboy Lucas Gabriel Fernandes Rocha que, com 21 anos, teve sua perna direita amputada, precisou de várias cirurgias, cuidados e, no fim, teve apenas a família para contar, já que a ajuda do governo foi mínima. Quando damos voz à sociedade, esperamos que os órgãos públicos se sensibilizem e olhem para seu povo, afinal, qualquer instituição pública também é formada por cidadãos, por humanos, e o mínimo que esperamos é empatia com o próximo.

Quanto aos médicos, é necessário entender que a parte deles é feita, se são 21 perícias por dia, em média, com três doutores disponíveis, cada um atende um paciente por hora. O número não é baixo, uma hora para cada análise, para testes, olhar exames, observar consequências. Sendo assim, contratar mais médicos não seria a solução? Abrir postos avançados também? São novamente questionamentos da sociedade, que vive na espera de um agendamento, de uma revisão, de um auxílio.