Polícia Civil constata “situação grave” em casa que abrigava mais de 100 animais, em Guaratuba

por Redação JB Litoral
20/01/2020 18:20 (Última atualização: 02/03/2020)

Foto: Karini Borges

Depois de a Prefeitura de Guaratuba anunciar que serão realizadas, aos sábados, até o dia 08 de fevereiro, no Terminal Turístico Pesqueiro, feiras de adoção de cães e gatos encontrados em condições inadequadas na casa de um casal, no bairro Piçarras, moradores da cidade, por meio das redes sociais, partiram em defesa dos criadores. Centenas de comentários na publicação feita no grupo do FacebookBoca no Trombone – Imagem Denúncia Litoral Paraná”, no dia 18, acusam a prefeitura de politicagem com a ação.

Entretanto, é importante esclarecer que a medida foi tomada após a Polícia Civil constatar a situação de maus tratos com relação aos mais de 100 animais que vivem no local, totalizando 94 cães e 11 gatos. “Apesar de a condição ser involuntária, uma vez que sabemos que não é a intenção da cuidadora, mas a Polícia recebeu inúmeras denúncias dos vizinhos com relação à proliferação de vetores de doenças e forte odor de fezes e urina”, explica a Secretária de Meio Ambiente, Adriana Correa Fontes.

Segundo ela, equipes da secretaria de meio ambiente estiveram pessoalmente na residência do casal e confirmaram que a situação era insustentável, tanto no que diz respeito ao bem estar dos animais, quanto à questão de saúde pública, incluindo a dos moradores, bem como dos vizinhos. Na quarta-feira (22), acontece uma audiência sobre o caso, onde os cuidadores poderão assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Paraná (MPPR).

Apoio psicológico  

A secretária informa que a iniciativa da retirada do excesso de animais partiu da Polícia Civil, que solicitou que o Município auxilie nos cuidados com o bem estar e destinação dos animais, na orientação e acompanhamento psicológico dos cuidadores, além da verificação das condições sanitárias do local, haja vista as inúmeras denúncias realizadas pelos vizinhos. “Estamos auxiliando em tudo o que está ao nosso alcance, desde a acolhida, higienização e destinação dos animais, que estão sendo retirados de 10 em 10, para que o impacto emocional seja menor. Também estamos colaborando com o acompanhamento psicológico pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, e deixamos as equipes da vigilância sanitária à disposição para orientação das medidas necessárias para que a cuidadora possa continuar abrigando alguns animais, em quantidade compatível com a região residencial em que ela mora”, esclarece Adriana.

O Delegado Leandro Stábile informa que a Polícia Civil verificou a situação com o intuito de viabilizar o TAC junto ao MPPR. “A situação é graveestamos dando apoio para as ações da prefeitura”, diz.

Canis sem ventilação, muita sujeira e odor  

A Presidente da Associação Humanitária em Defesa Animal S.O.S Vira-lata, Joseane Trevisan, explica que o Ministério Público foi quem solicitou que a prefeitura intervisse na situação. “A denúncia recebida pelo MPPR foi de que havia muita sujeira, muitos animais em espaços físicos pequenos e muito carrapato na região. Como o local já havia sido vistoriado várias vezes pela secretaria de meio ambiente e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a prefeitura decidiu fazer uma força-tarefa envolvendo as equipes do meio ambiente, vigilância sanitária, polícia civil, proteção animal, secretaria de saúde e assistência social. Isso aconteceu no dia 07 deste mês e constatamos, realmente, muitos animais em canis precários, sem ventilação adequada, muitos entulhos, fezes, urina, sem esgoto ou escoamento, insuportável de respirar. Cerca de 40 animais vivem dentro da casa, é uma situação absurda. Classificamos como maus tratos não intencional, mas chegou a um acúmulo insustentável tanto para os animais, quanto para as pessoas”, conta.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Segundo ela, os próximos passos serão definidos após a assinatura do TAC, visto que a tutora não quer ceder os animais para adoção. “Na verdade, a gente tem um caso de acumuladora, porque quando a pessoa é, realmente, protetora dos animais, ela doa, quer ver os animais em um bom lar e felizes”, finaliza.

O que diz Chizue  

Chizue Hizuara, de 64 anos, é a cuidadora dos animais e resgata cães de rua há 20 anos. O JB Litoral procurou a senhora, que é proprietária do Pet Shop Mundo Animal Pet, para falar sobre a situação. Segundo ela, em todo tempo de resgate, somente nos últimos dois anos aconteceram denúncias. “Nestes dois anos eu tive cinco denúncias, que foi quando uma vizinha veio morar aqui. Nas quatro denúncias anteriores, todos os órgãos responsáveis vieram vistoriar, e estava tudo certo. Somente na quinta denúncia realmente estava sujo, porque fiquei cinco dias sem luz e sem água em casa, estavam cortadas. Tem um acúmulo? Tem, não vou dizer que não, mas eu doo bastante, só que não vou doar para qualquer um”, conta.

Chizue explica que concorda com as feiras de adoção, mas não da forma que estão sendo realizadas pela prefeitura. “Eles conversaram comigo e eu não me neguei, mas no dia seguinte começaram a anunciar nas redes sociais e mídia, me dizendo que eu tinha que levar 10 cachorros, e falando sobre maus tratos. Mas eu não recebi nada, o MPPR não entrou em contato comigo, como eu tenho que levar os cachorros?”, questiona. Segundo ela, a maneira com que a situação foi divulgada na mídia prejudicou seu empreendimento.

Ela afirma, ainda, que não irá assinar o TAC junto ao Ministério Público, e que já está sendo assessorada por um advogado. “Não vou assinar nada, agora eu quero que eles levem todos os cachorros, não quero mais. Eles não disseram que tem maus tratos? Então eles que levem todos os cachorros. Eu pedi ajuda para a prefeitura, para a população, eu fiz o que eu pude pelos animais”, diz.

Veja as fotos tiradas no dia 07, durante a realização da vistoria no local: 

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