A cada 10 horas, uma mulher pede medida protetiva em Paranaguá


Por Aline Cardoso

A cada 10 horas, uma mulher procura a Delegacia da Mulher de Paranaguá para pedir proteção contra o próprio agressor. Somente nos seis primeiros meses de 2026, foram 421 solicitações de medidas protetivas de urgência no município.

Os dados, obtidos pelo JB Litoral junto à Polícia Civil do Paraná (PCPR), representam um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 399 pedidos. Os números mostram que a violência doméstica continua presente na realidade de centenas de mulheres, mas também indicam que mais vítimas estão buscando romper o ciclo da violência por meio da Justiça.

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Quase 8 em cada 10 casos têm parceiro ou ex-parceiro como agressor. Foto: Prefeitura de Paranaguá

De acordo com a delegada da PCPR, Kemelly Maria da Silva Lugli, que atua na Delegacia da Mulher de Paranaguá, o crescimento das solicitações não significa, necessariamente, que houve aumento da violência, mas também reflete uma maior conscientização das vítimas sobre seus direitos e sobre a importância de denunciar.

“Quando uma mulher procura a delegacia e decide denunciar, isso representa a quebra de um ciclo. Muitas vítimas passam anos em silêncio por medo, dependência emocional ou por não saberem quais caminhos seguir”, explicou ao JB Litoral.

Mais mulheres estão procurando ajuda

O aumento dos registros também está relacionado ao maior acesso das mulheres às informações sobre seus direitos e aos canais de denúncia.

“A violência doméstica não acontece apenas no momento da agressão física. Muitas vezes ela começa com controle, ameaças, humilhações e outras formas de violência que vão destruindo a autonomia da vítima aos poucos”, disse Kemelly Lugli.

Entre os fatores que contribuíram para esse cenário, segundo a delegada, estão o boletim de ocorrência online, as denúncias anônimas e a maior divulgação da Lei Maria da Penha, que facilitaram o acesso das vítimas aos canais de denúncia.

“Hoje existe uma divulgação maior sobre os direitos das mulheres. Muitas passaram a entender que não precisam esperar uma situação chegar ao extremo para procurar ajuda”, afirmou.

Apesar do aumento dos pedidos de medidas protetivas, a violência doméstica continua apresentando números ainda maiores. A Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal, responsável pelo acompanhamento das vítimas e fiscalização das medidas, realizou 868 atendimentos entre janeiro e abril de 2026, mais que o dobro dos pedidos registrados pela Delegacia da Mulher no mesmo período.

Violência contra a mulher segue como desafio no Litoral

Durante uma agenda no Litoral, o secretário de Estado da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, afirmou em coletiva de imprensa que, embora o Litoral tenha avançado nos índices de segurança, crimes contra a mulher seguem sendo um desafio por envolverem fatores sociais e culturais.

“A segurança vem avançando e as estatísticas mostram isso, mas existem problemas culturais que são mais difíceis de combater, como a violência contra a mulher. Estamos trabalhando muito para enfrentar essa realidade” afirmou.

Quem são as vítimas

Segundo a delegada, o perfil das vítimas atendidas em Paranaguá segue a mesma tendência observada em nível nacional. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que:

Os dados também evidenciam um importante recorte racial, mostrando que as mulheres negras continuam sendo as principais vítimas da violência letal de gênero no país. Para a delegada, esse cenário reforça a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.

Como denunciar

A coordenadora da Patrulha Maria da Penha de Paranaguá, GCM Márcia Garcia, reforça que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência e buscar apoio.

“Denunciar é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência. Toda mulher tem o direito de viver em um ambiente seguro e livre de violência.”

Mulheres em situação de violência podem procurar:

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