Quase dois anos após o assassinato de Kameron Odila Gouvêa Osolinski, de 11 anos, começa nesta quarta-feira (9) o júri popular de Givanildo Rodrigues Maria, de 33 anos, acusado de estuprar, matar e ocultar o corpo da própria enteada. O crime, ocorrido em abril de 2023, em Guaraqueçaba, causou comoção em toda a comunidade local.

O julgamento acontece no Fórum Luís Silva e Albuquerque, em Antonina, e teve início por volta das 10h. A previsão é de que o júri se estenda até quinta-feira (10). Ao todo, 18 testemunhas serão ouvidas, e sete jurados compõem o conselho de sentença. O julgamento ocorre a portas fechadas, com acesso restrito apenas aos familiares da vítima e do réu.
Givanildo responde por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver.
O caso
Kameron desapareceu no dia 26 de abril de 2023, depois de sair para estudar. O corpo da menina foi encontrado no dia seguinte, em uma área de mata próxima ao Mirante de Ipanema, parcialmente encoberto por folhas. Ela estava vestindo apenas uma calcinha, sem sinais de ter tentado fugir — o que reforçou a suspeita de que ela havia sido morta em outro local e levada até ali.
Moradores relataram à polícia o comportamento estranho de Givanildo no dia do desaparecimento, como sair de carro em alta velocidade por volta das 14h30. Também eram frequentes os relatos de gritos vindos da casa da família, que permanecia trancada durante as tardes, mesmo em dias muito quentes. A menina era proibida de brincar com outras crianças e vivia sob constante vigilância do padrasto.
Confissão e reviravolta
No início, Givanildo negou qualquer envolvimento no crime. Chegou a dizer à polícia que Kameron havia ido até a casa de uma amiga fazer um trabalho escolar — versão que foi desmentida pela família da suposta colega. Mesmo assim, ele foi liberado pela Justiça com um alvará de soltura.
A reviravolta ocorreu no sábado (29), quando o próprio Givanildo chamou a polícia e confessou o crime. Em novo depoimento, afirmou que estuprou a enteada, a matou por asfixia após ela resistir ao abuso e, em seguida, ocultou o corpo em uma área de mata. Ele também admitiu que usou o próprio carro para transportar o corpo da menina até o local onde foi encontrado.
Relatos da mãe e sinais ignorados
A mãe da menina, a professora Mayrah Merilin Dorigon Gouvêa, relatou que só percebeu os sinais de comportamento estranho de Givanildo após o desaparecimento da filha. Segundo ela, nos dias que antecederam o crime, Kameron se mostrava retraída e desconfortável com os abraços excessivos e fortes do padrasto. A menina chegou a dizer que doía e pedia para ele parar.
Mayrah também revelou que Givanildo contava histórias assustadoras para a menina — como a presença de zumbis ao redor da casa — o que a levou a dormir na sala com medo. Segundo o delegado do caso, Isaías Fernandes Machado, o cenário do crime e o relato dos vizinhos indicam que a criança viveu sob um ambiente de medo, controle e violência.
A mãe da menina chegou a ser questionada sobre possíveis sinais de conivência com o agressor, o que ela negou. Disse que só passou a desconfiar do marido no momento em que oravam juntos pelo retorno da filha, e Givanildo sequer conseguia pronunciar o nome de Kameron.
Histórico criminal e comportamento manipulador
O acusado já havia cometido um homicídio aos 16 anos, o que revelou à polícia apenas após a confissão do crime contra a enteada. Em seu primeiro depoimento, afirmou estar com a “consciência limpa”, mesmo sendo autuado por homicídio e ocultação de cadáver.