O ex-vereador de Matinhos, Milton dos Santos Ribeiro, conhecido como Miltinho Ribeiro, foi preso na terça-feira (9) pela Polícia Civil de Paranaguá. Ele conduzia uma Nissan Frontier quando atropelou e matou um casal que seguia de bicicleta pela marginal da PR-407, no dia 3 de agosto deste ano. Dois dias após o ocorrido, Miltinho se apresentou como o motorista do veículo, foi ouvido e liberado.
As vítimas, Peterson da Silveira e Gisele do Valle, eram moradores da região, proprietários de uma padaria local, e seguiam para um culto quando foram atingidos.
Na tarde de quarta-feira (10), em coletiva de imprensa realizada na 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá, a delegada Maluhá Soares, explicou que ao longo das diligências realizadas durante há pouco mais de um mês, o condutor do veículo que provocou a morte do casal foi identificado.

A partir daí, a polícia começou a apurar as causas e circunstâncias do acidente.
“Verificamos que, muito provavelmente, ingeriu bebida alcoólica antes de conduzir o veículo. Verificamos também que ele estava com a CNH cassada há anos. Por meio de relatos de testemunhas e câmeras de segurança, verificamos também que o motorista dirigia em alta velocidade. O agravante do caso é que ele não permaneceu no local logo após o acidente e se apresentou à delegacia alguns dias depois”, disse a delegada.
O inquérito policial reuniu mais de dez testemunhas e resultou na prisão preventiva de Miltinho. No momento da prisão, ele estava em seu estabelecimento comercial em Pontal do Paraná. Também foram utilizadas câmeras de segurança do local onde o condutor estava antes do acidente.
“As câmeras indicaram que, provavelmente, ele estava ingerindo bebida alcoólica durante toda a tarde do dia do acidente em um estabelecimento aqui em Paranaguá. As mortes no trânsito se enquadram como homicídio culposo no trânsito, que se dá quando há alguma conduta imprudente ou negligente na direção de veículo automotor”, explicou a delegada.
Homicídio doloso
De acordo com a delegada, a polícia tomou conhecimento do acidente e já iniciou as diligências dos fatos para elucidar o mais rápido possível e destacou que acidentes de trânsito são complexos de resolver, pois, muitas vezes, se trata de uma fatalidade. Mas, nesse caso, pelo contexto apresentado, o condutor não agiu com mera imprudência. Portanto, se considera que ele assumiu o risco de morte do casal e, por isso, deve responder por homicídio doloso, quando se há a intenção de matar.
“Ele cita que se assustou porque uma moto invadiu a pista e isso acabou provocando o acidente. Nós não identificamos nenhuma moto envolvida nesse acidente. Foi apenas o veículo dele e a bicicleta. Os policiais militares que estavam lá não identificaram nenhuma moto envolvida. Pode ser que daqui para frente nós consigamos identificar quem é esse motorista”, afirmou a delegada.
Ainda há laudos periciais e testemunhas para serem ouvidas para a conclusão do inquérito policial. Enquanto isso, cabe ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, segundo a delegada, definir se Miltinho responderá em liberdade ou permanecer preso a partir de agora.