Após moção de repúdio, Presidente da Câmara de Paranaguá pede desculpas ao Presidente da FIEP


Por Flávia Barros

Na primeira sessão ordinária da semana passada, realizada na segunda-feira (7), na Câmara Municipal de Paranaguá, os vereadores aprovaram um voto de repúdio ao presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Edson José de Vasconcelos, proposto pelo vereador Luiz de Sá Maranhão Neto (PL), o Luizinho Maranhão. Na justificativa para declarar Vasconcelos persona non grata na cidade, o parlamentar alegou que o presidente da FIEP havia feito declarações negativas e infundadas sobre o Porto de Paranaguá e também ao Município.

Presidente da Fiep – Edson Vasconcelos – Foto – divulgacao Fiep
Foto – divulgação/Fiep

O evento a que o vereador se referiu foi 1º Encontro Regional do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. O evento aberto à participação popular faz parte da etapa de construção das matrizes origem-destino de cargas do PNL. Nessa fase, são utilizados dados que mostram os principais municípios de origem e de destino das cargas transportadas no Brasil, para simular o tráfego e projetar a necessidade de melhorias na infraestrutura do país.

Ao todo, serão cinco encontros regionais neste mês de abril, um em cada região do Brasil, com o objetivo de aprimorar as projeções de crescimento da produção e melhor compreender a dinâmica do setor produtivo brasileiro. O primeiro foi esse realizado na FIEP, em Curitiba, no último dia 2.

DEFESA DO ATO DE REPÚDIO

Ao defender o voto de repúdio contra o presidente da entidade que representa mais de 76 mil empresas industriais no Paraná, englobando 37 segmentos industriais, Luizinho Maranhão citou trechos que Vasconcelos teria dito durante o evento.

Pasmem os senhores para o que disse a FIEP, pelo seu representante: ‘Graças a Deus que existe Santa Catarina’. Ainda diante desse absurdo, fez uma série de ilações às quais quero relatar para os senhores. Por exemplo, de Paranaguá não exporta mais proteína de frango por falta de capacidade. É mentira“, disse o parlamentar trazendo números que demonstram o protagonismo de Paranaguá no setor.

Comentou também que os três leilões que a Portos do Paraná está fazendo estão sendo refeitos e que não ficarão prontos. Desprovido de conhecimento, falou também que o Moegão não vai funcionar. Também teceu críticas ao TCP, dizendo que não tem capacidade, e criticou o calado do Porto de Paranaguá“, afirmou o vereador, que finalizou o discurso com uma crítica dura ao presidente da Federação.

Se eu fosse sócio da FIEP, teria vergonha de ser representado pelo senhor Edson José de Vasconcelos como anfitrião desse evento, no nosso Estado do Paraná, criticando o nosso porto.”

Ao final da defesa do voto, os parlamentares aprovaram o requerimento, por unanimidade. O presidente da Câmara, Adalberto Araújo (Republicanos) foi um dos que comentou o voto de repúdio.

Na condição de representante deste Legislativo, quero dizer vereador Luizinho, que eu lamento profundamente a infelicidade das palavras do pronunciamento de um representante de tão alta instituição como é a FIEP, me associo nas palavras e na indignação de Vossa Excelência“, disse Araújo, na ocasião.

ESTUDO APONTA DEFICIÊNCIAS LOGÍSTICAS

No evento sediado pela FIEP no começo do mês, foi apresentado um estudo técnico que analisou os gargalos logísticos enfrentados pelo Estado e levantou preocupações sobre a infraestrutura rodoviária, ferroviária e portuária do Paraná. Segundo o documento, o atual modelo de gestão portuária compromete a eficiência do escoamento da produção industrial e agrícola, o que pode afetar a competitividade paranaense no cenário nacional e internacional.

Entre os principais pontos destacados pela FIEP estão:

●          Dificuldades de acesso ao Porto de Paranaguá por via rodoviária, especialmente para veículos pesados;

●          Baixa capacidade de integração ferroviária com outras regiões do Estado;

●          Necessidade de modernização dos processos logísticos e operacionais do porto.

O relatório defende que a atual estrutura não é suficiente para absorver o crescimento da produção agrícola, principalmente de grãos, e das exportações industriais nos próximos anos.

FIEP DEFENDE DEBATE TÉCNICO

Em nota, a FIEP lamentou a reação de autoridades de Paranaguá e afirmou que o estudo não teve como objetivo atacar instituições ou pessoas, mas sim fomentar o debate público sobre infraestrutura.

As críticas são baseadas em dados técnicos e visam contribuir com soluções. A competitividade do Paraná depende de uma logística integrada, moderna e eficiente”, defendeu o texto divulgado pela entidade.

A federação também reiterou que continuará atuando em defesa dos interesses da indústria paranaense e buscando o diálogo com todas as esferas de governo e setores produtivos.

CÂMARA RECUOU E PEDIU DESCULPAS

Porém, cinco dias após declararem Eduardo Vasconcelos persona non grata em Paranaguá, na manhã do último sábado (12), o presidente da Casa de Leis divulgou um vídeo com um pedido de desculpas ao presidente da FIEP.

A informação que veio para Casa é de que o presidente da FIEP teria falado mal do Porto e da própria cidade de Paranaguá. Então, isso motivou a propositura de um requerimento e de uma manifestação de um colega nosso e obviamente, quando falam da nossa cidade, quando é criticado o Porto que tem sucessivos recordes de movimentação, nós realmente tomamos as dores”, disse Adalberto Araújo.

No entanto, o parlamentar admite que tudo foi feito sem que os vereadores tivessem, de fato, acompanhado as declarações feitas por Eduardo Vasconcelos, durante o evento.

Só que analisando, verificando o trecho da fala do presidente da FIEP, que inclusive é pouco mais de um minuto, eu não constatei nenhuma dessa ofensa. Creio que o colega vereador que propôs [o voto de repúdio] também induzido em erro, tal como os demais colegas que acabaram votando a favor”, revelou Araújo.

Então, na condição de presidente da casa de leis aqui em Paranaguá, estou fazendo uma nota de desagravo público pedindo desculpas ao presidente da FIEP, exaltando sim o Porto, as nossas virtudes, a potência que é o nosso Porto de Paranaguá, mas também reconhecendo o erro, o equívoco a que fomos induzidos. Receba do Adalberto as nossas desculpas”, finalizou.

O QUE DISSE O PRESIDENTE DA FIEP

No trecho mencionado pelo presidente da Câmara, Eduardo Vasconcelos, fala sobre os problemas de infraestrutura de toda a região Sul e que os Estados precisam, além de expor os problemas, fazer planejamentos a médio e longo prazo para solucioná-los.

Nós entendemos que há um gargalo muito pesado quando falamos de infraestrutura. Santa Catarina já vive um colapso modal, a mobilidade do litoral já está toda comprometida, a faixa de industrialização da indústria catarinense é um pouco diferente da paranaense, nós temos uma amplitude um pouco maior. Também características de passagem das cargas que vêm do Mato Grosso, do Paraguai, do Mato Grosso do Sul, de outras regiões. Rio Grande do Sul também tem as suas dificuldades, mas em síntese, todos nós concordamos que a infraestrutura é um fator crítico de sucesso”, explanou Vasconcelos.

Nós temos que ter a capacidade de planejar a médio e longo prazo. É um tema doído, porque expor o problema não quer dizer que nós temos que propagar o problema. Mas se não o expusermos, não conseguiremos trata-lo”, completou.

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