O vereador de Paranaguá Marcelo Correia da Costa, o Péke Bocudo (Republicanos), chamou a atenção, nos últimos dias, em suas redes sociais para um problema na Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto: a manutenção das faixas de pedestres. No dia 29 de maio, a via foi cenário de uma tragédia. A professora Iverli Rocha, de 56 anos, foi atropelada por um veículo ao atravessar a avenida, localizada na região do bairro Parque Agari.

Ela não resistiu aos ferimentos, e sua morte foi confirmada no dia seguinte, 30 de maio, no Hospital Regional do Litoral (HRL).
“Na semana passada, teve um acidente com uma professora que acabou perdendo a vida. Se vocês repararem, aqui há uma faixa de pedestre apagada em toda a extensão da avenida. Eu não vou julgar ninguém, mas, com a imprudência de alguns motoristas e a falta de sinalização, têm acontecido vários acidentes”, disse o parlamentar em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram.
Local foi alvo de alerta há sete meses
Ainda segundo Péke, ele já havia protocolado uma indicação na Câmara para que a sinalização fosse reforçada. No documento de 27 de outubro de 2025, o vereador solicitou ao Departamento de Trânsito a repintura das faixas de pedestres na Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, com a justificativa de que as sinalizações horizontais estavam desgastadas e precisavam de manutenção para garantir a visibilidade e a segurança dos pedestres, o mais breve possível.
“A gente pegou imagens de vários pontos. É uma das principais vias que atravessa toda a cidade, e sem sinalização, é uma vergonha. Volto a repetir aqui: um ano e seis meses de gestão e não conseguiu nem pintar a faixa de pedestre. Quantas vidas a mais vão embora, vão deixar seus familiares com essa dor por causa do desleixo do poder público?”, questionou o vereador.
Péke também observou que os pedestres optam por passar pela lombada quando as faixas estão mal sinalizadas, em busca de alguma segurança na travessia. “Nesse caso, que a senhora passou, teve a infelicidade de ser atropelada. Isso aqui tem que ter uma solução urgente. Não dá para esperar mais”, ressaltou.
Diante da repercussão, o vereador pretende fazer um requerimento pedindo uma explicação ao Executivo Municipal sobre o motivo de as pinturas ainda não terem iniciado.
Sem previsão
O secretário de Segurança Pública de Paranaguá, Francisco Leudomar Nóbrega dos Santos, explicou ao JB Litoral que uma licitação será publicada para que possa ser feito o serviço de manutenção da sinalização vertical e horizontal em toda a cidade. No entanto, não há previsão para a publicação da licitação e nem para a contratação do trabalho.
“A nossa cidade está sem pintura desde 2019. Acredito que logo finalizaremos esse processo para começar o serviço. Toda essa parte burocrática já está sendo feita. Está previsto, mas não tem data ainda”, disse.
Algumas vias devem receber as intervenções primeiro, como as Avenidas Bento Munhoz da Rocha, Belmiro Sebastião Marques e Roque Vernalha. “Todas elas exigem muito cuidado, assim como na Ilha dos Valadares”, ressaltou Nóbrega.
Ex-secretário rebate
O ex-secretário municipal de Segurança, João Carlos Silva, disse que a cidade toda recebeu pintura por meio de uma licitação e da contratação da empresa Sinasc – Sinalização e Construção de Rodovias Ltda. De acordo com ele, após o término do contrato, em 2024, a própria Secretaria fazia a manutenção para evitar o desgaste.
“A empresa Sinasc fez toda a revitalização da cidade, com pintura à base de solvente. Foi excelente na época, mas tem um prazo de validade e deveria ser refeita agora. Para faixas de pedestres, nós tínhamos um setor na Secretaria que fazia a manutenção com pintura à base de água para reforçar. Nós tínhamos a máquina para fazer esse serviço”, afirmou João Carlos.
Última contratação
O JB Litoral consultou o Portal da Transparência para apurar mais detalhes sobre o contrato com a empresa Sinasc. O objeto da contratação foi a prestação de serviços de engenharia de tráfego, compreendendo a melhoria e a manutenção, com fornecimento e implantação de dispositivos destinados a aprimorar as condições de segurança do sistema viário, conforme descrito no contrato.
O valor inicial do Termo de Contrato Administrativo nº 110/2020, assinado em maio de 2019, foi de R$ 588.400,00, com vigência de 12 meses. Outro documento, firmado em setembro de 2020, formaliza o Termo de Contrato Administrativo nº 194/2020, com valor de R$ 975.500,00 e vigência de 12 meses. No Portal, não há dados sobre aditivos contratuais.
Com base no levantamento sobre as ordens de pagamento à empresa, foi verificado que, somente em 2020, ela recebeu R$ 2.429.278,83 e, no ano seguinte (2021), o total de pagamentos foi de R$ 236.651,54, totalizando R$ 2.665.930,37.