Câmara extingue FASP por 15 votos a 4; servidores temem impactos na saúde e no emprego


Por FASP

A Câmara de Paranaguá aprovou nesta terça-feira (2), por 15 votos a 4, o Projeto de Lei Complementar nº 435/2026, que extingue a Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (FASP). A proposta foi encaminhada pelo prefeito Adriano Ramos (Republicanos) e prevê a transferência da gestão dos serviços atualmente executados pela fundação para um novo modelo de contratação conduzido pela Prefeitura.

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Servidores acompanharam a sessão e criticaram a atuação dos vereadores governista. Foto: JB Litoral

Antes da votação final, os vereadores rejeitaram um pedido de vistas que buscava adiar a análise da matéria. A solicitação recebeu apenas quatro votos favoráveis e foi derrubada por 14 parlamentares.

A sessão foi acompanhada por trabalhadores da fundação, integrantes do Conselho Municipal de Saúde e representantes da área da saúde, que manifestaram preocupação com o futuro dos funcionários e com os impactos da mudança na rede pública.

Uma das críticas mais contundentes partiu do presidente do Conselho Municipal de Saúde, José Dougiva da Silva Costa. Segundo ele, a proposta não foi discutida previamente com o colegiado.

O Conselho sempre foi e será contra isso”, afirmou. Ele também questionou a legalidade da tramitação e do chamamento público aberto pela Prefeitura para contratação de serviços na área da saúde. “Para nós é ilegal e acredito que a Justiça também vai ser acionada”, declarou.

O farmacêutico Nilsson Nishida, que atua junto à presidência do conselho, afirmou que nem os conselheiros nem os trabalhadores da fundação receberam informações prévias sobre a proposta. Segundo ele, o chamamento público também não teria sido submetido à análise do órgão.

Isso não pode ser escondido da população. O Conselho defende transparência e participação dos usuários do SUS nas decisões”, disse.

Entre os trabalhadores, o clima foi de apreensão. A enfermeira Mariana Guimarães, que afirmou ter sido a primeira concursada da fundação, classificou a situação como “deplorável” e criticou a falta de comunicação da administração municipal.

Mobilização foi grande por parte dos servidores da Saúde municipal. Foto: JB Litoral

Nós articulamos toda a nossa vida profissional e familiar em torno desse trabalho. Agora recebemos a notícia da extinção da fundação sem qualquer definição sobre o futuro dos profissionais”, afirmou.

Vereadores questionam pressa da Prefeitura

Durante a discussão na Câmara, o vereador Marcelo Péke Bocudo (Republicanos) também demonstrou preocupação com os funcionários atingidos pela medida.

Estamos falando de pessoas que podem ficar sem emprego do dia para a noite. A maior dúvida é o que será feito com os cerca de 190 concursados da fundação”, disse.

A vereadora Tenile Xavier (PSD) defendeu o adiamento da votação para que a proposta fosse analisada com mais profundidade. Segundo ela, os documentos encaminhados pelo Executivo não apresentavam informações suficientes para justificar a extinção da FASP.

O estudo apresentado não traz detalhamento suficiente para entendermos essa decisão. Precisávamos ouvir o conselho, os servidores e todos os envolvidos antes de uma medida tão importante”, argumentou.

Governistas são vaiados

Pela base governista, o líder do governo na Câmara, o vereador Wellington Frandji (Podemos), afirmou que a fundação não alcançou metas relacionadas à economicidade, equilíbrio fiscal e geração de receitas previstas no contrato de gestão firmado com o município.

Segundo ele, a administração municipal tem competência legal para reorganizar a estrutura da saúde e garantir a continuidade dos serviços. “No âmbito dos trabalhadores, firma-se o compromisso da viabilidade da reinserção desses profissionais no novo modelo de contratação”, declarou, sob vaias.

O vereador Eduardo Francisco (Podemos) também saiu em defesa da proposta. Segundo ele, o novo sistema permitirá ampliar a oferta de atendimento à população.

Ele afirmou que a FASP atualmente opera com cerca de 6,1 mil horas de atendimento, enquanto o novo modelo prevê aproximadamente 17 mil horas. “Teremos mais qualidade no atendimento médico e de enfermagem para a população de Paranaguá”. A fala também foi duramente criticada pelos presentes.

Projeto é aprovado por ampla maioria

Com a aprovação do projeto por 15 a 4, a Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá, criada em 2019 e vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, entra em processo de extinção. A Prefeitura sustenta que vai haver continuidade dos serviços e absorção das atividades pela administração municipal.

Já os trabalhadores e representantes do Conselho Municipal de Saúde que estiveram presentes na sessão plenária garantem que vão buscar esclarecimentos sobre os impactos da medida e afirmam que devem entrar com questionamentos na esfera judicial.

Veja como votou cada vereador

O placar final foi 15 votos a 4 para a extinção da FASP. Foto: YouTube/ Câmara de Paranaguá

Votaram favoravelmente à extinção da FASP 15 vereadores. São eles

Votaram contra a extinção da FASP (4)

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