Ela se reinventou e teve que se adaptar e recomeçar algumas vezes, ao longo dos seus 58 anos de vida. Assim como tantas mulheres, Rozane Maristela Benedetti Osaki (PSD) acumula diversas responsabilidades. Ela, que derrotou uma outra mulher nas urnas nas últimas eleições, é casada, mãe, avó, agricultora e, antes de ser eleita prefeita, já fazia parte da vida pública de Antonina, onde exerceu mandato como vereadora (2017-2020) e vice-prefeita (2021-2024).

Nascida no Município de Renascença, cidade essencialmente agrícola do sudoeste paranaense, com menos de 7 mil habitantes, Rozane conversou com o JB Litoral e relatou como foi sua transição do campo para a cidade e como atende à população dos dois contextos.
“Fui morar em Guarulhos (SP) quando tinha 13 anos de idade. Meu pai quis se mudar e levou a gente. Muito jovem comecei a trabalhar, aos 19 anos montei a minha primeira madeireira, sempre fui uma administradora, uma empreendedora. E lá trabalhei por muitos anos, estudei, concluí o meu curso de Direito, sou bacharel. Além disso, também fiz Administração de Empresas e casei. Meu marido tem descendência japonesa e nasceu aqui próximo de Antonina, mas a família morava em Antonina”, contou.
Em uma das visitas do marido aos parentes em Antonina, ele decidiu que o futuro da família seria no Litoral. Comprou uma propriedade rural, construiu a casa da família e todos passaram a morar em Antonina.
“Começava ali a nossa vida política, pois ele foi convidado para ser secretário de Agricultura do governo Kleber [Fonseca]. Ele foi secretário, em seguida foi vereador por duas gestões, e depois não quis mais continuar na vida política, e eu já estava ali entrosada com a população. Fui lá, me candidatei e, entre todos os eleitos, fui a vereadora mais votada de Antonina”, contou Rozane Osaki.
Era a eleição municipal de 2016, e Rozane entrou para a História do Município com seus 495 votos, tornando-se a primeira mulher a superar os homens e conquistar a maior votação entre os vereadores eleitos.
“E aí eu gostei. Fui a vereadora que mais trouxe recursos para o Município e, quando foi acabando o meu mandato, fui convidada para ser vice-prefeita. Mesmo sem ter a intenção de seguir na vida política, acabei aceitando e fui eleita vice-prefeita na gestão passada. De novo, quando estava terminando, decidi enfrentar as eleições como prefeita e deu certo. Estou aqui para trabalhar pelo nosso povo, por todos os 19 mil habitantes”, completou a prefeita.
CAMPO E CIDADE
Rozane é fundadora da ASPRAN – Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Antonina e foi justamente do meio rural que vieram muitos dos seus votos, em todas as eleições que participou. Sobre o fato de administrar e conciliar tantas atribuições, ela explica como consegue.
“Eu acho que mulher tem mais condições de administrar mais coisas do que o homem. Ela é mais ágil, consegue administrar casa. Eu sou mãe, tenho um filho só, mas tenho dois netinhos, meu marido que não mora aqui na cidade, mora lá na zona rural, e dá para administrar tudo perfeitamente. Aqui na cidade, na Prefeitura, o trabalho é diferente. A responsabilidade é outra, as obrigações são maiores, mas nada que a gente não possa vencer”, defendeu.
Sobre as mulheres na política, a prefeita deixa um conselho: “Faltam mulheres na nossa política. Falta mais engajamento, mais envolvimento. A gente precisa dizer para as mulheres que elas são capazes, tão capazes quanto os homens. Que precisamos parar com o mito de que é coisa de homem. Não, ser prefeita é maravilhoso! Eu estou muito feliz”, completou.