Polícia Civil investiga suspeita de “rachadinha” envolvendo vereadora em Matinhos


Por Gabriela Perecin

Denúncias anônimas levaram a Polícia Civil do Paraná (PCPR) a investigar um suposto caso de “rachadinha” na Câmara Municipal de Matinhos. A investigação ocorre por possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento de diárias e repasses de valores de assessores parlamentares para a vereadora Hirman da Saúde (PODE).

Vereadora Hirman da Saúde respondeu durante a mesma sessão que não vai deixar de fiscalizar os serviços prestados à população
PCPR cumpriu dois mandados de busca e apreensão, no gabinete e na residência da parlamentar. Foto: Divulgação

O delegado de Polícia Civil do Paraná, Thiago Fachel, disse que a operação “Diária Oculta” cumpriu dois mandados de busca e apreensão, no gabinete e na residência da parlamentar.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo principal da ação foi apreender equipamentos e materiais que possam contribuir para o avanço das investigações. “Realizamos algumas diligências preliminares, ouvimos pessoas e reunimos documentações. Hoje deflagramos a operação para apreender equipamentos que possam corroborar com a investigação”, explicou o delegado.

A investigação aponta possíveis irregularidades relacionadas, principalmente, ao uso de diárias para participação em cursos. Também há indícios de que parte de vencimentos de servidores teria sido repassada a outras pessoas, o que pode configurar a prática de “rachadinha”.

Investigação

Até o momento, cinco pessoas já foram ouvidas durante a investigação. Segundo a PCPR, a vereadora investigada ainda não prestou depoimento. Os mandados foram cumpridos com acompanhamento da Polícia Científica, responsável pela apreensão e futura perícia dos equipamentos recolhidos.

O delegado de Polícia Civil do Paraná, Thiago Fachel, detalhou a investigação. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Durante a ação na residência da vereadora, a polícia afirmou que foram assegurados todos os direitos da investigada e que houve colaboração por parte da família. O marido da parlamentar, que é advogado, também acompanhou o cumprimento do mandado.

O Ministério Público também participou da operação e analisará os elementos reunidos pela investigação para decidir se haverá oferecimento de denúncia criminal ou eventual ação por improbidade administrativa.

A Polícia Civil reforçou que a investigação segue em andamento e destacou que novas informações ou denúncias podem ser encaminhadas diretamente às autoridades.

Ameaças

A investigação também apura relatos de ameaças contra pessoas que teriam denunciado o caso. No entanto, detalhes sobre o conteúdo dessas ameaças não foram divulgados pela PCPR para não comprometer o andamento do inquérito.

Coletiva de imprensa foi realizada na manhã de terça-feira (10). Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

“Não posso entrar em detalhes sobre o teor das ameaças ou detalhes mais específicos com relação a documentação ou repasse, porque isso pode atrapalhar eventualmente a investigação. O nosso objetivo principal sempre é tentar descortinar o fato supostamente criminoso. Mas há sim a notícia de ameaça de morte”, afirmou o delegado Thiago.

Presidente da Câmara se manifesta

O presidente da Câmara de Matinhos, Jair de Borba Rosa (PL), o Jair Pescador, afirmou que colaborou com o trabalho da Polícia, após ser contatado às 6h de terça-feira (10), com o comunicado sobre o mandado de segurança. Segundo ele, a presidência, até então, não tinha conhecimento das investigações.

O presidente da Câmara Municipal de Matinhos, Jair Pescador, contou como soube da investigação. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

“Eles foram direto ao gabinete da vereadora Hirman, recolheram alguns documentos e está na mão deles. Hoje a lei diz que cada vereador tem o direito de três assessores. A troca que teve agora, há poucos, dias foi de uma assessora só, e antes teve mais uma troca”, disse Jair.

De acordo com o presidente da Câmara de Matinhos, a polícia esteve somente no gabinete da vereadora. “A informação que eu tenho é que recolheram os documentos e estão investigando, está em sigilo. O único gabinete que foi aberto para eles entrarem e recolheram os documentos foi da vereadora Hirman, dos restantes não estou sabendo”, declarou Jair.

*O JB Litoral procurou a assessoria da vereadora Hirman da Saúde, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

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