Presidente da Associação dos Ministros Evangélicos de Paranaguá assume Secretaria Municipal de Ação Social


Por Redação JB Litoral

Dando sequência às mudanças do primeiro escalão do secretariado municipal, depois de concluída 50% de gestão, o Prefeito Marcelo Elias Roque (Podemos) nomeou, nesta segunda-feira, 07, o novo titular da Secretaria Municipal de Assistência Social, o Bispo Darci Borba, atual presidente da Associação dos Ministros Evangélicos de Paranaguá (AMEP). O cargo estava vago desde o dia 10 de outubro do ano passado, quando Levi de Andrade foi exonerado.

Nas eleições de 2016, o novo gestor da Ação Social ficou como primeiro suplente de vereador, pela Coligação Paranaguá Pede Mudanças, ao somar 964 votos (PSC). De acordo com o pastor, ele pretende dar prosseguimento à política social, de forma democrática e transparente.

O trabalho em favor da população será a nossa maior causa”, resume Darci Borba. “O ser humano é prioridade e tudo é possível quando nos dedicamos a resolver os problemas”, destaca o novo secretário.

Quem estava à frente da pasta, interinamente, era a servidora Gisele Cristina da Silva, sobrinha do Pastor Ozias Rodrigues dos Santos, da Igreja Assembleia de Deus. Ela faz parte da Igreja do Evangelho Quadrangular, localizada na Raia, onde o novo secretário é o pastor superintendente.

Segundo a prefeitura, o Secretário de Ação Social é natural de Morretes, casado e pai de dois filhos e, na juventude, se tornou um grande líder da Igreja do Evangelho Quadrangular em todo o Litoral. Em Paranaguá, desde 2009, assumiu a 1ª Igreja do Evangelho Quadrangular na Raia, e, em 2018, se tornou presidente da AMEP.

AMEP tem afinidade com a prefeitura

A entidade evangélica sempre teve uma aproximação com as gestões municipais, desde a época do Prefeito José Baka Filho (PDT) até os dias atuais. O único confronto ocorreu em julho de 2017, quando o então Presidente da Associação, Pastor Irineu José da Cruz Alves, da Igreja Chama do Avivamento, usou o plenário da Câmara Municipal para dizer que era contra a organização da 12ª Marcha Para Cristo pela prefeitura municipal naquele ano.

Ele ressaltou que a contratação do cantor gospel André Valadão, para o dia da Marcha, não teve aprovação da Diretoria para estar vinculado ao evento. Disse, ainda, que a Associação dos Ministros Evangélicos não participaria do show e não dividiria espaço com ele no dia da Marcha para Jesus.

Segundo o referido pastor, a decisão ocorreu devido à falta de transparência dos contratantes e de alguns fiscais da Câmara Municipal, por se negarem a informar à população o tipo de parceria adotada entre o Poder Executivo e a iniciativa privada.

Polêmica na Câmara

Após criticar duramente a interferência da prefeitura no evento, a ponto de dizer que “as decisões, por parte do Executivo em relação à Marcha para Jesus de 2017, foram tomadas à revelia da AMEP”, na semana seguinte, o pastor posou para foto com o Prefeito Marcelo Roque e o Vice-prefeito Arnaldo de Sá Maranhão Junior (Podemos), ao lado do Secretário da Associação, Apóstolo Emerson Casburgo e do Pastor Carlão, da Ceia.

Dois dias após o registro, o Vereador Jozias de Oliveira Ramos (PDT) apresentou na sessão plenária um requerimento pedindo informação sobre o repasse de recursos à AMEP, para a realização do tradicional evento. No requerimento, o vereador queria saber se foram repassadas verbas no período de 2013 a 2016 e, se isto aconteceu, qual o montante. Entretanto, em uma manobra legislativa, a requisição não entrou na ordem do dia e só foi discutida e votada no retorno do recesso de julho, no dia 1º de agosto de 2017.

Ex-presidente faturou quase um milhão

Na época, o JB Litoral fez um levantamento no Portal da Transparência da prefeitura, usando o CNPJ da entidade evangélica, e não encontrou nenhum valor entre os pagamentos realizados ao longo do período que constava no pedido de informação de Jozias.

Porém, ao pesquisar pelos ex-presidentes da entidade, apareceram recursos em nome do Pastor Carlos Roberto dos Santos, da Comunidade Ceia, o qual presidiu a Associação no final da gestão do Prefeito José Baka Filho (PDT), em 2012.

O estudo mostrou que o Pastor Carlão, como é mais conhecido, recebeu um total R$ 130.901,90 no ano de 2012 e, durante os quatro anos seguintes, na gestão do Prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB), ele obteve um valor de R$ 798.774,72, por meio de sua empresa, a Tipografia Santos. No total, Carlão recebeu R$ 929.676,62, de 2012 a 2016.

Neste caso divulgado pela reportagem, ele esclareceu que se tratou de serviços de impressos e tipografia, por meio de sua empresa, os quais forneceu às gestões anteriores, pelos pregões e licitações, como qualquer prestador de serviço. Afirmou ainda que, naquele ano (2017), não havia prestado serviços à gestão de Marcelo Roque, mas não via nenhum problema em fazê-lo.

Darci Borba com o prefeito Marcelo Roque.
Pastor Irineu amenizando polêmica com Marcelo Roque em 2017
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