Com campanhas de orçamentos mais modestos, os prefeitos eleitos em Antonina, Morretes e Guaraqueçaba priorizaram gastos com marketing e advocacia. No entanto, algumas prestações de contas levantam dúvidas: Guaraqueçaba terminou a campanha no vermelho e sem detalhar a origem do dinheiro arrecadado, enquanto Antonina concentrou grande parte da verba em publicidade e serviços jurídicos.

Antonina
Eleita prefeita de Antonina nas eleições de 2024, Rozane Osaki (PSD) apresentou uma campanha com recursos moderados. De acordo com os dados da prestação de contas registrados no sistema da Justiça Eleitoral, a candidatura arrecadou R$ 331.638,00 e declarou R$ 329.368,12 em despesas, encerrando a campanha com saldo quase zerado.
Grande parte da verba da campanha veio de diretórios partidários, que juntos somaram R$ 267.120. O PSD nacional enviou R$ 135 mil, o diretório nacional do PL contribuiu com R$ 75 mil, o União Brasil nacional com R$ 39.120, e o Progressistas do Paraná doou R$ 18 mil.
Além disso, 16 pessoas físicas doaram juntas R$ 82.518, compondo cerca de 25% do total arrecadado.
O destaque da prestação de contas de Rozane Osaki é o gasto expressivo com o corpo jurídico da campanha, já que a Zornig, Andrade & Advogados Associados, recebeu R$ 163 mil.
A publicidade também ocupou grande pare do orçamento, já que a área concentrou mais de R$ 100 mil da campanha, divididos em três notas: R$ 43.750,00, R$ 34.677,00 e R$ 25.075,00. Essa centralidade da comunicação na estratégia, com destaque para folders, bandeiras e produções multimídia ajuda a explicar a boa performance nas urnas.
Além da publicidade convencional, houve também gasto com impulsionamento de conteúdo no Facebook, no valor de R$ 4.500, gasto relativamente modesto, mas que aponta a presença digital da campanha nas redes sociais.
A campanha declarou ainda R$ 11.442,12 em despesas com gasolina, sendo que R$ 9.361,80 foram gastos apenas no dia 5 de outubro, ou seja, a apenas dois dias da eleição.
Morretes
O prefeito de Morretes, Junior Brindarolli (PSD), foi o candidato que apresentou uma das campanhas mais modestas entre os eleitos no Litoral. Segundo a prestação de contas divulgada pela Justiça Eleitoral, Brindarolli arrecadou R$ 155.978,00 e gastou R$ 137.291,71, encerrando a campanha com um saldo de pouco mais de R$ 18 mil.
Diferente de muitos dos seus colegas prefeitos, Brindarolli contou com uma base mais centrada em doações de pessoas físicas: R$ 105.978 vieram de 14 apoiadores, representando cerca de 68% da receita total. O restante foi composto por repasse de R$ 50 mil do diretório nacional do PSD, o único partido a aportar recursos públicos diretamente na campanha.
Já do lado das despesas, dois tipos de serviços lideraram os valores pagos: a Zornig, Andrade & Advogados Associados recebeu R$ 40 mil por serviços jurídicos, configurando o maior gasto isolado da campanha. E a publicidade foi dividida em dois grandes pagamentos: R$ 40.260 e R$ 33.903, totalizando R$ 74.163 investidos em materiais impressos, conteúdo audiovisual e ações de divulgação territorial.
Somados, os gastos com advocacia e publicidade representam mais de 80% de todo o valor utilizado na campanha.
O investimento digital foi mais tímido: R$ 2.128,71 foram usados em impulsionamento de conteúdo no Facebook, o que representa pouco mais de 1,5% do orçamento da campanha — valor que contrasta com o investimento expressivo em publicidade mais tradicional.
O combustível também teve papel secundário, com R$ 2 mil declarados em despesas com gasolina.
Guaraqueçaba
Em Guaraqueçaba, a prestação é a menos detalhada e mais confusa. O dado mais preocupante da prestação de contas está na falta de transparência sobre a origem das receitas. O sistema da Justiça Eleitoral aponta R$ 109.755,00 arrecadados, mas não apresenta detalhamento de quais diretórios partidários ou pessoas físicas financiaram a campanha, dificultando o rastreio de quem efetivamente apoiou Sandro financeiramente.
Em um contexto de crescente cobrança por transparência, esse tipo de omissão pode ser visto como um sinal de alerta para órgãos fiscalizadores e para o eleitorado.
Mesmo com receitas pouco expressivas, a campanha de Sandro da Saúde extrapolou os próprios limites orçamentários. As despesas somaram R$ 124.370, ultrapassando em quase 13,5% o valor arrecadado. Isso coloca a campanha em uma posição irregular que, se não for justificada de forma clara, pode trazer problemas futuros na análise final da prestação.
Três fornecedores principais aparecem no topo da lista de despesas da campanha: R$ 26.515 da Fênix MKT & Negócios LTDA, com gastos relacionados a marketing e publicidade; Ferreira & Chamulera Sociedade de Advogados, utilizando R$ 25.003,10 em serviços jurídicos; e CMJ Business Gestão Contábil e Tecnologia LTDA que recebeu R$ 19.700 para contabilidade e suporte administrativo da candidatura. Esses três contratos somam R$ 71.218,10, ou 57% de todo o gasto da campanha.
Diferente de outros candidatos do Litoral, a campanha de Sandro não declarou gastos com impulsionamento em redes sociais ou combustível, itens que tradicionalmente aparecem nas prestações de contas. Isso pode indicar uma campanha de baixo alcance físico e digital ou, alternativamente, uma subdeclaração de serviços essenciais.