Vaza áudio do prefeito de Guaratuba, anunciando demissão em massa após votação fraca do pai na Alep


Por Redação JB Litoral
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Um áudio do prefeito de Guaratuba, Roberto Justus (DEM) viralizou nesta segunda-feira (08) nos grupos de WhatsApp com sua decisão de exonerar todo o secretariado e cargos comissionados das simbologias CC1 ao CC4 na prefeitura municipal, por causa da fraca votação do deputado estadual Nelson Justus (DEM), seu pai, que obteve na cidade apenas 3.266 votos.

Reeleito em todo o Paraná com 38.349 votos, Justus ficou na penúltima colocação da coligação “Paraná Firme”, composta pelos partidos PP/PTB/DEM/PSDB/PSB.

Em 2014 ele obteve a expressiva votação na cidade de 6.070 votos, 34,33% dos votos, durante a gestão da cunhada, a prefeita Ivani Justus (PSDB). Um em cada três guaratubano votou em Justus, que foi reeleito com 43.446 votos.

Justamente na gestão do filho, Roberto Justus (DEM), o candidato mais votado desta vez, foi seu adversário derrotado nas eleições municipais de 2016, Mauricio Lense (PPS), que somou 6.098 votos.

Nitidamente indignado com a situação, o prefeito anunciou a exoneração em massa de todos os cargos comissionados, inclusive os secretários municipais,
“Hoje é um dia muito triste para Guaratuba por dois motivos. Primeiro porque o candidato a deputado estadual não foi eleito e segundo porque o nosso candidato, o deputado Nelson Justus, teve uma votação tão inexpressiva na nossa cidade, que se ele não tivesse nenhum voto em Guaratuba, mesmo assim ele estaria eleito. Eu, na qualidade de prefeito e cabo eleitoral do deputado Nelson Justus, preciso repensar todo nosso trabalho, toda nossa gestão. Por conta disto eu decidi, hoje, exonerar todos vocês, secretários, cargos comissionados do CC1 ao CC4”, afirmou dizendo que pretende fazer um novo grupo.

Sem obrigação com Guaratuba

Após agradecer o trabalho de todos os exonerados, o prefeito anunciou a formação de uma nova equipe de trabalho e a revogação de todos os decretos de nomeação.

O prefeito se desculpou por não poder falar sobre a exoneração pessoalmente dos mais de 100 cargos comissionados, e disse que o deputado estadual reeleito não tem mais obrigação com Guaratuba. “Quem tem obrigação com Guaratuba é o Mauricio Lense, o candidato mais votado da nossa cidade. Acho que o Nelson Justus tem mais é que cuidar da cidade dele, das cidades que o elegeram”, apesar dos mais de três votos feitos na cidade por Justus.

Prefeito reconsidera decisão 

Com a viralização do áudio, o prefeito Roberto Justus reconsiderou sua decisão e postou um novo comunicado. Leia na íntegra.

Hoje fui confrontado com minha própria condição humana, senti a dor de um filho que vê seu pai ser injustiçado e desabafei…

E ao desabafar feri pessoas que não gostaria que fossem feridas, por isso venho aqui me retratar e me desculpar.

É que só estando dentro da vida pública para entender o quanto é difícil administrar bem uma cidade, o quanto é longo o caminho a ser percorrido para que obras aconteçam, e para tal, é imprescindível a presença de um Deputado Estadual atuante, a apoiar nas buscas por verbas e convênios com o Governo Estadual, a mandar projetos de lei que atendam a nossa necessidade enquanto Município.

O meu pai, o Deputado Nelson Justus, tem sido incansável por Guaratuba e cada um de nós é testemunha disso, ainda que muitos tentem negar.

No meu olhar de filho, ao ver os resultados das urnas deste ano, entendi que ele deveria ter conseguido muito mais votos de nossa cidade. Mas sua votação aqui foi de 3.266 votos. Essa ausência de reconhecimento nas urnas me feriu.

E também me fez pensar que estaria sugerindo uma reprovação à minha atuação na prefeitura.

Por isso gravei um áudio para os meus secretários falando em mudança de rumos e demissões em massa, o que não vai ocorrer.

Quanto ao meu desabafo, eu disse que os que não votaram no meu pai foram ingratos e alguém me respondeu que ninguém tem que ser grato a quem cumpre sua obrigação.

Pensando nessas palavras lembrei de uma palestra do Professor português António Nóvoa, proferido no III Encontro PIBID UNESPAR, em 2014, a qual assisti apenas por vídeo, mas que me tocou profundamente, a qual dizia que: São Tomás de Aquino, em seu Tratado sobre a Gratidão, ensina que a gratidão se faz em três níveis.

O primeiro nível é o nível da percepção; quando alguém se dá conta de que algo lhe foi feito, sem se comover com isso; assim, de modo superficial.

O segundo é o nível do agradecimento que consiste em não só perceber, mas reconhecer,  louvar e dar graças.

O terceiro é o nível mais profundo, o nível da retribuição, do vínculo; neste nível, quem agradece se sente vinculado àquele que fez, se sente comprometido a retribuir o outro.

E o Professor António explicou que em cada idioma é possível verificar o agradecimento em um dos três níveis:

No inglês e no alemão se agradece no nível mais superficial. Quando se diz “thank you” ou “zu danken” o que se faz é expressar o reconhecimento pelo favor concedido, de modo apenas intelectual, cerebral, sem qualquer emoção.

Na maior parte das outras línguas, prossegue ele, se agradece no nível intermediário. Por exemplo, ao se falar “merci” em francês, “gracias” em espanhol ou “grazie” em italiano, quem agradece está reconhecendo que recebeu uma graça, algo que toca o seu coração, algo que o comove, é uma gratidão no nível emocional.

E prossegue: já a formulação na língua portuguesa:  “obrigado” é a única que expressa o nível mais profundo de gratidão. Quando agradecemos em nossa língua, queremos dizer fico obrigado perante você, tenho uma obrigação com você, fico vinculado a você, fico comprometido a retribuir-te com a mesma generosidade, a mesma presteza, a mesma dedicação.

É claro que numa democracia cada um tem o direito de depositar seu voto, sua confiança, sua representação em quem quiser; é certo também que nosso representante ao ser legitimado por nosso voto, deve trabalhar corretamente para fazer jus à procuração recebida.

Mas num cenário em que poucos cumprem bem o seu papel, agradecer de verdade, vincular-se, manter a representatividade é o mínimo que podemos fazer por quem está nos representando da melhor maneira possível.

E nesse ponto, fazer oposição cega, votando em outro candidato, sem a mínima condição de se eleger, apenas para tirar voto daquele que tem feito muito, é dar proveito a alguém em particular, em detrimento do coletivo, é tentar tirar de cada um dos munícipes a oportunidade de viverem em uma cidade melhor, onde o povo tenha suas necessidades plenamente atendidas. É isso que me angustia.

De toda forma, mais uma vez peço desculpas a quem feri. Reitero que sou Prefeito de todos os guaratubanos, eleito pela maioria dos votos e estou aqui para continuar a cuidar de nossa cidade e de nossa gente. Quero me despedir daqueles com quem converso diariamente pelas redes sociais, coloco-me a disposição para ouvi-los sempre que necessitarem; estarei me reunindo com vocês nos bairros e pronto para recebê-los, à medida do possível, em meu gabinete, ainda que tenhamos ideias opostas, porque sinceramente tenho esperança que é possível, um dia, chegarmos a esse ponto de maturidade política.

Roberto Justus

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