Proibida pela Justiça de ir à Câmara, vereadora de Matinhos é denunciada por suposta ‘rachadinha’


Por Brayan Valêncio

Impedida pela Justiça de participar presencialmente das sessões da Câmara de Matinhos, a vereadora Hirman da Saúde (Podemos) passou a acompanhar os trabalhos legislativos de forma remota. A parlamentar, que responde a uma investigação por suposto esquema de “rachadinha”, foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) pelo crime de concussão, ao lado do marido.

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Vereadora Hirman da Saúde foi denunciada pelo MP, mas já está proibida de ir até a Câmara. Foto: Reprodução.

A denúncia foi apresentada na última terça-feira (14) pela 2ª Promotoria de Justiça de Matinhos. Segundo o MP, os dois teriam exigido que assessores lotados no gabinete da vereadora repassassem parte das diárias recebidas para participação em cursos e atividades em Curitiba.

De acordo com o Ministério Público, os fatos investigados ocorreram entre 2025 e 2026. As apurações começaram após uma assessora denunciar o suposto esquema à Polícia Civil. O inquérito foi posteriormente encaminhado ao MP, que concluiu pelo oferecimento da denúncia criminal.

Segundo a Promotoria, os assessores eram orientados a solicitar diárias para viagens à capital e, após utilizarem parte do valor para despesas do deslocamento, deveriam devolver o saldo restante à vereadora, em espécie ou por meio de Pix.

Ainda de acordo com a denúncia, algumas cobranças teriam ocorrido durante reuniões realizadas na residência da parlamentar e do marido. O MP afirma que os assessores eram orientados a deixar os celulares do lado de fora do ambiente antes do início dos encontros.

Além da condenação pelo crime de concussão, o Ministério Público pediu que os denunciados sejam condenados ao pagamento de indenizações por danos morais coletivos e danos materiais às vítimas, incluindo o ressarcimento dos valores que teriam sido retirados dos servidores.

Prisão e medidas impostas pela Justiça

O caso ganhou repercussão em 13 de maio, quando Hirman da Saúde foi presa preventivamente durante uma operação da Polícia Civil que investigava um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo servidores do gabinete.

Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência da vereadora e nas dependências da Câmara Municipal de Matinhos. Após a prisão, ela foi colocada em liberdade por decisão judicial.

Entre as medidas determinadas pela Justiça está a proibição de comparecimento presencial às sessões do Legislativo. Com isso, a vereadora passou a participar das reuniões da Câmara de forma remota, acompanhando as atividades diretamente de casa.

Com o oferecimento da denúncia pelo MP, caberá agora ao Judiciário decidir se recebe a acusação. Caso isso ocorra, Hirman da Saúde e o marido passarão à condição de réus no processo criminal.

Comissão pode levar à cassação

Além da investigação criminal, a vereadora também responde a um processo político-administrativo na Câmara de Matinhos. A Comissão Processante instaurada pelo Legislativo apura uma possível quebra de decoro parlamentar com base nos fatos investigados pela Polícia Civil.

Em nota, a Câmara informou que acompanha os desdobramentos do caso e destacou que o processo criminal tramita sob segredo de Justiça.

O Legislativo afirmou ainda que a Comissão Processante segue o rito previsto em lei e que o relatório final deve ser apresentado ao plenário nas próximas semanas. Dependendo da votação dos vereadores, o procedimento poderá resultar na cassação do mandato.

Defesa

O JB Litoral procurou a vereadora Hirman da Saúde após a denúncia formal apresentada pelo Ministério Público, mas não houve resposta.

Após a operação policial realizada em maio, a parlamentar divulgou nota afirmando que sempre esteve à disposição da Justiça, que não havia condenação ou provas concretas de irregularidades e que colaboraria com as investigações.

Hirman também declarou confiar na Justiça e afirmou que havia “interesses políticos envolvidos” no caso. O espaço permanece aberto para manifestação.

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