Câmara de Antonina pede detalhes sobre instalação de fábrica de fertilizantes na cidade

Investimentos na ordem de R$ 160 milhões foram anunciados há quase 5 anos, mas unidade ainda não saiu do papel


Por Flávia Barros

Era outubro de 2020 e um anúncio animou o setor portuário: o Paraná iria ampliar as movimentações de granéis sólidos (fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássio) por meio do Porto de Antonina. A ampliação seria possível graças ao investimento de R$ 159,09 milhões a ser realizado pela empresa Interbulk – que já atua no Porto – com a instalação, em duas fases, de uma unidade misturadora de fertilizantes, com capacidade para produzir até um milhão de toneladas por ano.

Anúncio dos investimentos de quase R$ 160 milhões, com assinatura de protocolo de benefícios fiscais, aconteceu em outubro de 2020, no Palácio Iguaçu, sede do Governo. Foto: Arquivo/AEN
Anúncio dos investimentos de quase R$ 160 milhões, com assinatura de protocolo de benefícios fiscais, aconteceu em outubro de 2020, no Palácio Iguaçu, sede do Governo. Foto: Arquivo/AEN

O protocolo de intenções com a Interbulk S.A. foi assinado em 27 de outubro de 2020 e já previa a adesão da companhia ao programa de benefícios fiscais do Estado, que permite à beneficiária ser mais competitiva em relação a concorrentes de outros estados. De acordo com o que a Secretaria de Estado da Fazenda anunciou à época, haveria a aplicação de um crédito presumido de 75% sobre o valor do imposto incidente sobre saídas interestaduais de fertilizantes industrializados. O ICMS de fertilizante para outros estados é, em média, alíquota de 4%.

ALVARÁ DE CONSTRUÇÃO

Porém, desde o anúncio e assinatura do protocolo de intenções até o projeto avançar, existiu um intervalo de quatro anos e meio. Até que, em 2 de abril de 2025, a prefeita de Antonina, Rozane Osaki (PSD), anunciou que as tratativas estavam sendo feitas para a instalação da fábrica.

Recebi na tarde de quarta-feira [02/04], em meu gabinete, a equipe do Invest Paraná e representantes do Projeto Interbulk para tratarmos da assinatura do Alvará de Construção da fábrica de fertilizantes da Uralchem-Interbulk. Um grande passo para o desenvolvimento de Antonina!”, declarou Rozane, em publicação feita em suas redes sociais.

Prefeita de Antonina, Rozane Osaki, recebeu representantes do Invest Paraná e da empresa Interbulk para tratar da assinatura do Alvará de Construção da fábrica de fertilizantes da Uralchem-Interbulk. Foto: Redes Sociais

PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS

Interessados em saber mais informações sobre o andamento do projeto e a criação de empregos no Município, vereadores de Antonina aprovaram o envio de ofício à empresa Interbulk “convidando seu representante para estar presente em uma das próximas sessões desta Casa, a fim de que possa repassar para o Plenário e para a sociedade antoninense o andamento do Projeto que prevê a construção de uma unidade de misturadora de fertilizantes nas proximidades do portão B dos Terminais Portuários da Ponta do Félix”, diz trecho do requerimento assinado pela vereadora Sandra Balthasar de Souza (PTB), aprovado durante a sessão ordinária da última terça-feira (1º).

A parlamentar ainda justifica o envio do requerimento com base na expectativa da população.

Desde a notícia que foi veiculada pela Portos do Paraná, no ano de 2020, a população tem a expectativa de ter em nosso município esse empreendimento, o que tornará nossa cidade uma referência para essa atividade e que proporcionará a movimentação da economia local com geração de emprego, renda e o pleno desenvolvimento”, alega Sandra de Souza.

E completa o documento deixando o Legislativo Municipal à disposição para colaborar com a resolução de alguma possível dificuldade na instalação da nova fábrica.

O presente convite a ser formulado se fundamenta em estarmos com as informações necessárias para passar ao cidadão que nos questiona de quando haverá novas oportunidades de emprego em nosso município, além do que, é importante sabermos da parte da empresa se há necessidade de algum entrave que esteja impossibilitando a efetiva instalação dessa indústria”, conclui.

COMO SERÁ A FÁBRICA

De acordo com o anúncio feito em outubro de 2020, o grupo pretende instalar, em duas fases, uma unidade misturadora de fertilizantes, com capacidade para produzir até um milhão de toneladas por ano. O complexo será erguido a cerca de 200 metros do portão B do Terminal Portuário da Ponta do Félix.

O projeto se dará em etapas. A primeira prevê a construção de oito armazéns com capacidade estática de 12 mil toneladas cada um, com movimentação de até 96 mil toneladas a granel e ensaque. Contará ainda com áreas de apoio e a instalação de duas balanças rodoviárias de 30 metros cada uma. O valor previsto nesta fase seria de R$ 60 milhões.

Na sequência, seria estruturada a implantação da unidade misturadora de fertilizantes com três linhas de expedição de ensaque com capacidade para 300 toneladas por hora. O projeto previa, ainda, mais um armazém estruturado com capacidade estática de 100 mil toneladas, duas novas balanças rodoviárias e uma linha de recebimento de matéria-prima e insumos com capacidade de 300 toneladas por hora. Os recursos são da ordem de R$ 99 milhões.

O espaço está aberto no JB Litoral para a empresa explicar se o projeto que possibilitou a assinatura de benefícios fiscais com o Governo está mantido com as características anunciadas originalmente, ou se houve ajustes, inclusive de valores a serem investidos.

PROTAGONISMO NO SETOR

De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Estado no último dia 24, os portos paranaenses registraram a movimentação de 28.195.118 toneladas de cargas entre janeiro e maio deste ano. O volume representa um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram movimentadas 27.197.565 toneladas. Segundo dados do governo federal, o valor FOB – que corresponde ao preço do produto no ponto de embarque – ultrapassou US$ 19 bilhões no período.

As exportações continuam impulsionadas pelas commodities agrícolas. Já na importação, os fertilizantes lideram o volume movimentado, com 4.357.233 toneladas descarregadas nos portos paranaenses. O valor da operação chega a US$ 1,4 bilhão, o que representa mais de 25% da movimentação nacional de fertilizantes. As cargas têm como principais destinos os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás.

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