Com recorde atrás de recorde, porto de Paranaguá recebe “gigantes” cada vez maiores

Obras de derrocagem e serviços de dragagem permitem receber as embarcações com maior capacidade, afirma Portos do Paraná


Por Flávia Barros

Maior embarcação em capacidade, maior navio de líquidos, maior porta contêineres, maior navio de fertilizantes. Desde o ano passado tem se tornado cada vez mais frequente a chegada dessas embarcações gigantes no porto de Paranaguá.

No último dia 31 foi a vez de mais um recorde para o terminal parnanguara, com o navio porta-contêineres MSC C. Montaine, que atracou no porto, conquistando o título de maior embarcação em capacidade já recebida no Paraná. Com 366 metros de comprimento e 51 metros de largura, o navio supera as embarcações irmãs MSC Elisa XIII e MSC Natasha XIII, recebidas em janeiro e fevereiro deste ano. As duas tem o mesmo comprimento da C. Montaine, mas são mais estreitas, com 48,20 metros de largura.

O MSC C. Montaine permite uma capacidade de até 15.413 TEUs (medida utilizada para 20 pés de comprimento de contêiner), 6,7% maior que a capacidade de carga dos navios MSC Elisa XIII e MSC Natasha XIII.

O porto de Paranaguá foi o primeiro do Brasil a receber a autorização oficial para operação de um navio deste porte e, também, o primeiro a operar, de fato, navios New Panamax. A qualidade da infraestrutura, aliada à segurança operacional, nos permite receber regularmente estas novas embarcações, demonstrando a capacidade e confiabilidade do nosso porto”, destacou o diretor de operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.

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No mês passado, porto parnanguara recebeu o Cielo Rosso, maior navio de líquidos de sua história, com 228 metros de comprimento e calado de 12,5 metros. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O que permite o recebimento dos grandões

Ainda segundo a Portos do Paraná, para receber os meganavios, a empresa pública investe em obras de derrocagem e serviços de dragagem para aumentar a profundidade do canal. Atualmente, no terminal de contêineres, o calado (que é a profundidade entre o ponto mais baixo do navio até a linha d’água) está com 12,3 metros nos canais principal e alternativo.

Em novembro do ano passado, a empresa anunciou que vai aumentar o calado operacional dos navios em cinco berços no porto de Paranaguá, sendo eles 201, 202, 204, 209 e 211, de 12,5 para 12,8 metros. A ampliação do calado tem impacto direto na capacidade de embarque, garantindo maior competitividade no mercado internacional. Em média, cada metro de calado operacional significa cerca de 7 mil toneladas a mais de granéis movimentados. O ganho operacional estimado é de 2,1 mil toneladas a mais de carga, por navio. Ou seja, inicialmente, mais de 378 mil toneladas no ano, para uma média de 180 navios.

Outros gigantes

Apesar dos números impressionantes, o MSC C. Montaine não foi o único a trazer recordes ao porto de Paranaguá em 2024. Em 18 de março, o local recebeu o maior navio de líquidos de sua história, o Cielo Rosso. Com 228 metros de comprimento e calado de 12,5 metros, a embarcação tem o tamanho equivalente a um prédio de 64 andares. De bandeira liberiana, é o maior do tipo a operar no porto. Com capacidade para 70 mil toneladas, o Cielo Rosso descarregou 19,5 mil metros cúbicos de óleo diesel no píer privativo da Cattalini Terminais Marítimos.

Só é possível receber um navio deste porte graças aos investimentos realizados pelo poder público e iniciativa privada. A dragagem de manutenção continuada e a segurança em nossos acessos marítimos, somadas à estrutura de defensas, dolphins e píers da empresa, são determinantes para que o porto atenda a demanda de embarcações cada vez maiores”, explicou, na ocasião, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Navio italiano Grande Abidjan, o maior em capacidade do tipo Ro-Ro já atracado no porto de Paranaguá, foi um dos destaques de 2023. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Recordes em todos os setores

No ano passado, entre os recordes em tamanho/capacidade, chamaram a atenção o maior navio de fertilizantes do mundo, o Red Marlin, que desembarcou 73.310 toneladas de sulfato de amônio, e o navio italiano Grande Abidjan, o maior em capacidade do tipo Ro-Ro (Roll on-Roll off), já atracado no porto de Paranaguá, suportando 71 mil toneladas de carga. Na primeira viagem, o navio carregou 1.565 carros leves (Volkswagen e Renault) e 13 chassis de ônibus; e descarregou 87 contêineres vazios. 

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