Uma técnica milenar vem ganhando espaço como solução moderna e sustentável para o controle de aves em áreas urbanas e industriais: a falcoaria. No Porto de Paranaguá, falcões treinados são utilizados por alguns terminais para reduzir a presença de pombos, minimizando impactos ambientais e sanitários.

O trabalho é realizado pela Peregrinus Serviços Ambientais, empresa especializada em controle de fauna. Segundo o médico veterinário e responsável técnico da empresa, Renan Cardoso, a atuação envolve projetos estruturados e autorizados pelos órgãos ambientais, combinando diferentes técnicas para diminuir a população de aves que causam transtornos.
“Utilizamos diversas técnicas, entre elas a falcoaria, com a inserção de aves de rapina adestradas para a captura e o afugentamento nos locais onde as espécies causam problemas”, explicou Renan.
Por que acontece em áreas portuárias?
A presença de pombos e outras aves é frequente em ambientes portuários, onde geralmente encontram condições ideais para a sobrevivência. De acordo com o veterinário, esses animais precisam, basicamente, de três fatores: alimento, abrigo e água. “Praticamente todas essas condições estão presentes nas áreas portuárias”, afirmou o médico.
Mas quando as aves se concentram nesses locais, podem provocar uma série de problemas. Entre eles estão o acúmulo de fezes, a presença de parasitas como ácaros, piolhos e carrapatos, além de danos a equipamentos e estruturas. “Também há impactos na qualidade dos produtos armazenados e riscos à saúde de trabalhadores e da população próxima”, reforçou Renan.
Primeiro o levantamento, depois falcões em ação
O controle de fauna começa com um levantamento detalhado das espécies presentes no local e das condições que favorecem sua permanência. A partir dessas informações, são adotadas medidas como a retirada de ninhos e a aplicação de técnicas de afugentamento.
Entre as estratégias mais eficientes, segundo o especialista, está a presença de predadores naturais. As aves de rapina treinadas realizam voos controlados nas áreas onde há maior concentração de pombos, simulando situações de risco para as presas.
“Através das nossas atividades e da atuação dos predadores naturais, os pombos percebem que o local não é seguro para pernoitar ou fazer ninhos e acabam deixando a área”, explicou o veterinário.
Quando ocorre a captura, os animais são retirados vivos, avaliados por técnicos e destinados conforme orientação dos órgãos ambientais. No Paraná, os projetos são autorizados pelo Instituto Água e Terra (IAT), já que as aves são protegidas pela legislação.
Segundo a empresa, o controle precisa ser contínuo, semelhante ao manejo de outras pragas urbanas. “Em Paranaguá, temos observado reduções que variam entre 90% e 100% no número de animais”, destacou Renan. Caso a redução mínima de 70% não seja alcançada, o investimento do cliente é devolvido pela empresa.
Atuação na região
A empresa foi criada em 2013 em Curitiba e, desde 2016, os espaços de treinamento e um criadouro próprio de aves de rapina foi implantado em São José dos Pinhais. As atividades em Paranaguá começaram em 2023, onde são atendidos nove clientes, atualmente. A empresa não divulga o nome das empresas que contratam os serviços.
Além de portos, a técnica pode ser utilizada, segundo o veterinário, em indústrias, aeroportos, hospitais, escolas e supermercados. Apesar de parecer, a princípio algo que pode ser “cruel” com outros animais, Renan destaca que esta é considerada uma solução ambientalmente responsável, por utilizar a própria dinâmica natural entre predadores e presas. “É um serviço considerado verde, com impacto ambiental positivo”, declarou.
A falcoaria também auxilia as empresas a cumprir normas sanitárias e ambientais exigidas em certificações destinadas a operações industriais e logísticas.
A Instrução Normativa nº 05, de 22 de abril de 2025, do Instituto Água e Terra (IAT) define a falcoaria como: a “arte de adestrar aves de rapina para captura ou afugentamento de presas em vida livre, cujas técnicas podem ser utilizadas para controle de populações de espécies-alvo, reabilitação, enriquecimento ambiental e educação ambiental”. Portanto, a atividade é permitidapelo órgão ambiental.