Em novembro de 2024, a empresa pública Portos do Paraná integrou uma comitiva que esteve em Shenzhen, cidade ao sul da China, onde foi assinada uma carta de intenções com representantes da China Merchants Port Holdings (CMPort), administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). O ato contou com a presença do secretário nacional de Portos, Alex Ávila, do secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, e do diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Segundo o que o Governo do Estado divulgou, à época, o documento tinha o objetivo de fomentar a promoção conjunta e colaboração comercial, a construção de portos verdes e inteligentes, a aplicação de novas tecnologias, o intercâmbio de pessoal para troca de experiências e a cooperação técnica sobre a agenda ESG (ambiental, social e governança).
“O CEO da CMPort, Xu Song, agradeceu a agenda, a atenção e o suporte prestado pelo governo brasileiro, em especial da Portos do Paraná e da Secretaria Nacional de Portos no tratamento dos assuntos do grupo no Brasil. Eles demonstraram grande interesse em expandir as atividades no nosso País”, afirmou Ávila, na ocasião.
Exatamente um ano depois, em novembro de 2025, a mesma comitiva retornou à China e a Portos do Paraná anunciou que o Porto de Paranaguá receberá um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para expansão e modernização da área de contêineres. Segundo a estatal, o montante será investido pela CMPort, para a ampliação de pátios, melhorias nos acessos rodoviário e ferroviário e à aquisição de novos equipamentos de cais e pátio.
“Esse é um anúncio muito importante, pois amplia a competitividade dos portos paranaenses. Também é uma demonstração da confiança que a CMPort deposita no potencial econômico do nosso Estado”, declarou, no mês passado, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
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Informações genéricas e silêncio
Ainda conforme foi divulgado pelo Governo do Estado, pelo projeto apresentado pela CMPort, o TCP vai incorporar mais de 195 mil metros quadrados de áreas adjacentes — atualmente sem uso definido ou com contratos próximos do vencimento. Também estão previstos investimentos do Terminal de Contêineres fora da área arrendada, com modernização dos berços 215, 216 e 217 — onde atracam os navios contêineres — e extensão dos trilhos para guindastes STS Super Post-Panamax. “Esses investimentos consolidam ainda mais a TCP como um dos maiores e mais importantes terminais do Brasil”, afirmou Alex Ávila, secretário Nacional de Portos.
Para aprofundar as informações e detalhar de que forma serão feitos esses investimentos; o cronograma; quais são as áreas para expansão das operações do Terminal; de que forma esse crescimento irá impactar no trânsito de Paranaguá; quais compromissos firmados ainda na carta de intenções, há um ano, já saíram do papel; as contrapartidas sociais desses investimentos, entre outros aspectos, o JB Litoral procurou a Portos do Paraná e o TCP.
Mas a resposta do Terminal de Contêineres de Paranaguá foi a de que não iria comentar sobre o assunto. E a empresa pública de que “a Portos do Paraná não pode se manifestar sobre o assunto com mais detalhes, pois os projetos de investimento ainda estão sendo analisados pela Autoridade Portuária”, sem considerar as perguntas que tratavam de outros aspectos, como a das áreas portuárias que serão utilizadas para a expansão do terminal e quais pontos tratados há um ano, na carta de intenções, avançaram.
A reportagem também entrou em contato com o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila. Como ele foi às duas viagens, como representante do Governo Federal, o JB questionou sobre quais dos compromissos firmados há um ano foram colocados em prática; por que foi necessária a presença de um representante a nível nacional durante as negociações; e, já que os investimentos serão em área privada, por que precisaria da presença de uma comitiva Estatal (PR + Governo Federal) para que fossem firmados.
Os questionamentos não foram respondidos até a publicação desta reportagem.
Despesas com viagens já somam quase R$ 2 milhões em 2025
De acordo com o levantamento de dados feito pelo JB Litoral no Portal da Transparência da Portos do Paraná, as informações relativas à viagem para a China, no mês passado, ainda não estão disponíveis. No entanto, foi possível verificar as despesas realizadas de janeiro a outubro deste ano. Elas somam, entre passagens aéreas e diárias, R$ 1.943.076,92.
Dos integrantes que foram à China nas duas ocasiões (2024 e 2025), o secretário Nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, viajou 19 vezes entre janeiro e outubro de 2025 com despesas custeadas pela Portos do Paraná. O valor para arcar com passagens aéreas e diárias foi de R$ 106.900,23. No mesmo período, o diretor-presidente da empresa pública, Luiz Fernando Garcia, fez 24 viagens, cujas despesas somaram R$ 199.823,58.
Em 2024, a viagem à China custou, pela Portos do Paraná, R$ 32.523,56, para pagamento de diárias ao secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, e o diretor-presidente da estatal paranaense, Luiz Fernando Garcia. Não constam despesas com passagens aéreas. No total, ao longo de todo o ano passado, a Portos do Paraná desembolsou R$ 2.166.895,89 com viagens (segundo consulta realizada neste domingo, 14 de dezembro), das quais Alex Ávila tem 24 registros (R$ 119.171,26 em despesas de viagens), e Luiz Fernando Garcia somou 29 (R$ 254.822,13 de gastos com passagens aéreas e diárias, dos quais R$ 148.786,63 em viagens internacionais).