Prefeitura de Guaraqueçaba distribui hidroxicloroquina e azitromicina a pacientes com coronavírus


Por Luiza Rampelotti Publicado 21/07/2020 às 10h38 Atualizado 15/02/2024 às 13h13

Desde quinta-feira (16), a prefeitura de Guaraqueçaba está distribuindo às vítimas do coronavírus o chamado “Kit Covid-19”, composto pelos medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina. O novo protocolo de tratamento contra a doença passa a valer após o aumento no número de casos confirmados no município: até esta segunda-feira (20), nove registros haviam sido verificados.

O crescimento se deu em apenas dez dias, já que desde o início da pandemia, em março, até o dia 09 de julho, a cidade se manteve estável na quantidade de infectados: somente um, que veio a óbito. “Com o aumento de casos registrados, uma das medidas adotadas para potencializar o sistema de defesa do organismo humano no combate ao vírus é o fornecimento deste kit de medicamentos, formado por várias drogas, sendo a principal delas a cloroquina”, explica o prefeito Hayssan Colombes Zahoui (PSD), o Ariad Júnior.

Além disso, ele afirma, ainda, que existem vários casos em investigação e que estão realizando o isolamento domiciliar. “Não é brincadeira, o vírus entrou em nossa cidade, e agora a responsabilidade é de todos de fazer com que ele não se propague”, diz.

Segundo Ariad Júnior, diferentemente dos protocolos adotados por outros municípios, que estão distribuindo a ivermectina (antiparasitário) como forma de prevenção à doença, o município só irá fornecer o Kit Covid-19 aos pacientes já infectados. “Uma vez apresentados os sintomas, o paciente será submetido ao teste rápido e, se positivado, poderá iniciar o uso imediato da medicação. Com essa ação rápida, busca-se minimizar a possível evolução do quadro clínico do enfermo logo nos primeiros dias dos sintomas, sem que haja a necessidade de internamento”, comenta.

Os medicamentos estão sendo distribuídos gratuitamente na Farmácia Pública, mas, somente, após a prescrição do médico e a confirmação da infecção pelo coronavírus. “Por isso, ao sentir o primeiro sintoma, o paciente deve imediatamente entrar em contato com o Posto Municipal de Saúde, pelo telefone (41) 3482-1620 e a equipe irá até o local de residência para fazer a testagem”, diz.

Kit não é a cura

Apesar do investimento em hidroxicloroquina e azitromicina, o prefeito afirma que o kit apresentado não é a cura para a Covid-19, mas ajuda no combate ao vírus por aqueles que já contraíram a doença. Segundo ele, a medicação irá ajudar o sistema imunológico do paciente, porém, esclarece que “cada organismo responde de uma maneira”.

O médico responsável pelo Programa Estratégia Saúde da Família, que atende no Posto Municipal de Saúde, Dr. Emerson Almeida de Oliveira, reforça que o tratamento não representa a cura do coronavírus, mas tem como objetivo, para os casos já confirmados, evitar o agravo do quadro clínico. “A intenção é impedir que o mesmo venha precisar de respirador mecânico”, afirma.

Ele comenta que o paciente terá o direito de decidir receber ou não o tratamento com tal kit. “O paciente que desejar, irá assinar um termo de consentimento, esclarecendo os efeitos colaterais”, informa.

Dr. Emerson destaca que a utilização dos medicamentos não substitui as medidas preventivas contra o coronavírus: uso de máscara, isolamento domiciliar, distanciamento social, higienização das mãos com água e sabão frequentemente, utilização do álcool em gel 70%, entre outros.

Cloroquina não gera qualquer benefício

Em maio, uma das mais importantes publicações da área médica do mundo, a Lancet, publicou o resultado da mais abrangente pesquisa feita até o momento com a cloroquina e a hidroxicloroquina. A conclusão foi de que os medicamentos não têm eficácia nenhuma contra o coronavírus e nem trazer qualquer benefício no tratamento contra a Covid-19, e foram estudados 96 mil pacientes de hospitais de todo o mundo.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que a cloroquina pode causar efeitos colaterais, como a disfunção grave de órgãos, prolongamento da internação, incapacidade temporária ou permanente, arritmias, hepatite, pancreatite, choque anafilático e, até mesmo, o óbito.

Os especialistas reforçam que o remédio não deve ser usado em casa, sem acompanhamento de um profissional de saúde, justamente por oferecer riscos à saúde.

A azitromicina, associada à cloroquina, é um dos medicamentos usados em estudos relacionados ao coronavírus, porém, também não tem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Em comunicados recentes, a instituição de pesquisa e desenvolvimento em ciências biológicas, Fundação Oswaldo Cruz (Fio Cruz), comentou que o medicamento é “um antibiótico e, portanto, não ataca vírus. Os antibióticos são indicados apenas contra bactérias”, escreveu.

Portal da Transparência não informa sobre a compra

O JB Litoral pesquisou, no Portal da Transparência da prefeitura, informações a respeito do procedimento licitatório que permitiu a compra do Kit Covid-19 e qual o valor total investido nos medicamentos. No entanto, até a conclusão desta reportagem, nesta segunda-feira (20), não havia nenhum dado publicado sobre o assunto.

A reportagem também entrou em contato, por meio de ligação telefônica, com a secretária municipal de Saúde, Nilza Rederd, que solicitou que o pedido de informação fosse oficializado via e-mail. Desta forma, caso o questionamento seja respondido, a matéria será atualizada.