Retrospectiva: evolução dos casos de Covid-19 e dos decretos no litoral

por Redação JB Litoral
29/12/2020 20:24 (Última atualização: 29/12/2020)

Por Amanda Yargas  

No início da pandemia, o litoral teve um crescimento no número de casos de COVID-19 mais moderado. Medidas restritivas foram adotadas. Na metade do ano, a aceleração acentuada da disseminação do coronavírus acarretou que o Governo Estadual incluísse o Litoral entre as Regionais de Saúde que deveriam seguir uma quarentena restritiva.

As cidades tomaram providências para barrar ou diminuir o interesse de turistas. Mas o segundo semestre trouxe o desgaste das medidas de proteção, o foco na retomada econômica, com a reabertura para turistas, pessoas que nem sempre respeitaram decretos locais, e o estouro no número de casos.

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O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, fez um apelo ao bom senso dos paranaenses para que não se dirijam ao litoral no fim de ano. No entanto, a curva de casos e mortes da região mostra que momentos de flexibilização resultaram em aumento mais intenso dos casos.  

MARÇO 

Primeiro caso confirmado no Litoral em Matinhos  

O paciente foi da cidade de Matinhos, já veio do exterior infectado e ficou internado em isolamento no Hospital Regional do Litoral (HRL). Ele tinha procurado atendimento médico 5 dias antes na UPA e foi transferido para o HRL. As 17 pessoas que tiveram contato com ele foram isoladas e receberam acompanhamento. 

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Foto: Prefeitura de Paranaguá  

A prefeitura de Paranaguá determinou Toque de Recolher entre 22h e 6h. Uso de máscara passa a ser obrigatório em táxis e carros de aplicativos. O decreto previa multa de R$ 956,57, em caso de descumprimento.  

ABRIL 

A cidade de Matinhos interdita acesso as suas praias, assim como em Guaratuba e decreto determina multa de mil reais para quem descumpra a medida. Durante o ano, essa decisão foi tomada, principalmente, durante os feriados, para evitar aglomerações.  

Nesse mês a COVID-19 faz a primeira vítima fatal no litoral, um homem de 63 anos que estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Regional do Litoral. 

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Sai o primeiro Informe Epidemiológico completo da Secretaria de Estado da Saúde. Naquele momento, a 1ª Regional de Saúde de Paranaguá tinha um coeficiente de incidência de 4, dado na proporção por 100 mil habitantes. A Regional estava em 12º lugar no ranking de incidência da doença em relação a outras Regionais, com pouco mais da metade do coeficiente estadual, que era de 7,3.  

MAIO 

Boletim epidemiológico passa a ter o coeficiente de mortalidade por Regional de Saúde e a de Paranaguá já aparece com coeficiente de mortalidade de 1,3 óbitos/100 mil habitantes, maior do que o Estadual, que era de 1,1. A regional estava em sexto lugar na taxa de mortalidade da doença entre as regionais.  

Nesse mês a última cidade sem registros de COVID-19, Antonina, confirma primeiro caso da doença.  

JUNHO 

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Foto: Divulgação/ Prefeitura de Pontal do Paraná

Pontal do Paraná e Matinhos instalam barreiras sanitárias para feriado de Corpus Christi. A ideia era evitar que turistas aumentassem a disseminação do vírus na região. A entrada era permitida com comprovante de residência, de trabalho ou em situação de emergência. 

Paranaguá inaugura hospital de campanha para atendimento à COVID-19, montado junto a um anexo do Centro de Diagnóstico João Paulo II, o local contava com 10 leitos de enfermaria e com espaço para até 30.  

JULHO 

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Foto: Prefeitura de Paranaguá  

Decreto Estadual inclui Regional do Litoral nas medidas restritivas contra o avanço da doença. A duplicação do número de casos registrados em uma semana e lotação de 95% dos leitos destinados à COVID-19 leva o Governo Estadual a estender o decreto que determinava o fechamento de atividades não essenciais por 14 dias. Além disso, horário e capacidade de atendimento reduzida para o comércio, fechamento aos domingos, atendimento no balcão ou por delivery nos estabelecimentos gastronômicos, serviços de transporte funcionando apenas para atender trabalhadores dos serviços essenciais, entre outras medidas. O decreto começou a valer no mesmo mês que voltaram a ser instaladas barreiras sanitárias de acesso em várias cidades.  

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A Regional Paranaguá tem o maior coeficiente de mortalidade no Paraná. 21,5 óbitos por 100 mil habitantes, liderança mantida até o final do mês, após ser ultrapassada pela Regional Metropolitana de Curitiba. 

AGOSTO 

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Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral  

Regional Paranaguá tem o maior coeficiente de incidência no Paraná com 1266 infectados por 100 mil habitantes. Ela ocupou essa posição até início de setembro e depois seria ultrapassada pela Regional de Foz do Iguaçu. Situação que se manteve até o encerramento desta edição.  

Em Morretes, o setor de turismo é reaberto com restrições e para entrar na cidade era preciso se cadastrar pela internet. A capacidade máxima era de 3770 visitantes.  

SETEMBRO 

O feriado prolongado da Independência do Brasil, nas cidades do litoral, teve restrições aos visitantes com Guaratuba proibindo a circulação no calçadão, na faixa de areia e o banho de mar nos feriados e finais de semana. A prefeitura realizou blitz sanitárias em diversas partes da cidade com a Polícia Militar. 

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Em Matinhos, editou novo decreto, liberando o acesso e a utilização dos calçadões, do mirante (Pico de Matinhos) e das faixas de areia e praias do município, somente para a prática de atividades físicas individuais. Restaurantes, lanchonetes e supermercados foram liberados no fim de semana, com a obrigação de seguir regras de horário, distanciamento e higienização. Comércio de ambulantes na areia, aglomeração de pessoas e a prática de esportes em duplas ou coletivos foram proibidos.  

Somente em Pontal do Paraná que não houve qualquer restrição de acesso no feriado, mas o município manteve Toque de Recolher da meia-noite às 5h do dia seguinte, mas proibiu festas e abertura de casas noturnas. 

OUTUBRO 

Dificuldade de controle faz Guaratuba reabrir praias e o feriado de Nossa Senhora Aparecida mostrou dificuldade do Poder Público em controlar o acesso à faixa de areia.  

NOVEMBRO 

O feriado de Finados, primeiro na era da COVID-19, marcou a dor de 183 famílias de Paranaguá, que tiveram parentes que faleceram por conta da doença.  

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Nesse mês a prefeitura de Paranaguá reforça medidas contra o novo coronavírus junto a permissionários e proprietários de bares e lanchonetes, como a utilização de máscaras, o distanciamento social e a higienização. 

Com um novo registro em Antonina, o litoral chega a 200 mortes e com outra morte, em Paranaguá, a cidade marca sua 100ª vítima da doença.  

DEZEMBRO 

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As sete cidades do litoral cancelam queima de fogos no Réveillon, numa decisão tomada pela Associação dos Municípios do Litoral do Paraná, para desincentivar a circulação de turistas na virada do ano.  

O Estado anuncia mais leitos para a COVID-19 e apela que paranaenses não viajem às praias. Neste mês foram ativados mais 15 leitos de enfermaria e 5 de UTI, no Hospital Regional do Litoral. A capacidade do sistema de atendimento está no limite e o Governo Estadual orientou que pessoas não viajem para a região evitando, assim, o estrangulamento do sistema. 

E o Governo Estadual lança Operação Verão Consciente, em substituição da Operação Verão, com as Polícias Militar e Civil, o Corpo de Bombeiros e as equipes de profissionais da educação física trabalhando para garantir o cumprimento do decreto restritivo, com Toque de Recolher, Lei Seca e proibição de encontros com mais de 10 pessoas.

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