
Por Luiza Rampelotti
Na segunda-feira (10), a presidente da Câmara Municipal de Pontal do Paraná, Rosiane Rosa Borges (MDB), a Nega, anunciou uma coletiva de imprensa, no dia seguinte, para falar sobre a abertura de uma Comissão Processante que deveria apurar supostas infrações cometidas pelo prefeito Rudisney Gimenes Filho (MDB), o Rudão Gimenes, no âmbito da saúde municipal. No entanto, na terça-feira (11), a própria presidente destacou que não havia indícios ou provas para a instauração da Processante e, por 10 votos a 1, ela foi negada.
Porém, durante a mesma sessão, decidiu-se, por unanimidade, pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar questões relacionadas à saúde pública. De acordo com Nega, o pedido baseia-se em denúncias formais, relatos publicados nas redes sociais e matérias divulgadas na imprensa e tem o objetivo de investigar como foram aplicados os recursos federais entregues ao município, desde o início da pandemia de covid-19, em março de 2020 – mais de R$ 3 milhões, segundo Rudão.
“Escolhi os vereadores Paulo Roberto Parada (PDT), José Juvanete Pereira (PROS) e Marcelo Santos da Silva (PSB), o Marcelo da Saúde, para integrar essa CPI. Agora, vou escolher quem será o presidente e o relator, depende deles. Daqui 15 dias, começamos com os pedidos de documentos na prefeitura e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas”, explica a vereadora.
Prefeito diz que tomará providência contra “acusações levianas”
A Portaria 046/2021, que instaura a CPI, destaca que os fatos apurados dizem respeito à má utilização dos recursos federais, estaduais e também do próprio município, destinados ao combate à pandemia; suposta irregularidade no atendimento de usuários com suspeita ou positivados para covid-19, na UPA de Praia de Leste; suposto superfaturamento na aquisição de materiais, equipamentos e medicamentos; suposta ocorrência de favorecimento pessoal para alguns pacientes; quantidade de vacinas e critérios para escolha dos usuários a serem vacinados, entre outros.
Apesar de a Comissão Processante contra o prefeito ter sido negada, Rudão não gostou de ter seu some envolvido em “denúncias levianas”, conforme ele. Os boatos que correram pela cidade diziam respeito a casos de “fura-fila” de vacinas e internamento, além de, até mesmo, negação de oxigênio para um paciente, em detrimento de outro. “Vamos tomar providência, tanto como pessoa física, quanto prefeitura, porque são acusações extremamente graves. Tomaremos as medidas necessárias, até porque, nessas acusações, foram vazados dados sigilosos, como o prontuário de pacientes”, afirma Rudão.
A respeito da CPI da Saúde, o prefeito comenta que a sugestão partiu do próprio Executivo. “Foi sugestão nossa, para podermos dar transparência a todos os gastos que estão ocorrendo com a covid-19 e investigar tudo aquilo que aconteceu no ano passado”, afirma.
“O que está acontecendo é disputa política”
Ele comenta que um dos objetivos é levantar a situação que a atual gestão recebeu a prefeitura, em janeiro deste ano, e mostrar à população. “Queremos acabar com essa questão política que está acontecendo, sabemos que isso é disputa política e está prejudicando o andamento da gestão e muitas famílias, que estão, até mesmo, com receio do atendimento. Precisamos investigar e responsabilizar aqueles que divulgam dados e informações inverídicas”, ressalta.
Rudão destaca que a prefeitura está de portas abertas para auxiliar na investigação, especialmente entregando as documentações solicitadas. “Estamos muito tranquilos, porque a transparência é um dos requisitos da nossa administração. Estamos aqui há cinco meses e a pandemia já está acontecendo há quase um ano e meio, então tem muito o que ser revelado para mostrar como assumimos a gestão e o que foi feito durante o ano passado”, diz.
Vale destacar que, no ano passado, durante a pandemia, quem estava prefeito do município era o até então presidente da Câmara de Vereadores, Fabiano Alves Maciel (PV), o Binho. Ele assumiu em fevereiro de 2020, após o prefeito eleito Marcos Fioravanti (PSB), o Casquinha, ter sido afastado pela Justiça, junto com o vice-prefeito Fábio de Oliveira (PP).