
Os moradores que precisaram de atendimento de saúde em Matinhos nesta quarta-feira (11) se depararam com as portas da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Praia Grande e do Pronto-Socorro do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes fechadas, com cartazes pendurados no vidro: “atendimento suspenso por falta de funcionários”.
O morador Gilberto de Souza Mafort levou a esposa até o pronto-socorro do hospital e saiu desapontado. “Infelizmente, esta é a nossa política. Estamos sem hospital e sem UPA. Enquanto isso, minha mulher gemendo de dor no carro”, comentou.
De acordo com a enfermeira Joyce Nunes, apenas uma empresa terceirizada segue com os serviços no município. “São quatro empresas que prestam serviços de saúde, mas apenas uma está funcionando”, explica Joyce. Ela reforça que não havia quantidade suficiente de funcionários concursados para manter um atendimento adequado para os pacientes na UPA e no hospital.
A técnica de enfermagem Rafaela de Lima informou que os funcionários das empresas foram avisados do fim da prestação de serviços no dia 4 de dezembro. “Nós continuamos trabalhando, porque sabíamos que no dia 10 receberíamos pelo trabalho realizado no mês anterior. Achávamos que, devido à proximidade da temporada de verão, alguma solução seria apresentada e nós seríamos pagos pelos plantões extras. Mas, no final do plantão de ontem, nos informaram que não tem mais empresa, que não tem mais pagamento”, disse.
Ainda segundo Rafaela, durante todo esse tempo, os terceirizados ficaram em contato com a empresa e a secretária municipal de Saúde, Darlene Aparecida de Freitas, por grupos de WhatsApp. “Sempre uma enrolação, uma promessa atrás da outra, até que a secretária nos disse que deveríamos fazer o que quiséssemos, colocando sobre nós o ônus de deixar a população sem atendimento”, complementa Rafaela.
Sem papel higiênico
Os terceirizados denunciam que não é apenas o pagamento que está faltando. “Eu soube que o contrato com a empresa de alimentação também foi interrompido. Então, pacientes e funcionários concursados estão sem comida”, explica a enfermeira Joyce Nunes.
Joyce reforça que itens essenciais estão em falta há bastante tempo. “Não tem papel higiênico, fraldas, não tem medicamento básico, como lidocaína, que é essencial para a cesárea, não tem agulha, soro, luva, autoclave funcionando, papel sulfite”, diz.
Outro lado
A Prefeitura de Matinhos, em nota, afirmou que “atualmente, existem quatro empresas que prestam serviços de Saúde no Município”. A pasta ainda informou que a empresa responsável pelos médicos que atendem a UPA Praia Grande efetuou o pagamento, dispensou os funcionários e fechou no dia 3 de dezembro. “Os mesmos ficaram na escala e decidiram ficar atendendo até está quarta-feira (11)”, diz o documento. No entanto, a Prefeitura não explicou por qual motivo a empresa encerrou o contrato.
Na nota, a Administração Municipal disse que está tomando as providências necessárias para regularizar o quadro o mais breve possível. Além disso, esclareceu que a UPA funciona normalmente e que não falta medicamentos ou suprimentos.
Já em relação ao fechamento do pronto socorro do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, a Prefeitura informou que a interrupção do atendimento foi realizada pelo Dr. Danilo de Ávila Ladaia, responsável técnico pela instituição. Após apuração preliminar, ele identificou “que o referido hospital não estava devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina, o que configura uma infração à normativa que rege o funcionamento dos estabelecimentos de saúde”.
A secretária municipal de saúde afirmou que abriu uma sindicância para apurar o caso e, em breve, deve regularizar a situação.
Ratinho anuncia novo hospital
Na terça-feira (10), o governador Ratinho anunciou um pacote de R$ 502 milhões em investimentos para serviços de saúde no Paraná. Desse total, R$ 10 milhões serão destinados à rede hospitalar do Litoral.
“O Hospital de Matinhos é um compromisso que temos a partir do ano que vem. Parece que a Prefeitura já selecionou um terreno, e tendo esse terreno, nós vamos fazer um hospital que também possa fortalecer regionalmente o nosso Litoral”, afirmou.
Sem salário
Durante a diplomação na terça-feira (10), em seu discurso, o prefeito eleito Eduardo Dalmora (PL) falou da situação caótica em que se encontra Matinhos. Ele ainda afirmou que outros funcionários da administração municipal podem ficar sem salário.
“Estou rezando para que os funcionários públicos consigam receber no fim do mês agora. Os 345 comissionados que temos hoje no município, que é um número absurdo, provavelmente não vão receber”, disse. De acordo com Dalmora, a Prefeitura deve fechar o ano devendo mais de R$ 30 milhões.