Paranaguá retoma protocolo de cirurgia bariátrica e devolve esperança para pessoas que buscam qualidade de vida


Por Gabriela Perecin

A Prefeitura de Paranaguá realizou, no mês passado, o primeiro encontro do grupo “Mais Saúde, Mais Vida” para acompanhar pacientes que aguardam por cirurgia bariátrica. O procedimento é indicado para tratar casos de obesidade grave e ficou amplamente conhecido como cirurgia de “redução de estômago”, podendo ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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O procedimento é indicado para tratar casos de obesidade grave. Foto: Prefeitura de Paranaguá.

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o fluxo de pacientes estava paralisado desde a pandemia de 2020 e agora volta a oferecer perspectivas de tratamento para pessoas que convivem com a obesidade. Quem tem interesse na cirurgia bariátrica deve primeiro procurar a unidade de saúde mais próxima de sua casa.

Os pacientes passam por consulta e tem o IMC (Índice de Massa Corpórea) avaliado para poder entrar no programa. O primeiro grupo já possui 12 pacientes e a Secretaria prevê a ampliação dos atendimentos.

O diretor clínico da Secretaria Municipal de Saúde, Dr. Jorge Pinho Woll, considera a retomada do grupo um marco para o município. “Trabalhar a obesidade de forma estruturada e dentro do protocolo estadual garante não apenas o acesso à cirurgia, mas principalmente a construção de uma rede de cuidado mais eficiente e resolutiva”, afirmou o diretor.

Olívia disse que a ausência de acompanhamento interrompeu a entrada de novos pacientes. Foto: Silvia Costa/ Prefeitura de Paranaguá

O acompanhamento é realizado por médicos, nutricionistas e psicólogos. Segundo a médica reguladora da Secretaria, Olívia Permegiani Vilarinho, a ausência de acompanhamento especializado havia interrompido a entrada de novos pacientes na fila estadual da cirurgia bariátrica.

“Esse ano retomamos os fluxos, adequando o protocolo estadual à nossa realidade local. O processo exige atenção a cada detalhe, porque toda documentação passa pela auditoria de um médico do Estado, e qualquer falha pode indeferir o pedido. Hoje damos um passo histórico ao iniciar este grupo em Paranaguá”, explicou Dra. Olívia.

Formas de acesso à bariátrica

O protocolo estadual estabelece dois caminhos para quem busca a cirurgia. O primeiro para pacientes com IMC abaixo de 50, que após a avaliação clínica na Unidade Básica de Saúde (UBS) precisam cumprir dois anos de acompanhamento psicológico e nutricional. Ao fim do período, se persistir a necessidade da cirurgia, o paciente é encaminhado à fila estadual.

O segundo protocolo é voltado para pacientes com IMC igual ou superior a 50. Estes, após encaminhamento médico, passam por três consultas psicológicas e uma avaliação com especialista. Com a documentação completa, o paciente pode ser inserido na fila em até dois meses, desde que todos os critérios sejam cumpridos, conforme divulgado pela Prefeitura de Paranaguá.

Mudança de vida

O autônomo Josemar Oliveira, morador em Paranaguá, tem 47 anos e é uma das pessoas que fazem parte do grupo. Ele contou que a obesidade tem trazido consequências negativas para sua vida, entre elas dores frequentes nas articulações, debates e hipertensão, e que já tentou várias dietas, assim como incluir caminhadas na sua rotina, mas não conseguiu perder peso.

“Até pelas dores no corpo, não consegui fazer, devido ao sobrepeso tenho muitas dores nas pernas. Por esse fato, procurei atendimento e, na unidade de saúde, a médica viu que minha altura e o meu peso não estão combinando e que estou com obesidade”, relatou Josimar.

Foi assim que ele foi diagnosticado como um paciente apto para a cirurgia bariátrica. Entre 2021 e 2022, o médico fez o pedido pelo procedimento, mas não teve evolução. Neste ano, novamente em uma consulta na unidade básica de saúde, o pedido foi realizado.

“Preciso muito da cirurgia, quero tentar com a ajuda das psicólogas. De repente vai que não precise, mas eu conto com isso. Fico feliz que o grupo está formado para que um possa ajudar o outro, porque sei que será necessário esse acompanhamento após a cirurgia. Quero que as coisas aconteçam para mim e para as outras pessoas que também precisam”, disse Josimar.

Ele atribui a obesidade ao estilo de vida adotado nos últimos anos, já que não foi uma criança ou adolescente muito acima do peso. “Foi o decorrer da vida, sedentarismo, trabalho, a gente chega cansado, tem uma alimentação desregrada, também foi devido a ansiedade, eu sou muito ansioso”, relatou Josimar.

Mais de 900 cirurgias

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o Paraná tem 19 hospitais e centros de referência habilitados pelo SUS para a realização da cirurgia bariátrica. Essas instituições atendem as quatro regiões do Estado. Atualmente, três pacientes da 1ª Regional de Saúde (Paranaguá) aguardam para a realização do procedimento que, possivelmente, será realizado nos hospitais habilitados em Curitiba. “Nos cinco primeiros meses do ano, foram realizados 988 procedimentos pelo SUS”, informou a Sesa.

Paraná tem 19 hospitais e centros de referência habilitados pelo SUS para a realização da cirurgia bariátrica. Foto: Arquivo/AEN

O processo para uma eventual cirurgia pelo SUS inicia nos municípios, onde acontece o atendimento de Atenção Primária em Saúde com o acompanhamento e tratamento clínico. “Quando esgotadas as possibilidades iniciais de tratamento, o paciente passa por uma avaliação com especialistas e segue para um novo tratamento conforme a Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade do Estado do Paraná, podendo seguir com esse tratamento ou receber a indicação para a realização do procedimento cirúrgico”, explicou a Sesa.

Dados nacionais reforçam urgência

Um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) revelou que a obesidade é uma das doenças que mais cresce no Brasil. Dados do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), do Ministério da Saúde, apontam que 34,66% da população está com algum nível de obesidade. As informações são referentes ao ano de 2024, quando foram avaliados 26.248.805 milhões de pessoas.

O número de pessoas com obesidade mórbida ou índice de massa corporal (IMC) grau III, acima de 40 kg/m², atingiu mais de 1 milhão de brasileiros no ano passado ou 4.63%.

A Sociedade de Cirurgia Bariátrica, por meio de um levantamento, afirmou que entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291.731 mil cirurgias bariátricas. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), desse total, 260.380 cirurgias foram realizadas via planos de saúde; e 31.351 procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número de cirurgias particulares ficou em torno de 10 mil procedimentos.

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