Setembro Amarelo: suicídio é a principal causa de morte entre os jovens

por Redação JB Litoral
24/09/2019 18:09 (Última atualização: 02/03/2020)

Agência Brasil

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um milhão de pessoas cometem suicídio todos os anos no mundo inteiro, e esta tem sido a principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, mais do que o câncer, a AIDS e a malária. No Brasil, são registrados cerca de 12 mil suicídios por ano. Os números são trágicos e alarmantes, e explicam a criação não apenas de políticas públicas governamentais, mas da sociedade civil e de ONGs em iniciativas como o Setembro Amarelo.

Esta campanha teve início em 2014, quando a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organizou nacionalmente a iniciativa. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens.

O Filósofo Fabiano de Abreu aponta que existe um motivo para o jovem ser mais suscetível ao desejo de suicídio. “A experiência é o alimento da sabedoria, é nossa refeição cotidiana para sabermos lidar com as situações e adversidades. Ao longo da vida, passamos por estas adversidades e percebemos que são apenas momentos passageiros. O jovem, no entanto, é desprovido desta percepção e não vê que tudo é passageiro. Quando ele toma a decisão de retirar a própria vida revela que estava no seu limite de desespero e fora da razão”.

Adolescência x Fase adulta

Ele alerta que na adolescência acontece a transição para a fase adulta e sua consequente emancipação, mas muitos jovens não estão preparados para isto. “A juventude é o momento da prova, onde a necessidade de ter que ser adulto resulta em um forte desespero que o leva a silenciar suas insatisfações. Esta emancipação, este experimento da solidão, cria uma falsa ideia de poder, de imortalidade, fator que o faz experimentar coisas que podem levá-lo à morte, como drogas, bebidas, e se colocar em riscos de vida. A juventude é um momento de transição hormonal, sexual, social que mexe com o emocional”, explica.

O filósofo também atribui a pressão da vida adulta iminente como uma força que pode impulsionar os jovens a desistir da vida. “É angustiante para ele esta fase, em que muitas das mudanças são sofridas em silêncio. Esta adaptação natural, que a juventude exige, vem acompanhada da vergonha e da necessidade de aceitação que a vida adulta impõe. As responsabilidades e a exigência da maturidade o deixa apreensivo e muitos não conseguem lidar com tudo isto”.

O papel dos pais

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Para Fabiano, em alguns momentos, apesar de os pais quererem ajudar seus filhos, podem acabar atrapalhando, quando sentem a necessidade de fazer por eles o que eles deveriam fazer sozinhos. “Muitos pais acabam tratando o filho como crianças e não conseguem dar autonomia para eles. Fazer tudo pelos filhos e tê-los debaixo das suas asas é um dos maiores erros que podem cometer, e assim acabam comprometendo a formação da identidade deles, isto faz que se sintam perdidos e que não consigam encontrar seu verdadeiro lugar no mundo”, aconselha.

Sendo a comunicação, ou a falta dela, um dos principais fatores que podem levar os jovens a tirar a própria vida, o filósofo aconselha que saber conduzir o diálogo dentro da própria casa é fundamental para desvendar os problemas do jovem, evitar surto emocional e que cometam o suicídio.

Ele ressalta que conhecer as motivações e os interesses do próprio filho são fatores fundamentais para uma passagem tranquila pela fase da adolescência para se tornar um jovem adulto capaz de enfrentar os desafios da vida. “Mostrar possibilidades atrativas, promover a inclusão em grupos de interesses comuns, são jeitos de torná-lo sociável e de colocá-lo em grupos que ele se sinta acolhido e amado. E o principal, não tentar moldar a personalidade do jovem ao seu bel-prazer. Ou seja, não tentar fazer do filho um experimento para as suas realizações pessoais, pelo contrário, ajudá-lo a encontrar os seus verdadeiros dons, e mostrar como ele poderá ser útil para a sociedade e como a sua vida será importante para outras pessoas”.

Recomendações para os filhos

O filósofo também aconselha que os jovens não se cobrem demais e evitem ceder às pressões da sociedade. “Afinal, a perfeição não existe, mesmo que muitos te cobrem isso. Tenha em mente que você não precisa ser perfeito, nem fazer o que os outros querem que você faça para ser aceito. Sempre existirá alguém que te aceitará como você é. Se esse alguém ainda não cruzou o seu caminho, pode ter certeza que ele existe, talvez você não esteja procurando no lugar certo. Por isso, busque ajuda profissional, tente se colocar em grupos de pessoas que se sintam como você”, conclui.

Com informações de MF Press Global

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