Na última quinta-feira (9), Paranaguá amanheceu debaixo d’água. Durante a madrugada choveu incríveis 105,2 milímetros (mais de 200 mm desde o início do mês), provocando diversos pontos de alagamento e desalojando famílias, que retornaram para suas casas após as águas baixarem. O cenário de famílias inteiras em meio à água da enchente e, depois do nível baixar, em contato com a lama, traz, além de transtornos e prejuízos, o risco de doenças, a exemplo da leptospirose.

A DOENÇA
A leptospirose é causada por uma bactéria presente na urina de ratos infectados. O organismo é transmitido aos seres humanos através da pele íntegra (por longos períodos de contato) ou por ferimentos e mucosas. O meio de contato principal com o agente causador da doença é por meio de águas de enchentes, inundações, lamas, lixos e entulhos, esgotos e fossas.
Os principais sintomas são febre alta de início súbito, dor de cabeça, dor muscular (principalmente em panturrilhas e lombar), sensibilidade à luz, olhos vermelhos e inchados. Pode evoluir para icterícia (amarelão) e, nos casos mais graves, atingir fígado, rins e levar a hemorragias.
“Nos casos de suspeita de leptospirose, deve-se procurar atendimento nas unidades básicas de saúde, e nos casos que apresentem sinais de alarme (casos graves) a orientação é procurar a Unidade de Pronto Atendimento de Urgência e Emergência”, disse Isabella Vieira de Souza, diretora clínica da Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (Fasp), em conversa com o JB Litoral.
Isabella também explicou a necessidade de procurar assistência médica para acompanhamento dos casos até o final do tratamento.
“Geralmente é uma doença auto limitada, com duração de 3 a 7 dias, mas o tratamento e acompanhamento deve ser realizado por um médico. O período de incubação da doença dura de 1 a 30 dias, mas geralmente se manifesta entre o 5º e o 14º dia após contato com a bactéria. Fica o alerta para a população após esse período de chuvas, para que a gente consiga combater essa doença a qual estamos suscetíveis”, completou a diretora clínica da Fasp, que informou os dados de janeiro a julho de 2024 em Paranaguá: 12 pacientes atendidos na rede municipal foram diagnosticados com leptospirose, no período.
CARACTERÍSTICA SOCIAL E ÍNDICE DE MORTALIDADE
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, associadas à aglomeração populacional de baixa renda, às condições inadequadas de saneamento e à alta infestação de roedores infectados.
Existem registros de leptospirose em todas as unidades da federação, com um maior número de casos nas regiões sul e sudeste. A doença apresenta uma letalidade média de 9%. Entre os casos confirmados, o sexo masculino com faixa etária entre 20 e 49 anos estão entre os mais atingidos, embora não exista uma predisposição de gênero ou de idade para contrair a infecção. Quanto às características do local provável de infecção, a maioria ocorre em área urbana, e em ambientes domiciliares.
PARANÁ NA PONTA
Segundo os dados consolidados mais recentes do Ministério da Saúde, de janeiro a maio de 2024, o Paraná registrou 201 casos de leptospirose, o maior número da região sul (Santa Catarina teve 108 e o Rio Grande do Sul, 197). Na parcial do ano passado, o estado só ficou atrás do Rio de Janeiro, com 211 registros da doença. No Paraná, de janeiro a maio, foram confirmadas 23 mortes em decorrência da leptospirose, 3º maior número do país, atrás de São Paulo (29) e do Rio de Janeiro (24).
Em todo o ano de 2023, o Paraná perdeu 29 pessoas em decorrência da enfermidade.