Prestes a completar um ano e meio de interdições, escolas de Paranaguá seguem em diferentes estágios de recuperação


Por Redação

Com unidades escolares interditadas desde janeiro de 2025, comunidades de Paranaguá ainda convivem com a espera pela recuperação das edificações, consideradas impróprias para o funcionamento pela Administração Municipal.

No começo do ano passado, a Prefeitura fechou as escolas Manoel Viana e Randolfo Arzua, além do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Juvelina Neves, na Ilha do Mel, após vistorias apontarem problemas estruturais e riscos à segurança de alunos e servidores. Outras três também tiveram interdição parcial. Enquanto estudantes e profissionais seguem em espaços improvisados, as obras avançam em ritmos diferentes entre as unidades afetadas. A Escola Manoel Viana, localizada na região central da cidade, apresentava sinais de movimentação do terreno, além de fissuras e trincas no bloco mais novo da estrutura. Atualmente, é a que apresenta o estágio mais avançado de reforma.

Na coletiva realizada em 30 de janeiro de 2025, Semedi apresentou medidas após a interdição de unidades escolares em Paranaguá. Foto: Prefeitura de Paranaguá
Na coletiva realizada em 30 de janeiro de 2025, Semedi apresentou medidas após a interdição de unidades escolares em Paranaguá. Foto: Prefeitura de Paranaguá

Previsão para o segundo semestre

Os alunos da educação infantil e ensino fundamental Manoel Viana foram alocados no Complexo Olímpico Nereu Gouveia, no bairro Ponta do Caju, onde ainda permanecem frequentando às aulas em espaço adaptado.

O secretário de Educação de Paranaguá, Thiago Casas do Nascimento, o Thiago Sonho, explicou ao JB Litoral que as obras teriam intervenções mais rápidas, mas a decisão foi por também fazer outros reparos.

“A nossa previsão é terminar a obra em julho para retornar com as atividades e tirar as crianças do Complexo. Seria uma reforma simples, mas quisemos fazer algo bem legal, trocar a sapata da instituição para garantir mais segurança e bem-estar aos alunos e funcionários”, disse Thiago.

1/4 Escola Manoel Viana passa por reforma após interdição causada por problemas estruturais na unidade. Foto: JB Litoral
2/4 Placa da obra não informa valores da intervenção. Foto: JB Litoral
3/4 Complexo Olímpico Nereu Gouveia, que recebe alunos da Escola Manoel Viana, apresenta estrutura deteriorada.
4/4 Complexo Olímpico Nereu Gouveia, espaço voltado à prática esportiva, apresenta desgaste na fachada.

Espaço compartilhado com crianças do Fundamental

O CMEI Juvelina Neves, na comunidade de Encantadas, na Ilha do Mel, teve interdição total pela constatação de movimentação do solo, recalque do piso dos banheiros, infiltrações e necessidade de reparos no telhado e no piso do pátio.

“Iniciamos há cerca de três semanas a reforma. Acredito que, em no máximo dois meses, esse CMEI, que está fechado há muito tempo, retornará às suas atividades. O local onde os alunos estão atualmente é seguro; fizemos divisórias nas salas para garantir a privacidade, com uma estrutura adequada, então eles estão bem assistidos”, explicou Thiago.

Os estudantes estão alocados na Escola Municipal de Campo Teodoro Valentim, em Encantadas.

Randolfo Arzua será construída em outro local

Já a Escola Municipal Randolfo Arzua, que também foi fechada devido a danos no telhado, alagamentos recorrentes, infiltrações, fissuras e rachaduras, não será reformada. Isso porque, conforme noticiou o JB Litoral, em novembro do ano passado, a Câmara Municipal aprovou, em regime de urgência especial, o projeto de lei do Executivo que autorizou a desafetação e alienação do terreno onde funcionava a escola.

Segundo a proposta, os recursos obtidos com a venda devem financiar a construção de uma nova unidade destinada a atender a comunidade da região. A Randolfo estava localizada na Avenida Bento Rocha, na Vila Portuária, local conhecido pelo tráfego intenso de veículos pesados. “Teremos um novo destino para o Randolfo. Não vai acabar, vai ter um outro destino”, ressaltou o secretário de Educação.

Terreno da antiga Escola Randolfo Arzua foi avaliado em R$ 9 milhões após desafetação aprovada pela Câmara. Foto: JB Litoral

O antigo terreno da escola, com 4.980 metros quadrados, foi avaliado em R$ 9.030.363,98, com base no valor de mercado de áreas privadas à venda na cidade. E a construção da nova escola teve o orçamento de R$ 938.130,55. Thiago Sonho não indicou o endereço em que a escola será construída, mas adiantou que será no bairro Padre Jackson.

De acordo com a Prefeitura, o levantamento de matrículas de 2025 mostrou que 51,14% dos estudantes residem na Vila Guarani, 11,36% na Serraria do Rocha e 10,23% na Vila Cruzeiro. Somados, esses três bairros concentram mais de 70% do público da escola. Apenas 1,14% dos alunos moravam na Vila Portuária, à época da interdição.

Estruturas danificadas

As escolas que seguem em funcionamento, mas com restrições, são a Leôncio Correia, no Jardim Araçá; Hugo Pereira Corrêa, no Porto dos Padres; e Profa. Rosiclair da Silva Costa (CAIC), na Vila dos Comerciários.  A Escola Municipal Leôncio Correia teve interdição parcial em um dos blocos por danos estruturais. Segundo o secretário, uma licitação será feita para a revitalização completa do espaço.

Na Escola Municipal Hugo Pereira Corrêa, o que precisa de reparos emergenciais é a estrutura da cobertura da quadra poliesportiva, que não está sendo utilizada para manter a segurança da comunidade escolar. “No começo do ano, eu já pedi para tirar aquela quadra. A reforma sairia com o valor muito alto, então nós contratamos uma empresa para fazer essa retirada”, declarou o secretário.

E os alunos da Escola Municipal Profa. Rosiclair da Silva Costa (CAIC), também estão sem acesso à quadra poliesportiva, que foi interditada por problemas de corrosão. “A quadra continua interditada. Acredito que esse ano a gente consiga mexer e retomar aquele lindo ginásio. Referente às manutenções, em todas as instituições fizemos a parte elétrica para prevenir curtos e incêndios. Vamos ter uma padronização, fazer uma pintura padrão e mexer em algumas coisas emergenciais”, disse Thiago.

1/4 Escola Municipal Leôncio Correia segue com interdição parcial em um dos blocos. Foto: JB Litoral
2/4 Quadra da Escola Municipal Hugo Pereira Corrêa segue interditada por problemas estruturais. Foto: JB Litoral
3/4 Quadra poliesportiva da Escola Municipal Profa. Rosiclair da Silva Costa (CAIC) segue interditada por problemas de corrosão na estrutura. Foto: JB Litoral
4/4 Comunidade escolar do CAIC aguarda obras para retomada do uso da quadra poliesportiva. Foto: JB Litoral

Investimento em manutenção permanente

Durante a entrega de uniformes escolares, em abril deste ano, a Prefeitura afirmou que o município tem 84 instituições de ensino com amplo volume de demandas e que o investimento em manutenção das unidades soma R$ 3,8 milhões, com prioridade para a parte elétrica.

“É nítido que nossas escolas precisam de manutenção. É muito claro, desde que iniciamos o nosso trabalho. Abrimos um processo licitatório, uma empresa venceu e agora começou a manutenção dessas escolas. Começamos pela Manoel Viana, porque é uma escola que precisamos devolver logo para a comunidade e estamos estendendo para outras instituições”, afirmou o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), naquela ocasião.

O JB Litoral não encontrou informações relacionadas ao processo licitatório no Portal da Transparência.

Paranaguá pode ganhar quatro CMEIs

O secretário municipal de Educação destacou, ainda, que a cidade deve receber quatro CMEIS, para atender crianças de até cinco anos, em regiões diferentes, como: Ilha dos Valadares, Porto Seguro e Jardim Esperança. O local do quarto CMEI ainda está em análise e pode ser implantado no Jardim Ouro Fino (Rua do Manganês), bairro no qual já há uma área desapropriada pela Prefeitura de Paranaguá, no valor de R$ 1.237.769,57, destinada à construção de uma escola.

Com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o CMEI que pode ser implantado no Jardim Ouro Fino já tem nome: Raquel da Silva Ferreira, com aporte de R$ 3,7 milhões e contrapartida municipal de R$ 37.234,18. O público-alvo abrange um total de 144 crianças, com 50% das vagas reservadas para crianças de 0 a 3 anos, a serem acolhidas nos períodos matutino e vespertino. De acordo com o Governo Federal, a obra ainda consta “em ação preparatória”.

O CMEI Porto Seguro também foi anunciado para ser construído em Paranaguá, com recursos do Governo Federal, por meio do PAC. O projeto prevê uma nova unidade com aproximadamente 1.498 m² de área construída, incluindo salas de aula, áreas administrativas, espaços de apoio e estrutura completa para atendimento na educação infantil.

O valor investido é previsto em R$ 6,7 milhões, sendo R$ 5,5 milhões do Governo Federal e R$ 660 mil da Prefeitura de Paranaguá. A obra está em fase de licitação.

“Tem mais dois recursos da Caixa Econômica que estão para vir, então são quatro CMEIs previstos”, ressaltou o secretário Thiago.

O secretário de Educação de Paranaguá, Thiago Casas do Nascimento, o Thiago Sonho, explicou alguns dos investimentos. Foto: Prefeitura de Paranaguá
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