A temporada de cruzeiros 2024/2025 revelou as limitações estruturais que ainda desafiam Paranaguá a se consolidar como destino turístico marítimo. Inicialmente, a segunda temporada foi anunciada com a expectativa de durar até 28 de março de 2025, mas a empresa responsável pela operação reduziu o cronograma, encerrando a temporada no final de janeiro.

Das 17 atrações previstas, apenas oito foram confirmadas pela MSC Cruzeiros. A quantidade de navios recebidos permaneceu a mesma da primeira temporada, realizada entre dezembro de 2023 e março de 2024, quando mais de R$ 25 milhões foram movimentados. Desta vez, porém, as expectativas de dobrar esse valor esbarraram na falta de infraestrutura adequada, que não acompanhou o otimismo inicial.
O governador Ratinho Junior (PSD) reconheceu a necessidade de melhorias. “Essa decisão [da redução de cruzeiros em Paranaguá] é da empresa, que tem suas estratégias de rotas turísticas. Estamos trabalhando para melhorar a estrutura de recepção aos turistas. Hoje, é algo adaptado, mas estamos criando uma área exclusiva de embarque e desembarque para cruzeiros. Essa infraestrutura trará mais segurança e conforto para as empresas venderem suas rotas”, declarou ao JB Litoral durante o evento de abertura do Verão Maior.
Apenas no papel
A lentidão na execução de projetos voltados a colocar Paranaguá definitivamente na rota de cruzeiros nacionais e internacionais frustra comerciantes e moradores locais. Em 2024, a Portos do Paraná firmou dois contratos importantes com empresas de engenharia: um para a implantação de um terminal de recepção de passageiros e outro para a construção de um píer de cruzeiros. Juntos, os contratos somam R$ 2.598.134,16 (dois milhões e quinhentos e noventa e oito mil e cento e trinta e quatro reais e dezesseis centavos) em investimentos.
Terminal de recepção de passageiros
Assinado em 21 de agosto de 2024, o contrato com a RPeotta Engenharia e Consultoria Ltda., no valor de R$ 385.699,56, prevê a elaboração do projeto básico do terminal de recepção de passageiros. A proposta inclui o desenvolvimento de projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, hidrossanitário, de comunicação e de prevenção contra incêndios, além de orçamento e cronograma físico-financeiro. Com vigência de seis meses, a conclusão do projeto está prevista para fevereiro de 2025.
Píer de cruzeiros
Já em 17 de outubro de 2024, a Portos do Paraná assinou um contrato no valor de R$ 2.212.434,60 com a Maurício Torronteguy Consultoria e Negócios Ltda., de Balneário Camboriú, para a elaboração do projeto básico do píer de cruzeiros. O prazo para a conclusão do projeto é de oito meses, com término previsto para junho de 2025.
O JB Litoral questionou a empresa sobre o andamento de ambos os projetos e por qual motivo eles não foram atribuídos a uma única empresa, dado que as obras são complementares. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Antonina
Enquanto Paranaguá enfrenta desafios, Antonina busca revitalizar sua infraestrutura portuária. Em fevereiro de 2024, a Marina Antonina Administração e Infraestrutura SPE Ltda. venceu a licitação para uma concessão de 20 anos de uma área ociosa do porto público Barão de Teffé, que tem 250 mil m². As operações portuárias no local foram encerradas em 2008, devido a restrições de navegabilidade.
O contrato, no valor total de R$ 35 milhões, teve como critério de disputa a remuneração mensal paga à Portos do Paraná. A Marina Antonina venceu ao oferecer R$ 70 mil mensais.
Segundo Roberto Grupenmacher, gestor do projeto, as obras ainda estão em fase de aprovação de licenças e alvarás. “Em duas semanas, pretendemos cercar o local e instalar placas informando sobre o empreendimento”, afirmou. Caso iniciadas em julho, como prevê o cronograma, as obras devem ser concluídas até dezembro de 2025.
A marina contará com 150 vagas molhadas, 200 vagas de estacionamento, áreas para hospedagem de barcos, restaurantes, um posto de combustível, uma sala de rádio e espaços de convivência. “Por enquanto, temos a concepção do projeto. A execução dependerá de estudos regionais, como análise de ventos e correntes marítimas, para definir a melhor posição das vagas molhadas, por exemplo”, explicou Grupenmacher.
Revitalização dos acessos portuários
Outro contrato relevante foi firmado em dezembro de 2024 para revitalizar o acesso ao porto de Antonina. A MJRE Construtora Ltda., do Rio de Janeiro, será responsável pela elaboração do projeto executivo e execução das obras, orçadas em R$ 18.442.000,00 (dezoito milhões e quatrocentos e quarenta e dois mil reais).
O prazo total do contrato é de 15 meses, sendo quatro para a elaboração do projeto e 11 para a execução das obras. A revitalização inclui pavimentação em concreto, drenagem, ciclovias e calçadas, além de melhorias no fluxo de caminhões para o porto Barão de Teffé e o Terminal Ponta do Félix.
Portos do Paraná reponde
Ao JB Litoral, a Administração dos Portos do Paraná informou que o projeto para a recepção de passageiros de navios de cruzeiro está em fase de elaboração, com desenvolvimento de desenhos, plantas e estudos orçamentários. No momento, não há previsão para o início das obras nem estimativa de custos.
Já em relação à implantação do píer de cruzeiros, o projeto encontra-se na etapa de estudos de campo, também sem previsão de início ou definição de valores.
A administração portuária esclareceu ainda que optou por contratar empresas distintas para cada projeto devido às diferenças significativas entre eles, tanto em escopo quanto nos estudos e disciplinas de engenharia envolvidas.
(Resposta enviada na segunda-feira, às 19h27, após a publicação da reportagem.)