TCP contrata gerente executiva e mira em aproximação com armadores

por Redação
06/04/2021 19:06 (Última atualização: 6 dias atrás)

Carolina Merkle Brown tem quase 20 anos de experiência na área portuária e assumiu o cargo de Gerente Comercial de Armadores na TCP

Por Katia Brembatti

A TCP – empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá – buscou uma forma de atrair mais armadores para o porto e contratou uma especialista que já trabalhou do “outro lado da mesa”. Carolina Merkle Brown assumiu o cargo de gerente Comercial de Armadores, disposta a ajudar a empresa a bater a meta de 1 milhão de contêineres em 2021 (no ano passado, o terminal registrou seu maior número movimentado, com 983.383 TEUs).

Foi um estágio, na época em que cursava Comércio Exterior, que fez a administradora mergulhar nas relações portuárias. Lá se vão quase 20 anos. Nesse período, atuou em diversas agências e também em armadores, com a CMA CGM, gigante francesa do setor de contêineres. “Os armadores têm muito poder de decisão, nas cargas, na importação, em quais portos serão utilizados, onde serão os transbordos. Então eu atuo nessa área, buscando maior aderência ao terminal”, comenta Carolina. A executiva acredita que é uma vantagem competitiva conhecer as demandas dos armadores e saber o que importa para eles em uma negociação.

A reportagem do JB Litoral conversou com a nova gerente, no posto desde fevereiro. Nessa entrevista, ela conta que a TCP busca atrair mais cargas, não apenas as que hoje circulam por Santa Catarina. O foco não é exclusivamente regional, uma vez que o terminal procura consolidar sua posição na escala global. Carolina falou das metas para o ano – que incluem aumentar ainda mais a movimentação de cargas refrigeradas – e também revelou como enxerga a presença feminina num ambiente ainda majoritariamente masculino.

Desde que a empresa passou a integrar o portfólio da China Merchants Port Holding Company (CMPort), em 2018, está num processo de expansão forte, com estimativas futuras bem ambiciosas, como os investimentos para aumentar a capacidade para 2,5 milhões TEUs. De que forma você acredita que pode colaborar nesse processo?

Acho que o departamento em que estou é fundamental para essa expansão. A gente depende diretamente dos armadores para que esse crescimento tenha significado. Podemos fazer todo o investimento, mas se os armadores não trouxerem os navios, não colocarem mais capacidade para Paranaguá, não trouxerem mais a locação para o nosso porto, não vai fazer nenhum sentido. Precisamos estar muito próximos dos armadores para que eles acreditem no trabalho que estamos fazendo.

Quando começou na carreira, 20 anos atrás, certamente o setor era ainda mais masculino do que é hoje. Como avalia esse processo de transição e o que precisa evoluir para que tenhamos ainda mais mulheres em postos de comando?

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Já vi uma evolução muito grande, a gente já conseguiu ganhar muito espaço. E a TCP é uma empresa que está bem à frente nessa luta. Nosso RH, por exemplo, é basicamente feminino, com aderência às causas das mulheres em posições de liderança. Mas eu não gosto muito quando são abertos  processos seletivos para mulheres, porque aí tira a parte da competência da pessoa. Também entristece quando associam a questão de ter filhos, questões que acho que não cabem mais em nenhum tipo de processo de seleção. A principal luta que a gente deve travar é entre nós mesmas, para promover a união das mulheres. Elas devem se apoiar e não sabotarem umas às outras. A gente vê muito preconceito.  É muito triste quando eu ouço de homem, mas é muito mais triste quando eu ouço de mulheres. E precisamos nos posicionar. Porque quando a gente cala, também você está se posicionando a favor daquilo.

Quais são suas metas para 2021?

A gente tem muitas. Uma delas é aumentar o volume movimentado. O ano passado, batemos o recorde do terminal, então queremos superar. Esperamos que a gente consiga fazer. O mercado está um pouco impactado ainda, com a questão do novo coronavírus, mas 2020 nos mostrou que, apesar disso, o comércio exterior não foi afetado da maneira que esperavam inicialmente. A gente conseguiu ter um ano muito bom. No Brasil, acabou até fechando positivo. Então, esperamos que isso se repita com ainda mais força.

Tem algum armador com quem a TCP não tem muitas relações hoje, ou que pretenda ampliar muito as negociações, ou algum tipo de carga específica que querem trazer?

Hoje, na região Sul, somos o terminal com a maior cobertura de linhas. São 16 linhas que tocam no nosso terminal. É o maior alcance de serviços dentro da região. Porém, tem alguns serviços que a gente quer aumentar. Queremos subir nossa participação e os Estados Unidos representam uma rota que a gente está buscando. Temos o foco de trabalhar novas rotas. Outro ponto é aumentar a importação. O terminal de Paranaguá é muito forte na exportação, mas estamos trabalhando para importar mais também, para que tenhamos um balance [equilíbrio] melhor. Isso nos ajuda com o reposicionamento de contêineres: se vem na importação, fica mais fácil ter esse equipamento disponível para a exportação. Também estamos destinando esforços para aumentar o fluxo de cargas paraguaias, para que sejam movimentadas por Paranaguá.

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