Técnico Allan Aal alavanca carreira e leva nome de Paranaguá pelo Brasil

Treinador nasceu parnanguara e tem na cidade o seu porto seguro, com família e amigos

por Redação
22/02/2021 06:04 (Última atualização: 2 semanas atrás)

No Paraná Clube, o treinador fez uma de suas melhores campanhas e chamou atenção no cenário nacional pela Série B

Por Marinna Protasiewytch

Quem acompanha o futebol paranaense certamente já ouviu falar no nome de Allan Aal. Hoje treinador do Guarani, o profissional começou em Paranaguá seus primeiros passos, de vida, de jogador e também como treinador. Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, o ex-jogador e agora técnico de futebol contou a sua história de vida e tudo aquilo que o fez se tornar destaque nacional.

Vindo de uma família de boleiros, tendo o avô, o pai (ex-zagueiro e ídolo do Leão, Vivi) e o irmão Netinho como referências, o então zagueiro começou a trilhar o seu caminho no futebol. Ainda menino, entrou para as categorias de base do Coritiba, onde tudo começou.

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Como atleta, o jogador foi zagueiro e se formou nas categorias de base do Coritiba
 

“Nasci em Paranaguá, mas fui embora muito cedo para Curitiba. Com 10 anos de idade eu entrei para a base do Coxa e só saí de lá com 23 anos, quando fui para o Botafogo. Sempre tive um pé em Curitiba e outro em Paranaguá. Não tive a oportunidade de ser jogador no Rio Branco pelas categorias de base, mas no final da carreira de atleta eu tive esse prazer, de vestir a camisa do nosso Leão da Estradinha”, relembrou Allan Aal.

Depois de sair do Coritiba e ir para o Botafogo, Allan passou também pelo Daejeon Hana Citizen, da Coreia do Sul, pela Triestina, da Itália e pelo PAOK, da Grécia. Além de defender as cores do Londrina, Sinop, Francisco Beltrão e, claro, do Rio Branco.

Eu tenho orgulho de ser parnanguara!

Apesar de ter saído muito cedo da cidade, Allan Aal faz questão de relatar o quanto gosta do município, da população e também do Rio Branco. “Mesmo eu tendo saído muito cedo de Paranaguá, nunca perdi meu vínculo. Meus pais moram na cidade, meus filhos também, meus melhores amigos estão aí. Sou um cidadão parnanguara com muito orgulho, meus filhos são parnanguaras, não abro mão de estar sempre em Paranaguá”, contou o treinador que faz questão de exaltar a cidade.

De jogador a técnico do Rio Branco

Como Allan Aal gosta de lembrar, Paranaguá sempre fez parte da sua história e o Leão da Estradinha também. Depois de sair do Londrina, ele acabou voltando para o litoral. Foi justamente em uma das últimas campanhas de maior destaque do clube, quando o Rio Branco chegou as oitavas de final da Copa do Brasil.

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Allan Aal estreou como técnico profissional no Rio Branco em 2011

“Tive duas temporadas em 2007 e 2008 (ainda como jogador). Principalmente em 2007, tivemos uma temporada muito boa, um projeto que chamou muito a atenção. Tivemos grandes jogos, uma equipe que ficou marcada na cabeça do torcedor, pelo desempenho na Copa do Brasil e no Paranaense. Foi uma das últimas grandes campanhas e tenho orgulho de ter vestido essa camisa, de ter sido capitão”, afirmou Allan.

O Rio Branco venceu o Avaí na primeira fase da competição e depois havia desbancado o Vila Nova, com uma goleada de 3 a 0 em plena Estradinha. Mas, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), houve a escalação irregular dos atletas Massaro e Paulo Augusto, e o Leão foi eliminado da competição.

Aos 30 anos, Allan Aal resolveu aposentar as chuteiras e deixar o lado de dentro do gramado. Fora das quatro linhas, ele se aperfeiçoou, fez cursos e treinamentos para mudar a sua direção, mas continuar atuando dentro do universo do futebol.

“Logo em seguida, quando eu parei, fiquei um ano afastado me especializando em algumas coisas. Quando retornei, foi no Rio Branco que eu tive a primeira oportunidade profissional como treinador. Então eu tenho um carinho muito grande, uma gratidão enorme, pois é uma coisa inesquecível. Tive grandes momentos como atleta e como treinador também”, destacou o técnico.

Trajetória como treinador

Allan Aal começou a sua carreira como técnico profissional no Rio Branco, mas logo em seguida foi chamado para descer às categorias de base. Um passo que acabou sendo importante para a sua formação, antes de chegar ao Leão da Estradinha novamente.

“Eu vejo que o meu processo de formação como treinador foi muito equilibrado, foi dado passo a passo. Fiquei duas temporadas no Rio Branco, 2011 e 2012. Logo em seguida, recebi o convite para comandar a categoria de base do Coritiba, onde fiquei praticamente quatro anos. Após isso, retornei ao Leão, em 2015, quando consegui livrar o Rio Branco do rebaixamento, jogando o torneio da morte”, contou.

A disputa do quadrangular no paranaense, para evitar a queda do clube, rendeu inclusive uma goleada em plena Arena da Baixada, quando o Rio Branco venceu por 3 a 1 o Athletico.

Passagem pelo Paraná Clube e acesso à Série A

Depois de deixar o clube parnanguara, Allan comandou o Foz do Iguaçu, Portuguesa, Nacional e Cascavel. Em 2019, veio o convite para se tornar auxiliar técnico do Paraná Clube, com a comissão técnica integrada por Matheus Costa, hoje treinador do Operário, e Dado Cavalcanti, técnico do Bahia. Em 2020, Aal assumiu o comando do Tricolor e começou a trilhar uma caminhada que durou 35 partidas, com 12 vitórias.

“Foi marcante minha passagem no Paraná porque a gente teve um início de Série B acima da média. Lideramos a competição durante muitas rodadas, estávamos no G4, quase o primeiro turno completo. A expectativa no início da competição era de que o Paraná ia brigar para não cair, mas se eu dissesse que nós íamos brigar para ficar entre os seis primeiros iam me chamar de louco, mas foi o que fizemos. Ficou marcado pelo trabalho consistente, pelo grupo fechado e unido. Isso com certeza é um marco, mesmo após a minha saída, porque abriu muitas portas para mim”, contou.

Logo em seguida ele recebeu a proposta para assumir o Cuiabá, onde fez a campanha de acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro. “Foi algo que vai ser inesquecível para o resto da minha vida. Conseguir levar uma equipe a uma Série A, em um estado que há 35 anos não tinha um representante na primeira divisão, fica marcado para a história. Para mim foi um passo muito grande na minha carreira”, explicou.

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