“Tide”: prazer em alfabetizar adultos com amor e dedicação

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

por Redação JB Litoral
08/03/2017 19:59 (Última atualização: 08/03/2017)

Depois de dedicar parte de sua vida a mais nobre profissão do mundo, que é a de ensinar crianças a ler e escrever, a Professora acadêmica, Maria Aparecida Tavares Paes de Assis, carinhosamente chamada de “Tide”, abraçou uma nova e empolgante missão, a de alfabetizar adultos e idosos, no programa de Alfabetização de Adultos da Catedral Diocesana de Paranaguá.  

Nascida na cidade de Marialva, um ano após a virada do segundo milênio, quis o destino que ela trocasse a “Capital da uva fina” pela Cidade Mãe do Paraná, devido ao compromisso profissional do marido, Pérsio Souza de Assis, eleito no ano passado o “Melhor Operador Portuário”, onde recebeu o 10º Troféu Imprensa de Paranaguá – Radialista Amilton Aquim.

Cinco anos após, a determinação em buscar mais conhecimento, a fez sentar nos bancos acadêmicos para uma nova formação universitária. Neste período formou novas amizades e abraçou o voluntariado, como forma de ajudar as pessoas que precisam. Foi assim que se tornou rotariana e passou a ajudar nas ações da Casa da Amizade. A índole e a fé cristã, nascida na escola de freiras onde estudou no passado, aliada à paixão por lecionar acabou fazendo com que conhecesse o trabalho de Alfabetização de Adultos da Catedral e, dede então, já se passam 12 anos ajudando adultos e idosos a obterem conhecimento.

Empolgada pela nova tarefa e convivência com o grupo de trabalho e alunos, Maria Aparecida sente-se rejuvenescida diante da missão de ensinar. Trazida para a Catedral pela colega de faculdade, Regina Gonçalves, que lhe apresentou o trabalho, de onde já trabalhava como voluntária. “É maravilhoso, você não consegue ficar sem, pois é um trabalho excelente que gratifica muito”, diz Maria que adora dar aulas para adultos e crianças.

O adulto sente necessidade de aprender

Ao comparar a diferença de lecionar para crianças e adultos Maria, que já viveu estas duas realidades, explica que a diferença maior é que o adulto quer aprender, ele procura porque sente a necessidade, enquanto que a criança vem buscar conhecimento, pela obrigação de ter que ir para a escola. “O adulto precisa aprender para se locomover. Ler uma placa é muito importante e ficam muitos felizes quando conseguem ler uma placa. Eles até contam para a gente. Temos um aluno que precisava ir ao médico, ele não sabia que ônibus pegar, ia para Curitiba, mas não sabia para onde ir. Depois que aprendeu a ler, vimos a sua enorme felicidade. Esta é a gratificação da gente, ver a pessoa feliz, ver a pessoa chegar ao seu objetivo”, diz a voluntária nitidamente emocionada.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Durante mais de uma década ensinando, a professora percebeu que a mulher é quem mais procura a alfabetização de adultos e a maioria dos alunos é de mulheres. No que diz respeito à idade, a alfabetização atinge uma faixa etária bem elástica e varia de 30 a 80 anos. “Tenho um aluno homem, um rapaz de 30 e poucos anos que começou na alfabetização devido ao trabalho. Às vezes ele some, às vezes aparece”, observa Maria, explicando que leciona duas vezes por semana, na segunda-feira e na quinta-feira, das 14 às 16 horas, em sala com 22 alunos.

 Apesar de a alfabetização ser um projeto da Igreja Católica, idealizado e colocado em prática pelo Padre José Miguel há cerca de 20 anos, existem alunos que são de igrejas evangélicas nas aulas, uma vez que o conhecimento não tem religião, explica Maria Aparecida.  

Ganhamos carinho e solidariedade

Questionada sobre a motivação que a faz estar lecionando por 12 anos de forma voluntária, Maria Aparecida, diz que os alunos retribuem com emoção durante o processo de alfabetização.
 

“Nossa é muito bom, você está ajudando alguém sem pensar naquilo que você poderia sendo recompensada, pois ganhamos o carinho e solidariedade deles”, destaca a professora.
 

A voluntária informa, ainda, que o programa não se limita apenas a alfabetização e que existe todo um trabalho de textualização. “A gente lê e interpreta o texto junto com eles. Depois eles falam sobre os textos, os personagens. Não estou lá para escrever e pronto, estou ali para que aprendam a ler, escrever e compreender”, finaliza Maria Aparecida.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments