Trabalhadores da linha de frente do Hospital Regional do Litoral têm salários atrasados em plena pandemia

Mesmo sem receber, técnicos de radiologia continuam realizando seu trabalho sem prejudicar atendimento no hospital

por Redação
29/01/2021 11:48 (Última atualização: 29/01/2021)

Hospital Regional do Litoral é referência de atendimento aos contaminados com o coronavírus

Por Marinna Protasiewytch

A pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, evidenciou algumas funções de profissionais da saúde e mostrou, em muitos casos, a sua real importância. Hoje, para um diagnóstico mais preciso da doença para a realização do tratamento, médicos fazem exames de Raio-x para identificar as lesões no pulmão dos pacientes e assim promover a ação mais eficaz.

Porém, mesmo sabendo da importância de profissionais da radiologia, o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, vive um momento de descaso. A reportagem do JB Litoral apurou que aproximadamente 20 funcionários terceirizados, mas essenciais ao funcionamento dos atendimentos, estão sem receber seus salários desde o ano passado.

Com contrato pela empresa CliniRadi, os técnicos em radiologia vivem momentos de desespero, pois além de estarem na linha de frente de combate à Covid-19 estão sem dinheiro para atender suas necessidades básicas. “A gente está cobrando o hospital desde sempre, desde novembro estamos sem receber, passamos natal e ano novo sem dinheiro. A empresa não recebe do FUNEAS e não tem caixa para adiantar para nós, enquanto isso tem gente perdendo veículo porque não quita a parcela e nós estamos pagando praticamente para trabalhar”, afirmou um funcionário que não quis ser identificado com medo de represálias.

A Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas) informou, por meio de nota que “os pagamentos referentes aos meses de novembro e dezembro passam por auditoria dos órgãos de controle do Estado, a Procuradoria Geral do Estado e a Controladoria Geral do Estado, procedimento padrão para encerramento do contrato. Os pagamentos estão sendo realizados de forma sistemática aos prestadores de serviço até a quitação de todos os contratos”.

A reportagem procurou também o diretor geral do Hospital Regional do Litoral, Giovani Souza que afirmou que “esse é um assunto da área econômica e financeiro da Funeas [responsáveis pelos contratos de empresas terceirizadas], e que cabe à empresa [CliniRadi] encontrar uma forma de pagar os funcionários até a devida regularização [dos débitos por parte do poder público]”. Ainda segundo o médico responsável pelo hospital, os serviços continuam sendo realizados normalmente pelos funcionários, mesmo com salários atrasados.

A empresa CliniRadi Prestadora de Serviços de Radiologia não atendeu aos telefonemas e nem retornou nos pedidos de informação do JB Litoral enviado por e-mail.

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Pagamento

Ao analisar o descritivo de transparência do Funeas, foi possível constatar que no dia 8 de dezembro de 2020 a empresa CliniRadi Prestadora de Serviços de Radiologia recebeu da fundação R$ 53.186,62. No entanto, no mês de novembro não foram encontrados repasses do Funeas à prestadora de serviço. A fundação admitiu que estão sendo realizadas auditorias no contrato e que isso acarreta em atraso nos pagamentos, mas que as empresas devem ter fluxo de caixa para realizar a quitação de débitos com os funcionários em dia.

Na quinta-feira (28), os técnicos receberam o pagamento de salários referentes ao mês de novembro. Porém, os trabalhadores seguem sem a quitação dos valores de dezembro e janeiro, que deveriam ser pagos sempre até o quinto dia útil de cada mês. “

Diferença salarial

Além dos prejuízos com atrasos nos pagamentos, os técnicos terceirizados ainda convivem com a discrepância salarial para a mesma função. Concursados do estado, segundo o portal da transparência, recebem em média R$3.600,00, enquanto os trabalhadores de empresas terceiras ganham em média R$1.600,00. “Nós realizamos a mesma função, só que recebemos salários atrasados sempre, não temos FGTS, férias, 13° e nem insalubridade de 40%, como os concursados”, revelou uma trabalhadora que preferiu o anonimato.

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