Tumulto marcou desaprovação das contas da ex-prefeita Mônica Peluso em Antonina

por Redação JB Litoral
28/11/2019 01:43 (Última atualização: 24/02/2020)

Muita discussão, tumulto, desmaio, tentativa de agressão e ofensas verbais foram os ingredientes que marcaram a tensa sessão de terça-feira (26) da Câmara Municipal de Antonina.

Este clima de “guerra” foi deflagrado por familiares e apoiadores da ex-prefeita Mônica Peluso (Cidadania 23), revoltados com a decisão dos vereadores, que derrubaram o Acórdão 505/2012 do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), que emitiu Parecer de Regularidade com Ressalvas das contas de 2003 da ex-prefeita. 

O Projeto de Decreto Legislativo da Câmara de Vereadores não acolheu o Parecer do TCE e desaprovou a Prestação de Contas daquele ano, por ela não ter gasto o percentual mínimo de 25% em educação, exigido pela Constituição Federal. O percentual investido foi de 23,98%.

Durante a confusão uma mulher desmaiou e foi parar no hospital, diante do grande alvoroço que tomou conta do plenário do Palácio Ypiranga.

Antes do início da sessão, houve polêmica devido a limitação de pessoas no interior do prédio, onde foram autorizadas um total de 50 para acompanharem a votação. Após ouvir alguns vereadores e o povo que exigia presenciar os trabalhos, o presidente José Alves de Souza (DEM), o Boiadeiro, liberou a entrada de mais pessoas.

O processo de votação feito pelo 1º Secretário, o vereador Vitor Fernandes (PTB) não atendeu o rito legislativo. No lugar dele pedir o voto favorável ou contrário ao Acórdão 505/2012 do TCE, ele pedia para aprovação ou desaprovação das contas de 2003.

Apesar de necessitar de 2/3 dos votos para definir um resultado efetivo, ou seja, oito votos, o Acordão foi derrubado por nove votos contrários dois favoráveis.
 

Quem votou contra e a favor
 

Na votação feita de forma nominal e aberta, apenas os vereadores Carlos Bandeira e Paulo Eleutero, ambos do DEM, foram favoráveis ao Acórdão do TCE-PR, que deu parecer de Regularidade com Ressalvas.

Votaram contra o Acórdão os vereadores, Celso Pinheiro (PSB), Paulo Roberto Broska (PSDB), o Paulinho do Samae, Vitor Fernandes (PTB), Valmir Godoi (PSL), Romário da Cruz (PSL), Roberto Fernandes (PSB), Sandra Balthazar de Souza (PTB), Rozane Maristela Benedetti Osaki (PTB) e o presidente da câmara, José Alves de Souza, o Zé Boiadeiro.

Defesa da ex-prefeita

Em defesa da regularidade de suas contas, a ex-prefeita salientou que durante sua gestão, trabalhou com seriedade e transparência, zelando pelo interesse público com relação ao erário, buscando sempre pela melhoria na qualidade de vida da população. "Não tenho dúvidas que durante os oito anos que estive à frente da Prefeitura Municipal de Antonina, atuei de maneira firme e competente, mostrando a todos que ainda existem gestores honestos e engajados com o seu povo", enfatizou.

No que diz respeito a educação, Mônica Peluso defendeu que a área sempre foi prioridade em seu governo e a formação da equipe desta Secretaria deu-se de maneira seletiva e criteriosa. Destacou ainda que todas as exigências do Tribunal de Contas do Estado do Paraná foram cumpridas. "Quanto as contas de 2003, que faltou o mínimo de aplicação daquele ano, gostaria que os senhores vereadores se atentassem para a compensação dada no ano seguinte. Quanto a aplicação dos recursos, o limite previsto foi excedido, o que demostra o excesso de zelo com o dinheiro público", justificou.

Após a decisão, nas redes sociais, ela que foi a última gestora reeleita do município (1997 a 2000 e 2001 a 2004) agradeceu o povo capelista que compareceu à sessão de votação. "Superado esse triste capítulo que vários vereadores escreveram na história da política antoninense, gostaria de agradecer, de todo o coração, à comunidade antoninense que lotou a Câmara Municipal para tentar evitar essa arbitrariedade. A população da nossa cidade está cansada de um poder corrupto e desconectado com o interesse do nosso povo", salientou Mônica.

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Munira fez uma ressalva aos vereadores Carlos Bandeira e Paulão os quais, segundo ela, votaram de forma coerente e técnica. Disse ainda, que os demais não se preocuparam em fundamentar seus votos para contestar o parecer técnico. "Por fim, deixo claro para todos que a eleição de 2020 não acabou com essa decisão proferida na câmara, ela está apenas começando. Agora, mais do que nunca, temos conosco uma população engajada em dar fim ao terrível apelido que atribuíram à nossa cidade nos últimos anos (cidade da propina), que explica perfeitamente o que aconteceu nesta noite de julgamento de contas", concluiu Mônica.
 

Revolta com aliado político

Mesmo sabendo que precisava apenas oito votos para reprovação das contas, a família da ex-prefeita ficou com os ânimos exaltados pelo fato de o vereador Paulinho do Samae decidir pelo voto de desaprovação. Por se tratar de um aliado político do passado, a expectativa é que ele votasse favorável ao Parecer de Regularidade ou, ao menos, se abster de votar.

Em 2012, Broska foi vice-prefeito na chapa encabeçada por Mônica Peluso pelo PSDB e, juntos, 2.767 votos, totalizando 22,17%, ficando na terceira posição.

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Em sua gestão, a prefeita fez dele Diretor Financeiro do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), ou seja, nomeou para um cargo de confiança.

A votação do vereador soou para os familiares e apoiadores da pré-candidata a prefeita para 2020, como uma traição. O filho da ex-prefeita, o advogado Napoleão Júnior, chegou a quebrar um pedestal de microfone no momento do tumulto. Alguns objetos e até mesmo um microfone foram lançados contra os vereadores.

Indignada, a população antoninense esperava, do lado de fora, a saída dos vereadores, que votaram contrários a decisão do TCE. Na saída de Paulo Broska, familiares da ex-prefeita os abordaram, tentando entender o porquê da decisão contrária do membro do legislativo. Mesmo nervosos com a situação, a família e o vereador tentaram manter um diálogo.

O que disse o povo e os vereadores

Para o radialista Denilson Pinheiro, que acompanhou o episódio, a votação não foi positiva aos vereadores. "Vimos aqui a população totalmente descontente com o que aconteceu. Há uma mobilização a respeito das eleições que virão, em 2020. Como profissional da imprensa, atuando há um bom tempo, foi um parecer muito negativo, pois, se algum desses vereadores pretende, ou, até mesmo algum representante da base vier como candidato nas próximas eleições, vai ficar complicado", disse Pinheiro.

O vereador Paulo Eleotero lamentou a situação. “Muita gente já tinha certeza que esta votação seria de nove votos a dois. Na verdade, eles não estão preocupados com a lei. Isso foi um interesse político de tirar a dona Munira das eleições. Acredito que eles estão com medo que ela possa ser uma candidata forte para 2020. O que aconteceu aqui foi vergonhoso. Infelizmente, esta é a gestão que nós temos", argumentou.

O vereador Bandeira, único que votou de forma correta, favorável ao Parecer Técnico do TCE, defendeu que a oposição votou de forma criteriosa. "Temos que ser muito responsável nesta hora para não cometer nenhum desatino. Conversamos, achamos que a melhor decisão seria essa. Não estamos a favor de A e contra B, nós queremos que se faça justiça", afirmou.

Em poucas palavras, para o presidente da Câmara, Zé Boiadeiro, todos os vereadores seguiram o parecer da Comissão de Justiça. "Hoje nós reprovamos as contas de 2003. Eu não tenho mais nada a falar", disse.

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